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Deschamps entra em grupo seleto de Zagallo e Beckenbauer

Matéria publicada em 15 de julho de 2018, 13:50 horas

 


Moscou(Rússia) – Neste domingo, a França se sagrou campeã do mundo pela segunda vez em sua história. Apenas um nome esteve presente também em sua primeira conquista, em 1998: Didier Deschamps. O treinador, que 20 anos atrás era o capitão dos Bleus, entra para uma lista seleta de ganhadores dentro e fora de campo. Antes do francês, a proeza era exclusividade apenas do brasileiro Mario Jorge Lobo Zagallo (campeão como atleta em 1958 e 1962 e como técnico em 1970) e do alemão Franz Beckenbauer (vencedor como jogador em 1974 e como treinador em 1990).

Nascido em Bayonne, a quase 800 quilômetros de Paris, o técnico de 49 anos coroa assim um ciclo de glórias da França que começou quando ainda era volante. Deschamps, que iniciou a carreira no esporte com o rúgbi, descobriu-se no futebol jogando no Nantes e foi convocado para a seleção francesa pela primeira vez com apenas 21 anos, fica assim marcado como um grande nome do esporte mundial.

Como jogador

Antes de 1998, Deschamps venceu diversos títulos, entre eles uma Liga dos Campeões pelo Olympique de Marselha (1993) e outra pela Juventus (1996), além de um Mundial Interclubes também pela Velha Senhora (1996). Pelo destaque nessas equipes, foi o incumbido de capitanear a seleção que viria a se tornar a grande campeã em 1998, com craques como Thuram, Desailly, Lebouef, Zidane, Henry e Trezeguet.

Dois anos depois, na Eurocopa sediada pela Bélgica e Holanda, o capitão jogou com a mesma segurança no meio de campo, a mesma marcação impecável e a ímpar qualidade com a bola. Resultado? Mais uma taça para a seleção francesa, em partida que foi até a prorrogação contra a Itália. Defendendo as cores de seu país, ele jogou 103 partidas e marcou quatro gols.

Como capitão, alcançou outra marca: assim como Beckenbauer e Iker Casillas, ele levantou taças da Copa do Mundo, da Eurocopa e da Liga dos Campeões.

Como treinador

Depois de problemas na Juventus, quando foi demitido em 1999, ele passou por Chelsea e Valencia, mas já não apresentava o vigor físico que tanto o acompanhara nos seus tempos áureos. Pendurou as chuteiras e, sem experiência alguma como treinador, assumiu o comando do Monaco e conseguiu levar a equipe à final da Liga dos Campeões da temporada 2003/2004.

Voltou a Turim em 2006, dessa vez como treinador, e ajudou a Juventus no retorno à Série A. Depois, passou dois anos parado e, então, foi chamado pelo Olympique, onde ficou por três anos e conquistou três títulos. Todas essas realizações o levaram ao maior posto de um treinador: o de treinar a seleção de seu país.

Seleção francesa

Depois das passagens de Raymond Domenech (que levou a França à final de 2006) e Laurent Blanc (que ficou por apenas dois anos e saiu após a péssima campanha na Euro 2012), Didier Deschamps assumiu a seleção francesa.

No dia 8 de julho de 2012, a Federação Francesa de Futebol o anunciou como o novo treinador da equipe principal. Em 2016, um triste resultado, a derrota para Portugal por 1 a 0 dentro de casa na Eurocopa, quase fizeram-no desistir, mas ele acabou por renovar seu contrato e permaneceu no cargo.

Tive meu sucesso como jogador, e hoje, como treinador, tenho muito orgulho dos meus jogadores. Vestir a camisa da França foi o melhor que me ocorreu na minha carreira profissional.

Mesmo tendo perdido na então maior final como técnico, ele mostrou o porquê de ser considerado, atualmente, um dos melhores técnicos de sua geração. Não bastava estar eternizado como um dos melhores jogadores da França.

Mais longevo no cargo de treinador da seleção em seu país, em 2018 ele foi atrás, com sua jovem geração francesa, do segundo título de sua nação – e de seu segundo título pela França. Como jogador, levantou a taça no famoso Stade de France. Como treinador, viu o goleiro Lloris, capitão de sua equipe, erguer a taça no Estádio Lujniki, na Rússia. No gramado e na beira dele: campeão!


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