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Brasileiras relatam clima nos Estados Unidos

Matéria publicada em 9 de janeiro de 2020, 17:47 horas

 


Barramansenses Julia e Alidane falam sobre os noticiários e a expectativa dos americanos diante do conflito

Foto: Wana News Agêncy/Reuters/Direitos Reservados

Barra Mansa- EUA e Irã têm dominado os noticiários desde que o principal general iraniano, Qassem Soleimani, morreu durante um ataque aéreo americano, em Bagdá, no Iraque, na última quinta-feira (02), quando se instaurou uma nova crise no Oriente Médio. Nas redes sociais muito tem se falado em uma terceira guerra mundial. O Brasil está longe do conflito, mas há muitos brasileiros espalhados pelo mundo, principalmente em território americano. Duas barramansenses, Julia Maria Melo e Alidane Souza Espíndola, moram há alguns anos no estado da Flórida e conversaram com o DIÁRIO DO VALE a respeito do caso.
Segundo Alidane, que está na cidade de Orlando com toda a família, as notícias são muito claras e ela não sente insegurança ou medo.
– Estou aqui com mãe, irmãs, sobrinhos, cunhados, tia, primos, periquito e papagaio. As notícias estão muito claras, foram enviados muitos soldados americanos e até brasileiros, inclusive filhos de amigas minhas para lá, as notícias estão em todos os jornais, sempre nos atualizando – disse, acrescentando que não tem percebido medo nas ruas.
“Até onde estou vendo, ninguém até agora demonstrou medo, os americanos nativos são “tudo doido” pois eles não tem medo de nada e os imigrantes no geral se sentem muito seguros aqui”.
Julia, que mora em Sarasota, também confirma que o clima entre a população americana é de segurança. De acordo com ela, as pessoas estão bem positivas, mas ela sente um certo receito com essa questão toda.
– Não vejo medo algum neles, os americanos acham impossível qualquer coisa acontecer aqui, por conta das defesas que eles têm. Ninguém nem fala em guerra, não existe na cabeça deles essa possibilidade, mas na minha existe e acho que isso é por eu não ter sido criada aqui – afirmou.
Outro ponto levantado por Julia foi o fato de os americanos não conversarem sobre o assunto.
– Desde o ataque contra o general nenhum americano tocou nesse assunto comigo. No trabalho eu evito falar sobre política, aqui qualquer assunto que você puxe com relação ao presidente eles já acham que é uma conversa sobre política. Diferentemente do Brasil eles não gostam de envolver política com assuntos profissionais – conta.
Nesta semana, a embaixada dos EUA emitiu alerta a cidadãos americanos que moram no Brasil, recomendando manter a discrição e a atenção ao que acontece ao redor, principalmente em pontos turísticos. O comunicado também sugeriu que eles revejam os planos de segurança pessoal e que tenham documentos de viagem atualizados e acessíveis. Já com delação aos brasileiros que moram nos Estados Unidos, de acordo com Alidane e Julia eles não entraram em contato ou emitiram qualquer alerta.
– Embaixada entrar em contato com a gente? Ainda não e confesso que nem devem entrar, na minha visão eles não estão nem um pouco preocupados com a gente – disse. E a situação foi a mesma destacada por Julia. Ela confirmou que até o momento não recebeu qualquer tipo de alerta.

Por Amanda Teixeira 

Um país eternamente em guerra

Estados Unidos têm se envolvido em conflitos desde a Segunda Guerra Mundial

Por Jorge Luiz Calife

O atual estado de tensão entre Estados Unidos e o Irã não é novidade para os cidadãos da maior potência militar do planeta. Nos últimos oitenta anos os Estados Unidos estiveram envolvidos em uma sucessão de guerras e conflitos. Desde conflitos longos, como a guerra do Vietnã, que levou mais de uma década, até operações militares que cobraram um preço alto em vidas. Como foi o caso do ataque terrorista de 1983 em Beirute, no Líbano, que destruiu um quartel dos fuzileiros navais na cidade matando 241 americanos num só dia. A visão de soldados mortos, chegando aos Estados Unidos dentro de sacos de plástico preto já virou parte da vida americana.
Para o americano médio a guerra faz parte da vida da nação, como acontece com Israel no Oriente Médio. E é difícil lembrar uma época em que os Estados Unidos não tiveram soldados envolvidos em operações militares em algum lugar do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial, que para os Estados Unidos durou quatro anos, de dezembro de 1941 a 1945, mais de 400 mil militares daquele país morreram na luta contra as forças nazistas na Europa e na retomada das ilhas ocupadas pelos japoneses no oceano Pacífico. Um dos episódios mais sangrentos foi a retomada da ilha de Iwo Jima.
Na década de 1950 os americanos lutaram na guerra da Coréia. Que matou mais de 44 mil americanos. O conflito na Coréia terminou em julho de 1953 e período de paz relativa para os americanos durou até 1961. Quando o presidente John Kennedy aumentou o envolvimento americano em outra guerra, a do Vietnã. No Vietnã os americanos começaram timidamente, como assessores militares e depois partiram para a guerra total. Um conflito que só terminou em abril de 1975 e matou 58.308 americanos.
A guerra do Vietnã foi a primeira a ser transmitida ao vivo pela televisão. O que provocou o repúdio de uma parte dos americanos e reforçou os movimentos pacifistas. Mas apesar da derrota no Vietnã o governo dos EUA manteve seu envolvimento em conflitos. Como a Guerra Civil Libanesa dos anos 80, onde aconteceu o célebre ataque terrorista de 1983. Um ataque onde o número de fuzileiros americanos mortos se comparou ao da tomada de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial.
Na década de 1980 o presidente americano Ronald Reagan mandou bombardear a Líbia do ditador Muhamar Kadhafi. E seu sucessor, George Bush atacou o Iraque em 1991, numa represália a invasão iraquiana do Kuwait. A presença americana no Iraque foi estopim para o ataque terrorista do 11 de setembro. O 11 de setembro foi a primeira vez em que os americanos sofreram baixas em seu próprio território. E não em terras distantes como nas guerras anteriores. E levou a invasão do Afeganistão e do Iraque sob o comando do presidente George W.Bush.
Comparado com isso a atual escalada de tensão com o Irã tem dimensões modestas. A resposta iraniana ao assassinato do general Quasem Soleimani foi um ataque com foguetes contra bases americanas no Iraque. Que não matou ninguém. Mas abre a possibilidade de um ataque terrorista em grande escala como o do 11 de setembro.


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6 comentários

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    Chegaram os Mervais Pereira que sabem de tudo

    Não sabem nem o nome de 3 vereadores da própria cidade mas entendem tudo da geopolítica do Irã

    Hehehehehe

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    Sobre a polêmica de facebook, se foi assassinato a ação contra o general Soleimani do Iran, penso assim: Sim, foi assassinato. Ele foi morto pq um general de um país inimigo é alvo potencial. No caso desse criminoso, que foi tarde, ele planejou e executou vários atentados contra a vida de militares americanos no Iraque e países vizinhos. Ele foi assassinado fora do seu país, pois estava em combate. E quem combate, mata ou morre. Essa foi a vez dele morrer!
    Muito bem matado! O bom e velho Estados Unidos está de volta!

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    A embaixada não tem nada a fazer, pois não há nenhuma crise dentro do território americano…quanto ao ataque na Líbia, vale lembrar que os norte-americanos são vingativos ; Kadaffi patrocinou um atentado numa boate em Berlim que matou soldados americanos…o ataque ordenado por Reagan matou uma das filhas de Kadaffi.

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    Flórida, o único estado brasileiro em território cubano.

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    Bizantina Stacamacchia Pinto

    Pra Trump, latino-americano e iraniano são a mesma M, só muda a facilidade de acesso ao petróleo.

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