domingo, 8 de dezembro de 2019

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Consumo de álcool entre adolescentes preocupa autoridades em Barra Mansa

Matéria publicada em 18 de agosto de 2019, 07:00 horas

 


Demanda de palestras preventivas da Coordenadoria municipal de Políticas Publicas sobre Drogas aumentou em 35%

Consumo de bebida alcoólica está associado ao uso de outras drogas (Foto: Arquivo)

Barra Mansa – Recentemente, o “Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira”, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, apontou dados alarmantes sobre o consumo de álcool no Brasil. Segundo a pesquisa, o uso de bebidas chega a ser superior ao consumo de drogas ilícitas. Hoje, mais da metade da população, com idades entre 12 e 65 anos, já declarou ter consumido bebida alcoólica ao menos uma vez na vida. O que mais preocupa as autoridades é justamente a idade em que as pessoas tem iniciado esse consumo, geralmente na adolescência.

Em Barra Mansa, a situação não é diferente do cenário nacional e, segundo informações da Compod (Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas), o aumento do consumo de álcool entre jovens e adolescentes já havia sido detectado nos últimos meses. Conforme explica o coordenador da Compod, César Thomé, embora não seja possível prever onde ocorre esse excesso do uso do álcool, seja em festas, praças, nos bairros, entre outros lugares, o que sinalizou o problema foi a demanda de pais buscando ajuda para os filhos nesta situação.

– É um problema que vem sendo registrado em todas as classes sociais e uma raiz que está crescendo em todos os meios, infelizmente. Para se ter uma idéia, com relação a 2019 houve um aumento de 35% na procura por ajuda ou solicitação de palestras em escolas, devido ao uso de álcool por menores de idade – afirmou o coordenador.

Segundo ele, diante dessa demanda o Compod realizou algumas ações pontuais em lugares de aglomeração do púbico jovem e ambientes noturnos , como bares, pizzarias, restaurantes, entre outros, onde a equipe conversou e informou seus responsáveis sobre a lei estadual 6.153/12, que proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, sob pena de prisão e fechamento do estabelecimento.

– Os donos de estabelecimentos onde se venda bebida alcoólica devem ficar atentos para não venderem para menores, mas é preciso que os paios também fiscalizem seus filhos. Os adolescentes estão começando a beber cada vez mais cedo e eu, por exemplo, já encontrei uma menina de 12 anos sob forte efeito do álcool através da solicitação da própria mãe, que nos pediu ajuda. É assustador como foi crescente o aumento do consumi de álcool entre o público feminino – disse o coordenador, ao acrescentar que as bebidas mais consumidas pelos adolescentes é Vodka com energéticos, vinho e até cachaça.

Bebida pode ser porta de entrada para outras drogas

Conforme destaca César Thomé, o uso abusivo de álcool é a porta de entrada para outras drogas e, por essa razão, os pais precisam falar mais sobre esse tema com seus filhos. Segundo ele, embora muitos ainda tenham certas dificuldades, a conversa sobre esses assuntos deve ser franca e esclarecedora.

– Se eles não forem os melhores amigos de seus filhos, na rua eles irão encontrar pessoas que talvez não sejam boas referências. Esse tema não pode ser terceirizado e, por isso, sempre que somos procurados, deixamos os adolescentes e jovens falarem e sempre peço que sejam sinceros – ressaltou o coordenador.

De acordo com home, logo eu passam por essa “conversa”, que funciona como uma triagem, os adolescentes são encaminhados ao Capsi (Centro de Atenção Psicossocial) para que tenham um melhor acompanhamento de um profissional.

– A Compod tem como lema a bandeira da prevenção, que deve começar em casa. A internação em comunidade terapêutica sempre será a nossa ultima alternativa – acrescentou o coordenador.

Nesta segunda-feira, dia 19, a coordenadoria promoverá o IV Fórum Municipal de Prevenção ao Uso Abusivo de Álcool. O evento será realizado às 8 horas no auditório do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa) e, na oportunidade, órgãos governamentais e sociedade civil poderão debater sobre essa temática.

– Nossos trabalhos são contínuos. Sabemos que é uma dura tarefa porém não podemos ser omissos diante do que estar por vir quando o assunto é o uso de álcool e drogas, principalmente, entre o público jovem e adolescente – finalizou o coordenador.

Pais devem ser responsabilizados, afirma Conselho Tutelar local

Conforme ressalta a conselheira tutelar Marinilda Silva, o consumo de álcool entre os adolescentes é preocupante e vem crescendo assustadoramente. Considerada uma situação grave, pelo órgão, a conselheira chama atenção para a responsabilidade dos pais que, muitas das vezes, além de não procurar saber o que o filho está fazendo, suas companhias, ainda dá o dinheiro, ainda que não saiba, que será usado para esse consumo.

– O número de adolescentes consumindo bebida alcoólica tem crescido mesmo e está cada vez mais alarmante. Nossos jovens e adolescentes têm excedido muito em questão de álcool e eu acho que o que tem contribuído para isso são as festas que eles têm combinado entre si. Algumas festinhas onde não deveria ter bebida, mas que sabemos que é o que mais acontece e, inclusive, com o aval dos pais, que permitem e acham que é apenas “uma social”. Uma social onde rola muito álcool – destacou a conselheira.

De acordo com ela, o Conselho Tutelar precisa da participação dos pais para prevenir esse consumo abusivo e, por esse motivo, o procedimento do órgão é chamar os pais para que tenham um aconselhamento em relação ao acompanhamento que devem dar a esse adolescente, por meio de um programa da rede como, por exemplo, o Capsi ou Espaço Reviver.

– Eles têm que ser encaminhados a esses programas para ver se conseguem mudar esse caminho, já que a tendência é que bebam cada vez mais., podendo ao seguirem para vícios maiores. O álcool não é regra, mas o início para o adolescente conhecer outras drogas. Antes que isso aconteça a gente conversa sério com os pais e os responsabiliza para que acompanhem esse adolescente o mais rápido possível numa terapia, que pode ser com psicólogo do Capsi, ou também por acompanhamento do Espaço Reviver – concluiu a conselheira.


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5 comentários

  1. Avatar

    Simples, prende quem vende e chama em juízo os pais que não se impõem em casa. Caso for um colega que compra, prende também.

  2. Avatar

    “Hoje, mais da metade da população, com idades entre 12 e 65 anos, já declarou ter consumido bebida alcoólica ao menos uma vez na vida.”
    Isso não diz nada a respeito sobre consumo de bebidas alcóolicas por menores. O espaço amostral deveria ser de 12 a 18 anos…

  3. Avatar

    “Segundo a pesquisa, o uso de bebidas chega a ser superior ao consumo de drogas ilícitas.”
    Vcs queriam o contrário?

  4. Avatar
    EDMUR FERREIRA DA SILVA

    O conselho tutelar, ao invés de responsabilizar 100% os pais, deveria se fazer presente junto com o juizado, nos locais de consumo e fechar, ainda que temporariamente alguns estabelecimentos. Se os pais derem uns trancos na molecada, lá vem o conselho encher o saco. Se impedem a boa e devida educação, deveriam assumi-la.

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