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Corrigindo erros

Matéria publicada em 29 de julho de 2021, 20:34 horas

 


Desde o início do governo Bolsonaro apontei dois erros organizacionais cometidos na então nova estrutura da Administração Federal: a extinção do ministério do Trabalho e do ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, e consequente centralização das atribuições desses órgãos no ministério da Economia.

Ciro Gomes destacou esse mesmo pensamento, algo que vários já haviam percebido: qual a vantagem de extinguir 03 ministérios e inflar um ministério meramente tecnocrata, que mal sabe interpretar números?

O ministério da Economia é um elefante inerte, que assumiu as atribuições dos antigos ministérios do Planejamento, da Fazenda, do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio e do Trabalho. Esses últimos três ministérios foram substituídos pelas denominadas “secretarias especiais”, que são um nível hierárquico a maior na organização federal.
Esse mesmo erro foi cometido há 31 anos, quando o então presidente Collor de Mello unificou os três mesmos ministérios: Planejamento, Fazenda e Indústria e Comércio. Crescimento zero, desemprego e privatizações desordenadas foi tudo que Collor conseguiu com a falsa redução, pois, do mesmo modo, criou-se na época o DAS 101.6 (mais um nível de direção superior federal).

Da mesma forma, o ministério da Economia (substituindo as demais pastas) não consegue formular uma política industrial ou de geração de empregos, sendo sua única finalidade a redução dos gastos públicos e as privatizações, sem que exista de fato uma relação entre as duas coisas. Por acaso, é o único discurso do ministro Paulo Guedes: redução, redução e redução do Estado. Na realidade, o ministério da Economia implica em ligeiro aumento do número de órgãos infraministeriais, bastando acessar a página eletrônica do Planalto para constatar esse feito.

O ressurgimento do ministério do Trabalho servirá para acomodar um aliado, Onix Lorenzoni, mas pode, se bem gerido, estabelecer uma ponte entre trabalhadores e governo. Duvido que isso aconteça no atual governo, mas o primeiro passo foi dado.

Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e tantos outros países possuem um ministério do Trabalho, cuja função não se confunde com a tecnocracia da gestão fiscal. As relações com movimentos de trabalhadores é bem diferente da realidade burocrática de gabinetes brasilienses.

Se fôssemos comparar o governo federal a uma empresa, tal qual Guedes faz, seria reunir um único diretor as áreas financeira, comercial, recursos humanos, governança e outras. A falha desse modelo: o chefe do Executivo vale-se de apenas um ministro na tomada de decisões importantes para a nação. O Departamento americano de Comércio (ministério do comércio americano), por exemplo, é um órgão com funções importantes, mais até do que o Departamento do Tesouro (equivalente ao ministério da Fazenda).

Falta pouco para o governo Bolsonaro chegar ao mesmo nível do governo Collor em 1992, quando denúncias formuladas por Pedro Collor entregou o então presidente aos leões do Congresso Nacional. O Pedro de Bolsonaro chama-se Ricardo Barros. O resto todos já sabem: Collor foi “jantado” pelo Parlamento brasileiro.

Outro fato bastante importante, e que torna o governo desorientado, é o episódio Braga Netto, ministro da Defesa, insinuando que não haverá eleições sem o voto impresso, mesmo discurso unificado com o chefe do Executivo federal. Foi a frase mais jurássica que tive o desgosto de ler no mundo político brasileiro, dentre outras aberrações divulgadas nos últimos anos.

Não haverá impeachment, mas o derretimento do governo é certeiro, sem apoio da opinião pública e dos setores sociais representativos, mas contando com a fome do Centrão e com o apoio dos vários grupos multiformes, distribuídos entre WhatsApp e fakenews.

 

Por Benevenuto Santos Neto


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8 comentários

  1. Leitor biônico rs

    Bla bla bla bla mas eu voto LULA.
    Podem chorar q é livre.

  2. Eu já era fã do cara quando era MITO, agora que virou curandeiro, já me sinto curado,kkkkk.

  3. Vacina para todos!!!!!!

    Queremos vacina, o resto a gente corre atrás!

    Cadê 2 dose da AstraZeneca em VR?

    Se não tem da AstraZeneca que deem da Pfizer.

    Falaram que 2 dose tava reservada e podia até adiantar, tá zerada e atrasada.

    Vacina para a economia voltar a crescer.

  4. Nunca vi um presidente ser tão bem recebido onde vai e reunir tanta gente nas últimas manifestação. Será que está no rumo errado?

  5. ESQUERDA SÓ COM RIVOTRIL , SÓ TEM MALUCO MESMO.

  6. Excelente artigo. Agora é só esperar os boçais virem com tudo para cima de você.

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