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A saúde do homem e da mulher no espaço

Matéria publicada em 24 de novembro de 2014, 17:33 horas

 


Nasa conclui estudo de três anos e revela diferenças entre os sexos

Cobaia: Karen Nyberg participou da pesquisa na estação espacial

Jorge Luiz Calife
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A agência espacial americana conclui um estudo de três anos sobre os efeitos das viagens espaciais na saúde de homens e mulheres. A pesquisa, que foi publicada este mês no Journal of Women´s Health, mostrou diferenças no modo como ambos os sexos reagem a ausência de gravidade e as situações de tensão no espaço. As mulheres são mais sujeitas a desenvolverem infecções na urina, o que pode ser tratado com antibióticos. Já os homens estão mais propensos a problemas de visão provocados por mudanças anatômicas nos olhos. É a chamada VIIP, ou Visual impairment/intracrianial pressure (defeitos na visão devido a pressão intracraniana) que afetou 82% dos astronautas homens e 62% das mulheres. Os casos mais graves ocorreram apenas nos homens.
Psicologicamente homens e mulheres também reagem diferentemente as tensões e as emergências de uma viagem pelo espaço. As mulheres têm reações mais rápidas, mas são menos precisas. Os homens são mais meticulosos, mas não respondem de modo tão rápido a uma emergência. As mulheres também perdem mais volume do plasma sanguíneo do que os homens e costumam ter um aumento na taxa dos batimentos cardíacos. Os homens já reagem com um aumento na resistência vascular. Por outro lado os astronautas do sexo masculino são mais sujeitos a desenvolverem pedras nos rins do que as mulheres astronautas.
O estudo é o resultado do trabalho conjunto da agência espacial Nasa e o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica Espacial, o NSBRI. As cobaias da experiência foram astronautas como a americana Karen Nyberg, que passaram períodos de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional. Outra descoberta interessante foi quanto ao chamado enjoo espacial. As mulheres ficam mais enjoadas e sofrem tonteiras quando chegam a estação espacial. Já os homens têm mais problemas de adaptação quando voltam para a Terra.
Tanto a Nasa quanto o NSBRI alertam que essas são conclusões preliminares e que serão necessários novos estudos antes que homens e mulheres possam embarcar em missões de longa duração no espaço. Como uma viagem ao planeta Marte que pode levar de seis a oito meses só de ida. Os pesquisadores também advertem que os dados obtidos em relação as mulheres são menos confiáveis porque existem menos mulheres astronautas do que homens. Para evitar esse problema a Nasa está aumentando o número de astronautas do sexo feminino. É o caso do projeto Orion, que está construindo uma nave modular capaz de viajar para a Lua e os asteroides mais próximos. Quatro homens e quatro mulheres foram selecionados para pilotar a Orion. Uma mudança em relação ao antigo programa do ônibus espacial onde a proporção era de cinco homens para cada mulher.
Novas tecnologias também poderão alterar o modo como as pessoas reagem as viagens pelo espaço. A Nasa está pesquisando um sistema de hibernação que colocará os astronautas para dormir um sono profundo, chamado de torpor, durante as longas viagens. É semelhante a tecnologia da hibernação mostrada em filmes de ficção científica como “Interestelar” e “Perdidos no Espaço”. Com a tripulação dormindo durante a viagem o consumo de alimento e água se reduz rapidamente. Assim como as tensões e os problemas de enjoo espacial.
Outra proposta que reduziria drasticamente os problemas do voo espacial seria a construção de naves com um sistema de gravidade artificial. No filme “Interestelar” a espaçonave Endurance tem a forma de um anel, com 64 metros de diâmetro e gira com uma velocidade de 5,6 rotações por minuto para criar uma gravidade artificial de 1G nos módulos ao longo do anel. Na verdade trata-se de uma força centrífuga que produz um efeito igual ao da gravidade.
Mas em uma coisa o estudo já é conclusivo. As mulheres são mais sensíveis aos efeitos da radiação no espaço e precisam ser mais protegidas do que os homens.


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