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Pátria amada Brasil

Matéria publicada em 15 de março de 2019, 07:00 horas

 


Indiscutivelmente, o Hino Nacional brasileiro é um dos mais lindos e mais bem-escritos do mundo, entre os 193 dos outros países, e isso não é papo de colunista ufanista. Pessoas que conhecem do riscado – compositores, letristas, músicos em geral – são unânimes em confirmar essa máxima.
Paixão à parte, cabe relembrar que, na década de 1970, não havia um só colégio, sobretudo os públicos, que não cantassem, a cada turno, o Hino Nacional, enquanto se hasteava a Bandeira brasileira. A cena se repetia pelo menos uma vez por semana: todos os alunos e a direção muito compenetrados, com a mão no peito em sinal de profundo respeito e muito amor a nossa terra.
Nos últimos dias, uma polêmica tola correu o país depois que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, baixou uma espécie de “pedido” obrigando os colégios a cantarem o Hino Nacional, além de que, durante o evento, tudo fosse minimamente filmado.
Obviamente que aí existe um enorme exagero por parte do ministro quanto à filmagem, uma síndrome tosca de George Orwell, talvez baseada no livro “1984”, onde tudo era observado através de câmeras e sobretudo por estar inserido nesse “pedido” a obrigação de se fazer. Creio que o ideal seria realizar, sim, essa ação de cidadania, porém sem as obrigações que acabam por tornar tudo muito engessado. Lembro que fiz isso durante anos e o que ficou dessa rotina matinal foi a alegria de saudar a minha terra de maneira objetiva e muito patriótica.
No último dia 28, o Ministério da Educação encaminhou um novo comunicado às escolas suspendendo o descabido pedido de filmagem dos estudantes cantando o Hino Nacional e o respectivo envio dos vídeos provando e comprovando que a ordem havia sido seguida à risca.
Havia ainda para complementar o tal “pedido”, a leitura de uma carta na presença de alunos, professores e demais funcionários das escolas, em que figurava o slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!” Essas ações foram reconhecidas pelo ministro como erros; para mim, um exagero sem tamanho, até porque fere preceitos legais, principalmente o de que a filmagem dos alunos exige autorização de pais ou responsáveis para uma possível veiculação, já que havia a intenção pelo Ministério da Educação de usar as filmagens de forma institucional.
Esse controle determinado pelo ministro Vélez Rodríguez recebeu uma saraivada de críticas, primeiramente dos educadores e, depois, dos estudantes. O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) não gostaram nem um pouco de terem as suas autonomias feridas.
Um dos símbolos da nossa pátria, a composição musical feita pelo maestro Francisco Manoel da Silva foi considerada Hino Nacional em 1890. Porém, durante mais de três décadas, ele era cantado com letras bem diferentes, e somente às vésperas do primeiro centenário da Independência, em setembro de 1922, um decreto oficializou a sua letra definitiva, escrita em 1909 por Joaquim Osório Duque-Estrada.
Há quem acredite que cantar o hino é puro patrulhamento; outros acham uma delícia ficar pelo menos meia hora fora de sala de aula dando uma enroladinha durante o evento; já outros acreditam que uma vez por semana é muita coisa e sugerem que isso ocorra apenas uma vez por ano; e ainda há quem acredite que é um momento de amor à pátria e de puro civismo e que, se não fizer bem, mal também não fará.
Claro que cantar ou não cantar o Hino Nacional não nos fará mais ou menos brasileiros, mas acredito que seja algo embutido em sua letra que nos provoca a reflexão sobre os mais diversos temas, passando pela cidadania, educação e comportamento. O hino nos leva a pensar sobre conceitos e preconceitos. E faz, de alguma forma, entendermos melhor as nossas raízes, ou seja, de onde viemos e para onde vamos, e o que desejamos para nós e para o outro. Ele nos pergunta e ao mesmo tempo responde acerca do nosso país e de todos os seus cidadãos. Tudo isso é muito barulho por nada, muita perda de tempo com algo que deveria fazer parte do nosso dia a dia, enxergando a Educação como algo transformador e não como um espetáculo teatral.


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Um comentário

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    Esse hino é feio, é difícil de cantar, a maioria das pessoas não sabem cantá-lo. Que mãe é essa que cria um país com desigualdades sociais incríveis.

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