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Cuba decreta luto de nove dias pela morte de Fidel Castro

Matéria publicada em 26 de novembro de 2016, 22:46 horas

 


Maior liderança do país morreu aos 90 anos; corpo será cremado e cinzas serão expostas em praça de Havana

Líder da Revolução Cubana: Fidel Castro foi uma das principais figuras históricas do século XX (Foto: Fotos Públicas/Alejandro Ernesto)

Líder da Revolução Cubana: Fidel Castro foi uma das principais figuras históricas do século XX (Foto: Fotos Públicas/Alejandro Ernesto)

Havana – Cuba amanheceu este sábado (26) sob um clima de tristeza pela morte da maior liderança política do país e, talvez, um dos maiores líderes mundiais dos últimos anos, Fidel Castro. A morte de Fidel foi anunciada na televisão estatal cubana pelo irmão dele, o presidente de Cuba, Raúl Castro, que decretou luto oficial de nove dias no país. O corpo será cremado e as cinzas serão expostas no memorial José Martí, na Praça da Revolução, em Havana, onde a população poderá prestar sua homenagem, segundo um comunicado oficial.

Ao anunciar a morte de Fidel, Raúl Castro afirmou: “Com profunda dor, compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da América e do mundo, que hoje faleceu o comandante e chefe da revolução cubana Fidel Castro Ruz. Em cumprimento a vontade expressa do companheiro Fidel seu corpo será cremado. Até a vitória. Sempre”.

Fidel Castro é, ao mesmo tempo, adorado por muitos cubanos e também odiado por outros tantos que se exilaram principalmente nos Estados Unidos para fugir do regime socialista implantado durante a revolução cubana, liderada pelos irmãos Castro. Milhares de cubanos, que moram principalmente em Miami, nos Estados Unidos, saíram às ruas para celebrar a morte de Fidel.

Regime socialista começou em 1959

As histórias da revolução cubana e de Fidel Castro, que morreu aos 90 anos, misturam-se em Cuba. Em 1959, Fidel e um grupo de revolucionários – incluindo Raúl Castro, seu irmão, e Che Guevara – instauraram o regime socialista na ilha. Em 2008, por estar com o estado de saúde abalado, Fidel se afastou definitivamente da Presidência da República de Cuba, passando o cargo a seu irmão Raúl.
Mas, manteve-se no comando do Partido Comunista de Cuba. Além de prestar orientações ao governo do irmão, continuou sendo a maior liderança do país.

Oficialmente, não houve justificativas para o afastamento de Fidel do poder e sua substituição por Raúl. Mas informações não oficiais confirmavam que o estado de saúde do líder era frágil, agravado por um câncer no intestino.

Ao longo de quase meio século no comando de Cuba, Fidel consolidou a imagem de força, resistência e crítica aos Estados Unidos, caracterizado por ele como “império capitalista”.

Nos anos 2000, durante reunião de chefes de Estado das Américas, no Rio de Janeiro, Fidel desapareceu no exato momento da foto oficial, na qual também estava prevista a participação de George W. Bush – ex-presidente dos Estados Unidos. Ao ser perguntado sobre as razões de não estar presente na fotografia, Fidel foi preciso na resposta: “Estava no banheiro e me demorei lavando as mãos”. Em seguida, soltou uma gargalhada.

Embargo dos EUA dificultou vida dos cubanos

A população cubana vive situação delicada. Desde o fim da União Soviética (1991), o país passou a enfrentar dificuldades econômicas agravadas pelo embargo imposto pelos Estados Unidos (1962).

A maior parte da economia cubana é sustentada por cidadãos do país que vivem no exterior e enviam dinheiro para parentes. A situação econômica em Cuba é difícil devido às dificuldades para importação de bens básicos de consumo.

A comunidade internacional não poupa críticas aos irmãos Castro. Para parte dos líderes internacionais, o regime cubano é fechado, autoritário e com sinais de transgressão à democracia e de violação aos direitos humanos. Uma das críticas é em relação à liberdade política e de expressão. Os adversários dos Castro dizem que são perseguidos politicamente.

O governo de Fidel foi responsável por montar um imenso aparato estatal em Cuba. Para implementar a reforma agrária foi criado o Instituto Nacional de Reforma Agrária. O fim do analfabetismo no país foi obtido por uma campanha maciça envolvendo os chefes de família e de forma impositiva. Para estimular a cultura, foram criadas instituições, como a Imprensa Nacional de Cuba e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica.

Fidel e Brasil

A relação de Fidel com o Brasil foi registrada ao longo da história com encontros com os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. As relações entre os governos do Brasil e de Cuba se aproximaram com a assunção ao poder dos governos petistas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Foram firmados vários acordos em diversas áreas, inclusive com vinda de médicos cubanos para integrar o Programa Mais Médicos.

Cuba e EUA

As relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, que eram das piores, começaram a ser reatadas há poucos anos. Com a interferência do papa Francisco, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro se falaram depois de 55 anos de relações rompidas.

Em dezembro de 2014, os presidentes dos Estados Unidos e de Cuba foram à televisão anunciar que iriam restabelecer as relações diplomáticas que estavam rompidas. Hoje, os dois países mantêm relações diplomáticas.

Seguem abaixo os principais fatos que marcaram Cuba desde a ascensão de Fidel Castro ao poder:

1959: Depois de liderar uma guerrilha, Fidel Castro depõe o ditador cubano Fulgêncio Batista e torna-se primeiro-ministro de Cuba.

1962: Os Estados Unidos impuseram o embargo econômico a Cuba, que permanece até hoje.

1961: Exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) lançaram uma invasão fracassada da Baía dos Porcos.

1962: A colocação do armamento nuclear soviético na ilha provocou a Crise de Mísseis de Cuba. Durante 13 dias o mundo chegou muito próximo a uma guerra atômica entre Estados Unidos e União Soviética.

1991: O colapso da União Soviética, que dava apoio financeiro a Cuba, desencadeou uma crise econômica em território cubano.

1996: Jatos cubanos derrubaram dois pequenos aviões operados por um grupo ativista, acusado pelo governo cubano de espionagem.

1999-2000: Houve uma batalha sobre a custódia Elián González, um menino resgatado quando um barco que o transportava para os Estados Unidos virou. A batalha envolveu parentes de Elián nos Estados Unidos e em Cuba. Gonzalez foi finalmente devolvido a Cuba.

2008: Fidel Castro transfere o poder a seu irmão, Raúl Castro.

2014: O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente cubano, Raúl Castro, anunciam uma aproximação diplomática.

2016: Obama se torna o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar a ilha em 88 anos.

2016: Fidel Castro morre aos 90 anos.


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4 comentários

  1. MAS TEM MUITOS FIDEIS AQUI NO BRASIL ,TEM ATÉ FIDEL CALHEIROS, TEM FIDEL DA P…. E ASSIM VAI.EU SÓ QUERIA ENTENDER PORQUE ESSES FIDEIS TEM VIDA TÃO LONGA .

  2. Graças aos “Fulgêncios Batista” da vida que um “Fidel” consegue se criar. Corrupção com exploração do povo é receita para deixar um ambiente propício à revolução. Vide como eram Rússia, China e Cuba antes das revoltas que colocaram comunistas no poder.

  3. Quem defende esse ditador carismático, milionário, deveria passar uma temporada entre os pobres cubanos, ele pode ser muito bom, para eles, para nós não, ninguém quer ter um Fidel na sua vida.

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