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Conselho de Medicina alerta para perigos de clínicas clandestinas

Matéria publicada em 14 de julho de 2019, 11:00 horas

 


Recentemente, uma mulher foi presa em Volta Redonda suspeita de se passar por médica

Material recolhido na clínica que funcionava de maneira irregular no Aterrado (Foto: Cedida pela Polícia Civil)

Volta Redonda – Há cerca de duas semanas, policiais civis da 93ª DP (Volta Redonda) cumpriram mandados de busca e apreensão em uma suposta clínica médica clandestina, que funcionava no bairro Aterrado. A operação foi desencadeada após seis meses de investigação, em que se constatou que uma mulher de 41 anos, que é enfermeira, se passava por médica e realizava procedimentos estéticos privativos da medicina. Uma das vítimas teve o rosto desfigurado e sofreu queimaduras por ação química, após passar por tratamento com a falsa médica.

Visando orientar a população, principalmente as pessoas que estão se planejando para algum procedimento estético, o DIÁRIO DO VALE ouviu o médico Felipe Canavez, coordenador do CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro – seccional de Volta Redonda). De acordo com ele, a orientação, antes de se tomar qualquer decisão para um procedimento é sempre buscar profissionais qualificados.

– É possível através do site do CREMERJ conferir se o profissional é realmente médico, e se ele possui registro de especialista no CREMERJ em alguma área. Também podem ser consultados os sites da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para constar se o médico possui especialidade. Hoje, nós estamos fiscalizando a ação de profissionais que prestam esse tipo de serviço, na região através de denúncias. Através delas acionamos o Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina – DEFIS, que realiza a visita de fiscalização – informou o médico, ao alertar que entre os riscos mais comuns, as pessoas que se submetem a procedimentos estéticos em locais inapropriados e com profissionais que não estão aptos a realizarem ficam sujeitas a lesões leves a lesões irreversíveis, com possíveis desfigurações, infecções e em casos extremos até morte.

Como denunciar

Ainda de acordo com o coordenador do CREMERJ, toda e qualquer denúncia sobre profissionais e estabelecimentos irregulares deve ser dirigida ao Conselho Regional de Medicina do local onde ocorreram os fatos a serem apurados. Os Conselhos aceitam apenas denúncias por escrito (manuscritas, digitadas) e, por imposição legal, elas devem ser necessariamente assinadas e devem conter telefone e endereço do denunciante.

Conforme explica Canavez, as denúncias também devem ser, sempre que possível, documentadas com cópia de quaisquer documentos referentes ao atendimento. Além disso, precisam conter identificação do denunciante e seu endereço; narrativa dos fatos que, na visão do denunciante, possam conter ilícitos; nome da instituição ou instituições em que a vítima foi atendida; nome dos profissionais médicos (e não médicos, se for o caso) envolvidos no atendimento e nome de testemunhas dos fatos, se houver testemunhas.

– A falta de algumas dessas informações, nome do médico, por exemplo, não impede que o Conselho Regional apure a denúncia porque temos mecanismos legais para obter essas informações. A denúncia deve conter ainda a solicitação de que o Conselho apure os fatos, data e assinatura do denunciante – orientou o coordenador.


Profissionais falam sobre a importância da responsabilidade nos procedimentos

Além dos atendimentos para tratamentos dentários, a cirurgiã-dentista Agnes Abrantes, após a resolução CFO-198\2019, também se tornou apta a realizar diversos procedimentos estéticos, inclusive com a técnica de harmonização facial. Diante do debate de que profissionais de outras áreas da saúde, além da medicina, não deveriam realizar procedimentos estéticos, ela explica que é graduada na odontologia há 15 anos e que, no decorrer desses anos, buscou se qualificar da melhor maneira, para que todo seu trabalho seja feito com muita dedicação e responsabilidade.

“Se estamos aptos a fazer determinados procedimentos estéticos, eles têm que ser feitos com muits responsabilidade. Eu me especializei em varias áreas como ortodontia, prótese e também na harmonização facial. Me preparo sempre procurando o melhor para meus pacientes, com pós-graduação, cursos, congressos, sempre buscando boas técnicas e matérias de qualidade”, destaca a cirurgiã, ao ressaltar que os procedimentos mais procurados em seu consultório são aplicação de toxina, que ajuda reduzir as linhas de expressão e também preveni-las, e os implantes faciais chamados de preenchedores, que promovem volume e remodelação.

Por se tratar da face, Agnes explica que muitos podem ser os problemas causados a um paciente que opta por um procedimento estético sem ser com um profissional qualificado. “A face, o rosto de uma pessoa é muito complexo. O profissional tem que ter um domínio grande de vascularização e anatomia e também estar apto a intervir em intercorrências que possam surgir”, alerta a cirurgiã, ao acrescentar que ao decidir por um procedimento, o paciente deve primeiramente procurar informações sobre o profissional, se ele é qualificado, se tem registro no conselho, lugar fixo de atendimento e também sobre a qualidade de material, uma vez que existem muitos materiais paralelos e falsificados no mercado.

Com relação a polêmica que envolve quais profissionais podem ou não realizar procedimentos estéticos, Agnes defende a sua categoria e ressalta que o profissional dentista é que cuida da face, sendo os mais dedicados a ela. Ela acrescenta ainda que a harmonização faz parte de um conjunto, aonde tudo deve se encaixar: dentes, oclusão, padrões faciais, estruturas ósseas, músculos e tecidos, o que segundo ela já é de amplo conhecimento de um dentista.

“Com todo esse conhecimento sobre a face estamos aptos a reabilitar com propriedade e destreza esses procedimentos estéticos, e lembrando que já trabalhamos com procedimentos de alta complexidade com cirurgias de reconstrução facial”, finaliza Agnes.

A esteticista Tatiana Carvalho Pires, que é Farmacêutica Industrial, especializada em Homeopatia, Cosmetologia e Farmácia Estética é outra que defende a realização de procedimentos estéticos com profissionais qualificados. Ela, que de acordo com as legislações vigentes, está autorizada a realizar aplicação de toxina botulínica, preenchimentos dérmicos, carboxiterapia, intradermoterapia/mesoterapia, agulhamento e microagulhamento estético, criolipólise, fio lifting absorvíveis de autosustentação, e Laserterapia ablativa, também precisou investir em capacitação.

“Minha preparação para atender aos meus clientes e suas expectativas foram com a especialização na área de Farmácia Estética, além de cursos variados de aperfeiçoamento de melhores técnicas e procedimentos na área. Aliás, somos os únicos profissionais da área da saúde que nossa Legislação obriga a ter a Pós-Graduação para atuarmos na estética”, observa a esteticista.


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2 comentários

  1. Avatar
    Eleitor do "Mico".

    Deveriam fiscalizar também esses medicús incompetentes, formados nas coxas, charlatãos e financistas que andam por aí enganando o povão.

  2. Avatar
    Eleitor do Amoedo.

    Ótimo essa fiscalização do Cremerj. Mas poderia também fiscalizar os medicús incompetentes , formados nas coxas, preguiçosos e financistas que atendem por aí, alertando a população para não ser enganada.

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