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De saco cheio

Matéria publicada em 19 de julho de 2019, 09:48 horas

 


Desde 2000 o mundo produziu uma soma incalculável de plástico, volume superior a todos os anos anteriores. Infelizmente, o plástico, que toma conta de todo o planeta, nunca desaparecerá. Ele é, indiscutivelmente, um dos maiores inimigos da fauna marinha e, do meio ambiente. O plástico tem enorme responsabilidade nas inundações, já que é capaz de entupir totalmente ralos e bueiros espalhados pelas cidades. Contra isso não há muito a ser feito, mas é fato que algo pode ser mudado a partir de agora para estancar ou minimizar este grave problema: temos que mudar imediatamente nosso comportamento e adotarmos novas posturas em relação ao seu uso, sobretudo das velhas e tão consumidas sacolas plásticas, que, nos últimos tempos, tornaram-se as vilãs da história, juntamente com os dispensáveis canudos. Essa frenética busca por mudança gerou o movimento “Desplastifique já!”.

No Rio de Janeiro, são consumidos cerca de quatro bilhões de sacos plásticos por ano; em todo o Brasil, a soma anual passa de 15 bilhões. Esses sacos são usados, sobretudo, para guardar as compras de supermercado; depois, eles se transformam em sacos de lixo. A partir de agora, foram definitivamente proibidos, passando cada consumidor a receber apenas dois deles; quem precisar de mais poderá comprá-los por valores que variam de R$ 0,05 a R$ 0,15. Mesmo essas sacolas permitidas precisam atender às exigências prescritas, como, por exemplo, terem resistência mínima de 4,7 kg ou 10 kg.

A Lei Estadual nº 8.006/18, de autoria do deputado estadual Carlos Minc, publicada no dia 25 de junho do ano passado, começou a valer, de verdade, no último dia 26 de junho. A lei obriga os supermercados a fazer uso apenas de dois tipos de sacolas: as biodegradáveis ou as reutilizáveis. Já as pequenas e microempresas terão mais seis meses para se adaptarem às regras. É bom que se diga que a lei se aplica a todos os estabelecimentos comerciais e não apenas aos supermercados.

Quem sempre fez uso da sacola plástica para descartar o lixo vai ter que criar alguma alternativa. Uma opção imediata são as novas sacolas fornecidas pelos mercados e os sacos pretos, que são feitos de polímero, um material que se degrada em dióxido de carbono, água e biomassa, como resultado da ação de organismos vivos e enzimas. Em condições favoráveis de biodegradação, podem desaparecer completamente em semanas. Eles são usados para a produção de embalagens de alimentos, sacolas, produtos para a agricultura e produtos de consumo. Através do processo de biodegradação, eles evitam o acúmulo de lixo e, consequentemente, de poluição, enquadrando-se no conceito de sustentabilidade.

Importante ter em mente que a diminuição do uso das sacolas plásticas, que levam entre 100 a 400 anos para se decomporem, pode contribuir, e muito, na luta contra a poluição e a degradação ambiental. Porém não podemos esquecer que, nessa história, temos outros grandes vilões, como as inúmeras embalagens dos mais diversos produtos consumidos no dia a dia: comidas industrializadas, produtos de limpeza, cosméticos e tantos outros. São, na verdade, embalagens feitas de plástico, papel, isopor e inúmeros outros poluentes.

Com o pensamento voltado cada vez mais para as relações ambientais, principalmente no que diz respeito ao acondicionamento do lixo produzido no mundo inteiro – atrelado às discussões acerca do desenvolvimento sustentável -, é fundamental que entremos de cabeça nessa mudança, adaptando-nos à realidade do planeta, que hoje tem cerca de 7,7 bilhões de pessoas.

Não é apenas o Brasil que entrou na guerra contra o plástico. Bangladesh foi o primeiro a proibir o uso das famigeradas sacolinhas, há 16 anos, seguido pelo Quênia, África do Sul, Ruanda, Mauritânia, Índia, China, Argentina, EUA, México e França, que, por sinal, foi mais além: prometeu banir os talheres, pratos e copos descartáveis a partir do próximo ano.

É hora de nos engajarmos e mudarmos imediatamente o rumo dessa história, pensando nas próximas gerações, legando aos nossos netos e bisnetos um planeta mais sustentável, para que consiga sobreviver de maneira consciente. A história dos povos antigos revela que os produtos eram transportados por cestos, samburás, barris, tonéis, balaios, baús, tambores, bujões, entre outros. Sendo assim, é hora de voltamos a usar essas boas e – agora – inteligentes opções.


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