Ceivap libera R$ 13,5 milhões para melhorias na captação de água

Por Diário do Vale
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Emergência: Verba irá garantir abastecimento em municípios após redução da vazão do Paraíba (Foto: Felipe Vieira)

Emergência: Verba irá garantir abastecimento em municípios após redução da vazão do Paraíba (Foto: Felipe Vieira)

 

 

 

 

 

 

 

Pedro Borges
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Resende

O Ceivap (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) vai liberar para os municípios banhados pelo Rio Paraíba do Sul, que estão com problemas no abastecimento, R$ 13,5 milhões para melhorias na captação de água. A verba será usada na compra de bombas flutuantes, garantindo o fornecimento nas cidades após nova redução da vazão do Paraíba, que passará de 140 para 110 m³/s, segundo decisão da ANA (Agência Nacional das Águas). Serão beneficiadas com a verba, oito cidades do Rio de Janeiro – todas do Sul Fluminense – e oito de São Paulo.
Segundo a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira, a liberação da verba foi discutida, semana passada, em uma reunião do GTOH (Grupo Técnico de Operações Hidráulicas) do Comitê, realizada no Rio. Durante o encontro, o grupo avaliou os prejuízos que a redução na vazão irá trazer para as cidades. Como desdobramento, ficou decidida o repasse de recursos próprios do comitê para os municípios que correm risco de ficar sem água com a medida.
Com isso, serão utilizados R$ 5 milhões da verba que estava destinada para o saneamento rural no Rio de Janeiro e R$ 3,5 milhões do estudo morfológico em São Paulo. O restante virá do dinheiro que o Ceivap arrecada através de uma taxa que recebe do Guandu, referente ao pagamento dos municípios e empresas que utilizam a água do Paraíba.
– Como o momento pede uma ação emergencial, vamos usar recursos que tínhamos em caixa para outros projetos para ajudar os municípios, que podem ficar sem água com mais essa diminuição da vazão – explicou Vera, informando que a vazão do Paraíba só será diminuída quando as cidades estiverem preparadas, o que pode levar até 90 dias.
Outro ponto que pesou para a escolha da Ceivap foi a grande burocracia que o Poder Público tem para fazer licitações. Dessa forma, todos os processos serão feitos de forma interna pelo comitê, o que agilizará o processo de compra das bombas e outras reformas necessárias.

Atendimento prioritário

O anúncio do repasse da verba para os municípios foi feito durante uma coletiva de imprensa na sede da Agevap (Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul), em Resende, na manhã de ontem. Ainda durante o evento, Vera informou que as cidades que estão em situações críticas terão prioridades. No Sul Fluminense, Barra Mansa e Barra do Piraí serão as amparadas com maior urgência.
– A captação de Barra Mansa foi construída a 12 metros da margem e para ser operada com uma vazão de mais ou menos 150 m³/s. Então se diminuir mais, a cidade ficará sem água. Mesma coisa em Barra do Piraí, onde temos três captações. Então, nossa prioridade é atender esses casos emergenciais – pontuou.
Vera destacou ainda que a diminuição será de forma gradativa, para que os impactos nas cidades sejam minimizados. “Todos os municípios serão atendidos”, afirmou.

Quantidade e não qualidade

O diretor executivo da Agevap, André Marques, explicou que a redução da vazão é uma medida que se faz necessária. Segundo ele, dessa forma, eles pretendem aumentar, até o final de março, em até 10% o nível dos reservatórios do Paraíba do Sul, que atualmente estão em cerca de 5%.
Entretanto, ele também alerta que, apesar de ser uma medida necessária, a redução da vazão pode trazer outro grande problema: a qualidade da água.
– No momento ninguém falou em produzir água. Estamos falando em quantidade e não em qualidade. Não sabemos o quanto essa medida irá afetar a qualidade da água. Teremos água, mas será que será de qualidade ou com muito esgoto? – indagou André.
O presidente do Comitê Piabanha da Região Serrana do Rio, Paulo Leite, também estava presente na coletiva e reforçou o discurso de Marques.
– Reduz a vazão e o esgoto aumenta. Usar o rio para diluir o esgoto é um absurdo. É preciso investimento para acabar com esse problema – disse.

Diretores afirmam que é hora de economizar água

Para a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia, o assunto racionamento de água, já era para estar sendo tratado há muito tempo.
– Já deveríamos estar falando de racionamento. Melhor dizendo, do uso racional da água para não entrarmos em rodízio, porque você não tem mais o que fazer. Apesar da chuva, não estamos tranquilo de forma alguma – destacou.
Para justificar essa preocupação, Vera lembrou da situação dos quatro reservatórios do Rio de Janeiro. Segundo ela, no ano passado, ele chegou ao período de seca com 25% e entrou no volume morto, já esse ano, a previsão é que ele chegue ao final de março com 15%.
– A população do Rio de Janeiro tem que entender que a nossa caixa d’água fica em São Paulo. Então é preciso começarmos com ações mínimas, como reutilização da água, uso consciente… O Rio de Janeiro tá achando que São Paulo que está com problema, mas não é só lá – enfatizou.
O discurso de Vera foi reforçado por André Marques. O diretor executivo da Agevap afirmou que o Paraíba tem água para todo mundo, mas é preciso saber usar. Em razão disso, o diretor criticou a política de campanhas de economia de água. Segundo ele, elas são importantes, porém, não são a solução.
– Não tem que fazer campanha, mas sim um programa de educação Ambiental. Essas campanhas são geradas pelo momento de emergência, depois que passa acabou. É preciso fazer algo para ficar a médio longo prazo – destacou.

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