quinta-feira, 22 de outubro de 2020 - 06:52 h

TEMPO REAL

 

Capa / Destaque / Crise atual da água é de qualidade e não de quantidade

Crise atual da água é de qualidade e não de quantidade

Matéria publicada em 9 de fevereiro de 2020, 08:17 horas

 


Rio Paraíba do Sul precisa de maiores cuidados nas cidades que corta-Foto: Arquivo

Sul Fluminense- “Temos água em quantidade, mas a crise é de qualidade. É como morrer de sede em frente ao mar”. Assim o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul, Arimatéia Oliveira, resume os problemas na qualidade da água do Rio Paraíba do Sul, responsável por abastecer mais de 12 milhões de pessoas.

O assunto ganhou reforço nos últimos dias, diante das ações da entidade por conta das queixas de moradores da Região Metropolitana do Rio quanto ao mau cheiro e o gosto ruim da água do Rio Guandu, vinda principalmente através da transposição do Rio Paraíba do Sul.

O representante do órgão vai mais longe e considera que no momento o estado enfrenta uma crise hídrica. Ele explica que, apesar das chuvas intensas, isso não se reflete na qualidade da água. Pelo contrário, as chuvas em contato com o solo desprotegido, segundo Arimatéia, seguem com lama composta por nutrientes que reduzem a qualidade da água do Rio Paraíba, que já recebe, diariamente, grande concentração de esgoto. “Aí se instala o caos”, alerta Arimateia.

Ao fazer este alerta, o presidente do órgão lembra que 2/3 da água do Rio Paraíba do Sul segue para o Rio Guandu. O Paraíba é responsável ainda por abastecer cidades de três estados: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Apesar da grande importância desse manancial, o Comitê das Bacias Hidrográficas garante que as ações de preservação do Rio Paraíba do Sul, estão longe do ideal.

O principal fator que preocupa a entidade é a falta de projetos de cuidado com o rio nas cidades, principalmente com relação ao esgoto. Segundo Arimateia, para amenizar o problema, o Comitê de Bacias do Médio Paraíba do Sul destinou R$ 2,5 milhões para ajudar as cidades que concorreram ao edital do CEIVAP, para obras de construção de redes coletoras de esgoto e estações de tratamento de esgoto.

– Não foi somente o recurso, também ofertamos apoio técnico as 19 cidades pertencentes à Bacia do Rio Paraíba – comentou Arimateia, reforçando que, apenas sete municípios se inscreveram e nenhum deles, porém, foi selecionado para obter o recurso por falta de projeto ou documentação.

Ações

A entidade vem ainda investindo em ações destinadas à recuperação de florestas na Bacia do Rio Sesmaria, em Resende, e na Bacia do Rio Bananal, em São Paulo. A medida visa aumentar a produção de água nestas localidades aumentando o volume que desagua no Rio Paraíba. Outra localidade também assistida pela entidade é a Bacia de um afluente do Paraíba do Sul, que nasce em Arrozal (Piraí). O projeto, ainda em fase inicial, visa liberação de novas áreas para reflorestamento.

Crises

A última crise hídrica na bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul foi em 2015. Na época, no entanto, a crise foi desencadeada pela falta de água. Os reservatórios ao longo do rio secaram e as chuvas, dos anos anteriores – de 2014 e 2015 – não foram suficientes para recuperar os níveis de água das represas.

Na ocasião, foi utilizado o chamado volume morto dos reservatórios, que gerou dúvidas de técnicos do setor sobre a qualidade dessas águas do fundo das represas. “É preciso pensar em 50, 70 anos para frente. Agir urgente, para conter a degradação e investimentos para reversão do quadro de degradação das florestas, solos e rios”, concluiu o presidente do órgão.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document