Moradores de Córrego do Feijão enterram vítimas e buscam por parentes - Diário do Vale
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Moradores de Córrego do Feijão enterram vítimas e buscam por parentes

Matéria publicada em 3 de fevereiro de 2019, 18:25 horas

 


Cemitério está sendo ampliado para receber sepultamentos

Corpos de vítimas do rompimento da barragem são enterrados no cemitério do vilarejo de Córrego do Feijão (Foto cemitério: Rafael Calado/TV Brasil)

Brumadinho, MG – Desde 2015, os 400 moradores do Córrego do Feijão, que fica perto de Brumadinho, não viam um enterro de alguém que vivia na pequena comunidade rural. Com o rompimento da barragem da mineradora Vale, são vários todos os dias. A abertura de mais covas é feita às pressas para realização dos sepultamentos no vilarejo, um dos mais atingidos pela tragédia.

Um dos enterros foi o da filha de Alzira Maia. Ela enterrou nesse sábado (2) o corpo da filha Cristina Cruz, que trabalhava na pousada soterrada pela onda de lama de rejeitos. “A minha esperança é que ela podia ter fugido. Não era a hora dela ainda”, conta. “Pelo menos ela teve um enterro digno”, diz. Cristina trabalhava na pousada há mais de dez anos e tinha uma filha e um filho.

Mesmo após o enterro da filha, Alzira continua a ir ao posto de atendimento, montado para dar informações sobre as buscas, resgates e pessoas desaparecidas, em busca de notícias sobre os parentes de amigos e vizinhos.

Assim como o aposentado Wilson Caetano, 64 anos, que fica no local aguardando por informações sobre o filho: o mecânico de manutenção Luiz Paulo Caetano, 31 anos, que prestava serviços para Vale e estava trabalhando no momento que a barragem se rompeu. O aposentado conta que desde o dia 25 de janeiro deixa o local do mesmo jeito: sem nada, sem nenhuma informação. “Eu quero meu filho com vida. Eles não querem entregar nem meu filho morto”, diz.

Wilson Caetano relembra que o filho tomava café na casa dos pais e “brincava com a mãe” antes de sair para o trabalho. O mecânico tinha se casado em novembro do ano passado.

O aposentado relata não ter mais sossego desde a perda do filho. “Ela [Vale] vem e me tira meu filho. Quem vai me devolver ele? Como vou viver o resto da minha vida sem ele?”, desabafa.

* As informações são da Agência Brasil, por Ana Graziela Aguiar

 


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