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Concluir ensino superior é prioridade para classe C

Matéria publicada em 3 de setembro de 2017, 08:30 horas

 


Estudo do Sindicato das Mantenedoras mostra aumento da proporção de alunos concluintes na rede privada

Sul Fluminense – Ainda que a situação esteja difícil para milhares de jovens brasileiros, que diante do cenário nacional fazem parte das estatísticas de desemprego, o sonho de cursar uma faculdade vai muito além das barreiras que muitos têm enfrentando nos últimos anos.

Prova disso é que no último dia 28 de agosto o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) lançou um estudo que mostra um quadro detalhado da educação superior no Brasil, através do qual ficou confirmado o aumento da proporção de alunos concluintes no ensino superior privado nas faixas de renda inferiores a três salários mínimos e de jovens pertencentes as classes C e D na comparação com o estudo anterior.

O aumento do número de formandos chegou a 4,7 pontos percentuais na faixa com renda familiar de até 1,5 salário mínimo, ou seja, 13,5% dos formados, e de 3,4 pontos percentuais na faixa entre 1,5 e 3 salários mínimos, o que representa 26,8%, a maior parcela dos concluintes do ensino superior.

Assim como vários jovens que, se enquadram nesse perfil, a advogada  Andreza Rodrigues, de 37 anos, afirma que a sua maior motivação para iniciar uma faculdade foi a perspectiva de uma melhorar qualidade de vida. Ela conta ter enfrentado muitas dificuldades para concluir o ensino superior, mas que não desistiu de um sonho que havia sido adiado desde que concluiu o ensino médio,

— Sempre lutei com dificuldade, meus pais assalariados, e não pude ingressar na faculdade assim que terminei o ensino médio. Me formei com 35 anos e não me arrependo de nada que fiz para chegar ao final do curso. Sempre vale a pena. Foram muitas dificuldades, todo final de semestre eu era assombrada com a possibilidade de não conseguir renovar o período, no terceiro período minha mãe faleceu, no nono período fui demitida, as coisas ficaram bem difíceis,  mas eu priorizei, abdiquei de muita coisa, e consegui me formar, sempre com o pensamento de um futuro melhor — recorda a advogada.

Persistência: Estudantes se esforçam para driblar crise e continuarem os cursos (Foto: Reprodução internet)

Persistência: Estudantes se esforçam para driblar crise e continuarem os cursos (Foto: Reprodução internet)

Persistência

A jovem Luciana Machado, de 29 anos, sempre teve o sonho de cursar uma universidade, mas também a consciência de que seus pais não teriam condições de custear seus estudos. No ano passado, quando havia conseguido juntar determinada quantia para pagar as três primeiras mensalidades do seu curso de administração, ela perdeu o emprego e se desesperou ao ver, mais uma vez, a chance de estudar ir por água a baixo. Ela só não sabia que o destino a reservava uma surpresa, que foi a bolsa 100% integral que conseguiria por meio de um processo seletivo. Hoje, no terceiro período, ela já comemora o sonho de estar cursando uma faculdade.

— Sou a filha caçula e meus pais são aposentados, recebem um salário cada. Eles nunca tiveram condições de ajudar meus irmãos nos estudos, mas todos caminharam por conta própria, fizeram cursos técnicos e estão bem empregados. Mas meu sonho mesmo era fazer a faculdade e, entre quatro irmãos, eu sou a única que irá concluir o ensino superior que hoje, ao meu ver, é uma necessidade para se conquistar o mercado de trabalho — comentou Luciana.

Fatores que influenciam

Ao avaliar a pesquisa feita pelo sindicato, o Diretor de Extensão e Relações Comunitárias do UBM, professor Fernando Vitorino disse que a persistência dos jovens de baixo poder aquisitivo, em concluírem o ensino superior está associado a três fatores. Um deles seria o profissional, com a busca pela capacitação e atualização para o setor produtivo e, consequentemente, a ascensão e manutenção no mercado de trabalho e o outro se refere a mudança de paradigmas pessoais e familiares visando melhoria na qualidade de vida e de conhecimentos.

— Por fim temos o fator social, quando os jovens se preparam de forma a poder contribuírem para a promoção de mudanças significativas na sociedade — comentou Vitorino.

No documento que divulgou a pesquisa, o diretor Executivo da Semesp, Rodrigo Capelato, afirma que a ampliação da oferta pela rede privada e os programas sociais, principalmente o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), trouxe uma classe nova, que é a classe C, para dentro do ensino superior.

Segundo ele, os primeiros reflexos da presença desses alunos nas universidades surgiram nos anos de 2013, 2014 e 2015: “O crescimento econômico do início da década também foi um fator determinante. A economia vinha num crescente e a classe C em ascendência, de forma que essas pessoas começaram a ingressar no ensino superior”, avaliou.

Cursos procurados

O estudo do Semesp revela ainda que os cursos mais procurados pelos estudantes, por faixa etária, nas instituições de ensino superior privado no Brasil em 2015 foram os presenciais de direito (765 mil matrículas), administração (506 mil) e engenharia civil (300 mil).

No mesmo período, se for considerada a faixa etária até 24 anos, os mais procurados foram direito, administração e engenharia civil.  Já na faixa etária de 25 a 44 anos, os cursos presenciais mais buscados foram direito, administração e enfermagem e, na faixa etária acima de 45 anos, os preferidos foram direito, pedagogia e psicologia.

Nos cursos presenciais, a maioria dos alunos matriculados (52,3%) está na faixa etária de 19 a 24 anos – na rede pública, o percentual é de 57,8% e, na rede privada, de 50,1%.

A faixa de 25 a 29 anos também contempla um número considerável de alunos, chegando a 20%. A evolução das matrículas nos cursos de nível superior a distância registrou, de 2009 a 2015, crescimento de 66%, com aumento de 90% na rede privada e uma queda de 26% na rede pública.

 


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4 comentários

  1. Avatar

    Parabéns aos jovens e adultos que mantem o foco nos estudos a duras penas, sem prejuízo do sustento das famílias que deles dependem. Dra. Andreza você é exemplo de mulher e profissional: diligente, atenciosa e ética, continue assim e que Deus ilumine seus passos.

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    الفتح - الوغد

    O ensino superior deveria ser meta pessoal da vida de qualquer pessoa. Não somente pela questão profissional, mas principalmente pela bagagem cultural e visão crítica que o meio acadêmico possibilita… Pode ser que não encontre o emprego de seus sonhos e a remuneração que esperava ao longo da vida, recebendo menos que alguns cargos de nível técnico ou profissionalizante, porém a ascensão social é certa…

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    Andreza Rodrigues, parabéns a você também. Só vence quem luta e insiste em alcançar os objetivos e você fez tudo isso, apesar das dificuldades. Que Deus lhe abençoe e tenha sucesso na profissão escolhida.

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    Luciana Machado, parabéns. Desejo que você seja um exemplo para os adolescentes de hoje.
    Que Deus lhe ilumine e você consiga seus objetivos.

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