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Corte e costura conquista jovens como profissão e hobby

Matéria publicada em 6 de agosto de 2016, 14:28 horas

 


Atividade deixou de ser exclusiva para mães, tias e avós e vem conquistando novo público

Na máquina: Fazer consertos e costurar viram opção para novos profissionais

Na máquina: Fazer consertos e costurar viram opção para novos profissionais

Barra Mansa – A técnica da costura vem conquistando, cada vez mais, jovens que estão apostando na profissão como fonte de renda e, em alguns casos, como um hobby. A estilista Karine Priscila, de 34 anos, levou a sério a técnica que começou a aprender aos 17 anos e, hoje, vê sua escolha se consolidar com o sucesso das peças que produz através da costura. De acordo com Karine, ela fez curso de costura dos 17 aos 19 anos, no entanto, ao longo dos anos, sempre vem buscando se aperfeiçoar na profissão. A vontade de garantir a renda, por meio da costura, surgiu quando ainda era adolescente.

– Sempre gostei de costurar. Desde pequena minha mãe me levava na costureira para fazer roupas, várias mães de amigas minhas eram costureiras e eu tinha uma tia que costurava, inclusive à mão. Embora o contato viesse desde criança, foi na adolescência que escolhi a costura como profissão, começando a fazer algumas coisas como bolsinhas e boinas para vender na escola – recordou a estilista.

Karine conta que já chegou a fazer consertos e costurar no próprio bairro e que já trabalhou por muitos anos em uma confecção, até tomar a decisão de montar um ateliê próprio, que funcionou durante um determinado tempo no Centro de Barra Mansa. Hoje, conforme destaca, ela conquistou a liberdade de trabalhar em casa e com a produção de produtos diferenciados, todos com representatividade na moda afro-brasileira.

– Hoje meu trabalho está direcionado às feiras, com peças prontas para revenda. Além dos turbantes, produzo diferentes peças étnicas e, agora, estou investindo nos bonecos de pano negros, que têm feito muito sucesso nos eventos que venho participando. As feiras têm me dado um leque maior de oportunidades, porque é um lugar onde eu posso mostrar para o cliente peças com um estilo diferenciado. E isso tem contribuído muito para que eu me mantenha no mercado – destacou Karine.

E prova de que Karine vem andando de mãos dadas com a costura é que, somente no primeiro semestre, ela participou de feiras em Barra Mansa, Volta Redonda, Resende, Rio de Janeiro e, recentemente, em Vitória (ES).

– Geralmente participo de umas três feiras, por mês. Além das feiras, levo minhas peças e produtos para participação em eventos de modas no Rio. Neste ano tive a oportunidade de vestir vários modelos com as minhas roupas – enfatiza a estilista.

A estilista Keila Dias Machado, de 34 anos, também se apaixonou pela costura enquanto criança e, hoje, após ter se arriscado em diversas áreas profissionais, ela afirma ter se encontrado na confecção de peças femininas. Graduada em administração, ela fez um curso de corte e costura, em 2011, e hoje trabalha em um ateliê que improvisou em casa.

– Fiz o curso para me distrair, já que naquela estava enfrentando alguns problemas pessoais. Quando o curso terminou, fiquei meio que “carente” da costura e foi aí que decido produzir algumas peças para apresentar as minhas amigas e mulheres da família. Elas gostaram, viraram clientes e, aos poucos, foram indicando outras pessoas. Eu só produzo para mulheres e, hoje, devido a grande quantidade de clientes, só trabalho com hora marcada para que eu possa dar o máximo de atenção a elas. Posso dizer que pretendo me aposentar fazendo isso, que é o que eu realmente gosto – disse Keila, que está sempre participando de cursos nessa área.

Rejuvenescimento da moda

Conforme avalia o estilista Sant Clair dos Santos Pedro, instrutor na área têxtil e professor de modelagem industrial do Senai, que dispõe de cursos de modelagem e corte e costura, o que se percebe, nos últimos anos, é que a moda regional está passando por um momento de rejuvenescimento. Segundo ele, as pessoas com idades mais avançadas que trabalham com costura, ou as confecções mais antigas, não demonstram muito interessadas em inovação. Porém, em contrapartida, há uma grande parte de jovens, de pessoas que estão buscando estilos, que buscam influências na internet e que até já têm outras profissões, querendo entender um pouco mais de moda.

– É muito interessante perceber que os jovens que estão buscando a moda, ou uma forma de fazer moda, estão se agrupando e aderindo a economia colaborativa. Na região eles têm se organizado com vários movimentos, com feiras de Garagem. São grupos de jovens que se preocupam com capacitação e qualificação e que buscam o Senai, justamente nesse momento, para aprender a fazer projetos de coleção e se destacarem no mercado regional –  disse o instrutor.

Segundo o instrutor, o que se percebe é que eventos voltados á moda abertos á comunidade, promovidos pelo Senai e a Firjan, acabam influenciando o interesse por essa área profissional. De acordo com ele, aos poucos as pessoas estão buscando se especializar e, ao mesmo tempo, fazendo com que as instituições ofereçam mais oportunidades, novos cursos  e profissionais gabaritados. De acordo com Saint Clair, até pouco tempo áreas como modelagem e projeto de coleção não eram muito observadas pelos jovens e empresas.

– Hoje, quanto mais eventos a região organiza, mais os jovens estão digerindo as informações e fazendo um trabalho bem legal. Tudo isso,  com certeza, vai ajudar na construção e desenvolvimento de uma indústria regional com identidade. Parte das pessoas interessadas é graduada em profissões como publicidade, arquitetura e desing. É um público descolado, uma galera que quer fazer moda, porque quer consumir moda. Muitas das vezes a gente vê, nessa brincadeira do fast fashion, uma montoeira de peças iguais que não tem valor agregado e que não associação nenhuma à sustentabilidade. Esses jovens estão querendo esse tipo de público e fazer esse tipo de trabalho: diferenciado, único e, ao mesmo tempo, com apelo comercial e urbano – explicou Sant Clair.

Curso gratuito

Em Barra Mansa, adolescentes, jovens e adultos que queiram se matricular em um curso de corte e costura têm como opção as escolas profissionalizantes, hoje divididas em 40 polos diferentes na cidade. As escolas são mantidas por um convênio entre a Secretaria de Assistência Social e a igreja Matriz de São Sebastião e oferecem oportunidades de capacitação em diversas áreas como cabeleireiro, arte culinária, artesanato, corte e costura, pintura em tela, tricô, crochê, manicure, entre outros.

De acordo com a coordenadora das escolas, Elenice Maria Pires Marassi, hoje o que se percebe é muitos jovens estão despertando, cada vez mais, o interesse por algumas profissões, até então tida como “antigas”, como é o caso do corte e costura.

– Sempre estamos recebendo alunas mais novas, o que nos alegra muito. É gratificante vê-las buscando ensinamento e tendo interesse por esse tipo de curso, seja  para o mercado de trabalho como para confecção própria – ressaltou Elenice, ao acrescentar que, diante da crise, muitas acabam encarando a costura como profissão tanto para trabalho por conta própria ou no mercado de confecção.

A sede das escolas profissionalizantes fica ao lado da igreja Matriz, no Centro, porém as interessadas em se matricular para algum dos cursos oferecidos, entre eles corte e costura, devem procurar atendimento na Secretaria de Assistência Social. O plantão das escolas acontece nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h ao meio dia e serve para informar sobre as vagas disponíveis e encaminhamentos.

Os polos  das escolas, de acordo com a coordenadora, são distribuídos em sedes de igrejas católicas, evangélicas, associações de moradores, entre outros espaços nas comunidades. Os cursos são abertos à comunidade, no entanto,  a cobrança de uma taxa simbólica só ocorre nos casos em que a escola tem que contribuir com a limpeza ou manutenção do local.

Integrante do curso de corte e costura, a aluna Juliana Ribeiro, de 18 anos, disse que investiu na profissão porque sempre se identificou com a costura. Embora muito nova, a aluna afirmou que seu objetivo é se manter com a profissão escolhida. “Sei que ainda sou muito nova, mas é isso que gosto de fazer e é com a costura que eu pretendo trabalhar, sempre buscando me aperfeiçoar”, garantiu a aluna.

Um hobby

A assistente administrativa Angélica Magalhães, de 27 anos, descobriu a costura por meio de uma ação social e diz que a experiência serviu como um hobby. Ela, que é evangelizadora em um centro espírita, conta que precisava de fantoches para utilizar junto as crianças e que pediu ajuda a uma amiga para ajudá-la a confeccionar os bonecos. Foi sua primeira experiência com a máquina de costura e, conforme afirma, encantadora.

– Foi uma experiência pratica e rápida e que serviu  como um hobby, uma terapia que eu amei. Sempre que surgir oportunidade vou me aventurar. Fazer os bonecos me deu a sensação de passar o tempo com uma coisa útil, que traz resultados e nos mostra o quanto podemos evoluir, vendo algo sendo criado pelas nossas próprias mãos – finalizou a assistente.

 


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2 comentários

  1. Avatar

    Eu também queria saber…

  2. Avatar

    Em volta redonda, tem algum lugar que dar o curso ?

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