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Com alcance limitado e barulhento, debate político na internet esquenta região

Matéria publicada em 22 de setembro de 2018, 13:00 horas

 


Campanha morna nas ruas da região contrasta com clima quente das redes sociais

Sul Fluminense – Enquanto nas ruas a campanha propriamente dita segue morna entre os militantes e cabos eleitorais da região, a coisa anda cada vez mais quente nas redes sociais. Em alguns casos, no ponto de ebulição mesmo. Amizades desfeitas, famílias rachadas e ainda faltam quase 13 dias para o primeiro turno. Os chamados militantes virtuais da região conversaram com o DIÁRIO DO VALE sobre o processo eleitoral e o que esperam de resultado com suas postagens.

O que se percebe é que, como mostram as pesquisas eleitorais, o clima está arraigado entre os que se intitulam esquerda (defensores em geral de Fernando Haddad e Ciro Gomes) e os que se consideram expoentes da direita (em apoio a chapa Jair Bolsonaro/Mourão). O espaço é cada vez mais estreito para manifestação dos eleitores de candidaturas consideradas mais moderadas, como de Marina Silva ou Geraldo Alckmin. Estes são até difíceis de encontrar entre os perfis de internautas do Sul Fluminense.

Quem visita os perfis de Tarciso Andrade, por exemplo, não tem a menor dificuldade em identificar que se trata de um eleitor do Bolsonaro. E com um detalhe: Tarciso é ativo na rede e nas ruas, pois ajudar a organizar carreatas e manifestações a favor do candidato do PSL. Foi um dos responsáveis pela visita de Jair a Volta Redonda no ano passado.

– Como neste ano de 2018 aumentou a quantidade de pessoas com acessos em tecnologia, podemos ver a militância política hoje lutando pela causa com mais conforto, eficácia, atingindo milhares de pessoas. Vejo um futuro de mais envolvimento e esclarecimento político por podermos usar estas ferramentas tecnológicas para pesquisas. Acaba-se com as velhas histórias, muitas das vezes contadas por candidatos e militantes – disse ele, que exaltou o efeito das mudanças das regras eleitorais nas ruas.

– Vejo também o fim da poluição sonora, física e visual em tempos de eleições, porém temos que nos preparar para a enxurrada de spans em nossas maquinas, muitas novidades virão, até mesmo o TSE teve que se adequar a nova ferramenta com uma cartilha com as novas regras para o mundo virtual – disse.

O publicitário Anderson de Souza não é um militante virtual, mas coleciona boa experiência em campanhas políticas e tem uma visão mais moderada sobre o alcance das redes.

– As redes sociais fazem parte do dia a dia das pessoas, mas a grande maioria dos Brasileiros, principalmente a classe menos escolarizada, não acompanha o processo eleitoral pela internet – diz ele.
Anderson, no entanto, atesta o efeito das postagens no debate político: “As postagens tem efeito sim, porém de forma limitada”, garantiu.

O médico Cesar Romero de Paiva é um representante legítimo da militância de esquerda na internet. Para ele, se os posts forem bem direcionados serão capazes de alterar o rumo de uma eleição. “É difícil avaliar, pois há os robots. No entanto, se dirigidos corretamente, influenciam o pleito de maneira correta. A rede foi muito bem usada com Obama (Barack Obama, ex-presidente dos EUA)”, lembrou.

O médico ressaltou, contudo, que é necessário ter bom conteúdo nas postagens que serão replicadas pela militância para que surta o efeito esperado. “A rede pode mobilizar as ruas, mas tudo depende de um bom conteúdo”, diz.

 

Em maior ou menor grau, todos se
tornaram produtores de conteúdo

A produção de conteúdo é outro ponto interessante no debate. O que mais se vê são compartilhamentos de terceiros, mas todos que conversaram com o DIÁRIO DO VALE disseram gostar de gerar conteúdos próprios.

Até mesmo pela característica da profissão, Anderson de Souza se mostrou mais afeito a produzir os próprios posts de forma independente.

– Faço as duas coisas. Até replico mensagens, mas na grande maioria elaboro e divulgo meu ponto de vista – destacou.
A fisioterapeuta Erika Maria disse que também produz comentários pessoais diante de algo que já está em circulação nas redes. “Há uma mistura, elaboro minhas mensagens em cima de réplicas de reportagens”.

Erika, no entanto, afirmou que o clima pesado na rede se dá pelo tom do discurso dos próprios candidatos. “Os ataques envolvem na sua maioria questões éticas, morais e religiosas discutidas muitas das vezes com tons agressivos”, destacou.

Ela aponta que as redes sociais nesta eleição são muito mais usadas para “plantar” rejeição em determinado candidato do que para elogiar o escolhido pelo internauta. “(As redes) São muito mais uma máquina de rejeições, digamos o exemplo do Grupo Mulheres contra o Bolsonaro”, afirmou, lembrando que no grupo estão eleitoras das mais diversas correntes que têm em comum a aversão ao capitão da reserva.

Para Anderson de Souza, o Facebook e a rede em geral caminha cada vez mais para a formação das chamadas “bolhas”.

– As redes sociais são feitas de nichos. Há os que só acompanham esporte, outros gostam de notícias ou de algum tipo específico de entretenimento e assim por diante. Dentro desse universo, os que acompanham política são uma fatia menor desse bolo – afirmou.


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