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Abrigados contam suas histórias de vida e apostam em dias melhores

Matéria publicada em 12 de julho de 2020, 14:09 horas

 


Moradores que aceitaram ir para abrigo em Barra Mansa se ocupam fazendo cursos e querem dar a volta por cima

Barra Mansa – Com aulas e orientações sobre panificação, artesanato e cultivo de verduras e hortaliças, os moradores de rua que estão temporariamente no antigo Grêmio da Nestlé, no Santa Rosa, vislumbram novas perspectivas de vida.

É que esta semana, 10 dos 19 abrigados, através da prefeitura, conseguiram uma vaga de emprego em uma empresa terceirizada. Eles foram levados para o abrigo por causa do novo coronavírus e das baixas temperaturas do inverno.

Um dos abrigados, de 31 anos de idade,  falou sobre sua permanência no abrigo.

-Estava na rua há alguns meses devido a conflitos em família. E não tem jeito, se você usa drogas, passa a consumir com maior frequência até chegar no limite da falta de amor próprio. E foi justamente nesse momento da minha vida que surgiu os cuidados necessários para não contrair o coronavírus. Sem ter para onde voltar e com medo de ser contaminado, vim para o abrigo temporário. Acredito que tudo na vida tem um propósito e o fato de eu, hoje estar aqui, me mostra claramente para onde eu não quero voltar. Através do acompanhamento no Centro POP e no Espaço Reviver, eu estou conseguindo vencer as drogas a cada dia desses dois meses que estou no abrigo – disse.

Outro abrigado relatou o prazer que sente em lidar com a terra.

-Para mim, o plantio funciona como um tratamento médico. Coloco o meu coração na distribuição das mudas na terra. É muito bom acompanhar o crescimento das verduras. Hoje, nós temos aqui cebolinha, salsinha, couve, alface, mostarda, jiló, pimenta, repolho, beterraba, batata doce e espinafre. Já estamos na segunda colheita 0 afirmou.

Um deles, de 59 anos, diz que foi casado por quase duas décadas e após muitas decepções decidiu morar na rua.

-Meus irmãos são de São Paulo e vivia com minha ex-mulher em Volta Redonda. Por causa dos desentendimentos e do álcool passei dois anos nas ruas, bebendo muito, e por pouco não perdi a vida ao ser atacado com uma barra de ferro por outra pessoa, também em condições de rua. Acredito que naquele momento, a mão de Deus tocou sobre a minha vida. Desde que estou no abrigo não tenho usado nenhum tipo de bebida. É assim que quero permanecer. Ter vindo para cá, foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido – resumiu.

A história de outro homem, de 47 anos, não é diferente:  “Fui casado e tenho três filhos pequenos. Nos últimos tempos do meu relacionamento, eu e minha mulher nos drogávamos. Foram tempos terríveis. Nas ruas, eu cheguei ao fundo do poço. Hoje, entendo que o uso de drogas é uma doença e que preciso me cuidar. Essa atenção que tenho recebido no abrigo me fez dar novo significado em minha vida. Agradeço a cada pessoa da Prefeitura, do Grupo Acolher e de outras entidades por me enxergarem como ser humano. Isso tem feito toda diferença, já que nas ruas eu era invisível para a sociedade”.


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