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Donas de casa e restaurantes sentem no bolso a alta do preço de legumes

Matéria publicada em 3 de maio de 2019, 18:41 horas

 


Batata, cebola e tomate se tornaram os grandes vilões da economia nas últimas semanas; opção para muitos é a substituição dos produtos

Barra Mansa- As donas de casa e os proprietários de restaurantes que foram as compras de tomate, batata e cebola, nas últimas semanas, foram surpreendidos com a alta desses produtos, cujos preços estão variando de R$ 4 a R$ 10 reais, em média, o quilo. Indispensáveis na mesa dos brasileiros, quem precisa utilizar esses legumes, no dia a dia, está precisando “reinventar” alguns pratos, além de substituí-los por outros alimentos. Essa é a situação do empresário Luiz Fernando Souza, proprietário de um restaurante em Barra Mansa, que está tentando “driblar” a alta desses produtos diminuindo o uso dos mesmos em seus pratos.
– Se formos acompanhar, de 2017 para cá, o alimento é um dos fatores que mais pressionam a inflação. E, nesse momento, não está sendo diferente. O tomate e a batata estão com preços muito elevados e, para não sentirmos essa alta, estamos optando em usar menos os dois. Aqui no restaurante, por exemplo, estamos enfeitando menos a salada, fazendo pratos como o vinagrete, que faz com que o tomate renda por causa dos outros produtos como pimentão e cebola, evitando fazer purê de batata e optando por uma maionese, que leva outros legumes e carne com batata, que também faz com que o legume renda. Tem alguns produtos que o preço sobe a gente consegue excluir. Agora esse dois é impossível, porque eles têm um grande apelo na mesa dos brasileiros – disse Souza.
A autônoma Geane Gonçalves da Silva, é cozinheira e trabalha com a venda de pizzas e massas. Ela, que compra em media até 50 quilos de tomate, por mês, reforça que nos últimos dois meses tem sido difícil encontrar o produto com preço acessível. A saída, para não repassar a alta do tomate, para seus clientes, foi negociar com um fornecedor e conseguir descontos semanais.
– Eu uso muito tomate para decorar algumas pizzas e também para fazer o molho. Dias desses, precisei de última hora, fui em um mercado próximo da minha casa e o quilo estava R$ 8,50. Foi um grande susto, mas tive que comprar porque já tinha encomendas para entregar. Como eu vi que o preço está longe de melhorar, fiz um acordo com um hortifruti aqui do bairro e estou conseguindo comprar, por semana, uma grande quantidade e com desconto. O tomate é o carro chefe das massas, não dá para substituir e, por isso, temos mesmo é que correr atrás de preços – disse a cozinheira.

Hortifruti associa alta dos legumes a instabilidade climática

A comerciante Priscila Fêlix do Nascimento é proprietária de uma loja de um hortifruti em Barra Mansa. Ela reconhece que produtos como batata, tomate e cebola sofreram uma alta muito grande, nos últimos meses, no entanto, associa esse fator a interferências climáticas, conforme afirmam alguns de seus fornecedores diretos.

– Não é a inflação e nem governo, é o clima que tem influenciado na alta desses produtos, principalmente a cebola e a batata, por exemplo, que são raízes – ressaltou a comerciante
Segundo ela, com a interferência climáticas os produtores não estavam conseguindo colher e em função disso os legumes não estavam atendendo a demanda, o que gerou o aumento do preço.

– Nesse meio tempo, mesmo sem a mercadoria, a despesa do fornecedor se manteve. Então é automático: na falta de produto, eles sobem mesmo os preços – exemplificou a comerciante, ao ressaltar que o clima instável também prejudicou a produção de folhosas.
Para não repassar a alta para seus clientes, Priscila explicou que tem tentado optar por outras qualidades como, por exemplo, ao oferecer um tomate médio, com preço mais acessível. Segundo ela, enquanto o produto chegou a custar até R$ 10 reais, em alguns estabelecimentos, ela tem conseguido manter o valor de R$ 5,90.

– Estamos procurando alternativas, mas sem perder a qualidade. Temos duas linhas de produtos: o tomate com tamanho médio e o italiano, pra quem não abre mão, independente do preço – acrescentou.
Com relação a batata, ela também disse que tem conseguido negociar o produto a R$ 3,90, enquanto em outros estabelecimentos o legume já chegou alcançar o preço de R$ 6,90.

– Temos uma batata lavada, de qualidade, e com preço acessível. Nesse momento de alta, estamos deixando de lado um pouco a aparência, o produto bonito, pra conseguirmos passar um preço justo para o consumidor – disse a comerciante, ao ressaltar que, com a chegada do inverno, a expectativa é de que a produção se normalize e que os preços tenham uma queda.

Por Roze Martins 


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