domingo, 21 de outubro de 2018

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Vocês vão ter que me engolir

Matéria publicada em 21 de setembro de 2018, 07:15 horas

 


Era 29 de junho de 1997, o Brasil vencia a anfitriã Bolívia com um placar confortável de 3 a 1, era a final da Copa América. Assim, há 21 anos, ainda no gramado do estádio Hernando Silles, na cidade de La Paz, o treinador da seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, em alto e bom som, para dezenas de microfones e câmeras, bradava a antológica frase: “Vocês vão ter que me engolir.”
A força das palavras do treinador que fez história no futebol brasileiro e mundial não se perdeu no ar, ficou registrada de tal forma, que 21 anos depois de proferidas, suas palavras ainda causam arrepios em muitas pessoas e servem não apenas para o assunto futebol, e sim, quando o tema é a vida.
Já li e ouvi essa frase ser repetida por pessoas que venceram algum tipo de competição, terminaram uma prova ou encararam um teste para algo que tanto almejavam e quando se sagraram vitoriosas foram capazes de emocionar e se emocionar repetindo a fala do mestre Zagallo.
E como estas muitas frases ficaram marcadas na história do mundo, como: “Repreende o amigo em segredo, e elogia-o em público”, Leonardo da Vinci; “Construímos muros demais e pontes de menos”, Isaac Newton; “Conhece-te a ti mesmo”, Sócrates; “Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a vã filosofia”, William Shakespeare; “Viver é melhor que sonhar”, Belchior; “Quantas coisas perdemos por medo de perder”, Paulo Coelho; “Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único”, John Lennon; “O que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silêncio dos bons”, Martin Luther King.
Existem ainda centenas e milhares de outras frases que ficaram na história, marcando a história de outras pessoas, sendo usadas como amuletos ou escudos protetores e difusores da verdade. O que Zagallo falou em uma ocasião momento de desabafo ou mesmo de fúria, ainda hoje é usado em muitos momentos no dia a dia de muitas pessoas, certamente, situações bem diferentes da qual foi dita pela primeira vez. Talvez, hoje, ela seja para quem a pronuncie uma espécie de grito de guerra, um desabafo, um momento de emoção ou mesmo uma certeza inequívoca.
Seja na vida pessoal, profissional ou em outro momento, certas frases nos fazem lembrar o quanto é fundamental olhar e, sobretudo, perceber as experiências da vida como algo único e, dessa maneira, buscarmos valorizar cada passo dado, cada vitória ou até mesmo derrota.
E são as expressões ou ditados que acabam se tornando populares que passam a funcionar como um recurso de linguagem costumeiramente usados no dia a dia pelo povo e que, por sua vez, incorpora-se ao diálogo dito por todos nós.
Sendo assim, certas frases ficam marcadas pela sua inteligência, ou mesmo, pela falta delas. Ficam gravadas para sempre no subconsciente popular e viram uso-fruto de todos que acreditam, que em algum momento, elas poderão ser encaixadas no diálogo, deixando, assim, a sua marca, da mesma forma que ocorreu com a fala de Zagallo, que acabou atravessando décadas.
Transmitindo ideias, conselhos ou até ensinamentos, esses ditos de efeito, nascidos no universo popular, transmitem uma ideia consagrada pela repetição no senso comum, caem no gosto do povo e não param mais de serem ditos. Seja banal ou não, o que importa é que se diga algo que, consequentemente, tenha o seu porquê, tenha um claro objetivo.
Seja na informalidade, utilizando a metáfora ou a analogia, essas sentenças dizem sempre muita coisa e, por conta disso, acabam marcando espaço. Mas o que deve certamente prevalecer é o bom senso depois de tudo dito. “Vocês vão ter que me engolir” sugere muito mais coisas do que podemos imaginar. É uma advertência que não deve ser esquecida, ainda mais nos tempos atuais. A pimenta é ardida para alguns e doce para outras.


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Um comentário

  1. Falou..tá falido…

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