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ONG dá suporte legal às mulheres que entregam filhos para adoção

Matéria publicada em 9 de março de 2019, 19:00 horas

 


Sul Fluminense – Vícios, pobreza, falta de apoio do companheiro e da família ou, simplesmente, a falta de vontade de se comprometer com o filho que está esperando. Esses são alguns dos fatores que fazem muitas mulheres optarem em não criar e cuidar de recém-nascidos, entregando-os para adoção logo após o nascimento. Embora uma atitude muito questionada pela sociedade, o fato é que a mulher que faz essa opção não está cometendo nenhum crime e, inclusive, pode até ter o aparato jurídico para tomar a decisão.

Pensando em mulheres nessas condições, a ONG GAABM (Grupo de Apoio à Adoção de Barra Mansa) oferece suporte legal para mulheres que vivem esse drama. Conforme explica a coordenadora do grupo, Marcília Arantes, o objetivo é orientar e acolher as mulheres para que elas tenham consciência de como é importante, mesmo diante de uma decisão tão difícil, agir conforme a lei determina.

– O compromisso da ONG é a adoção legal. As mulheres precisam saber que, ao optar em entregar um filho recém-nascido para adoção, elas não estão cometendo nenhum tipo de crime. Esse é um direito que consta no artigo 13 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e precisamos conscientizar essas adolescentes e mulheres. Imaginamos o quão difícil seja entregar um filho. Por isso, nos sensibilizamos com a situação, mas entendemos que é melhor, numa situação de risco para a criança, elas optarem em entregar para a adoção e futuramente para uma pessoa ou casal preparado para adotar. Crime é abandonar um ser tão inocente – disse a coordenadora, ao ressaltar que é importante frisar que a mulher que abandona o filho pode pegar de seis meses a um ano de reclusão.

Conforme explica Marcília, depois do primeiro contato com a genitora, o GAABM encaminha o caso à Vara da Infância e Juventude da cidade, onde o processo passa a correr de forma legal. A iniciativa, segundo ela, pode evitar muitos casos como o do recém-nascido que, no final do mês passado, foi encontrado dentro de uma caixa de sapato no bairro Vila Mury, em Volta Redonda. A mulher que abandonou a criança foi localizada e indiciada por abandono de incapaz pelo delegado adjunto da 93ª DP (Volta Redonda), Rodolfo Atala. Em depoimento, ela confessou que abandonou o filho, após o trabalho de parto e relatou ainda que estava sobre o efeito de álcool e cocaína quando a criança nasceu.

– Se as mulheres tiverem informação e consciência de que se optarem em entregar para adoção não estão cometendo crime, casos como esses podem ser evitados. As pessoas precisam saber que a entrega de um filho a adoção é um ato de amor, de coerência. Antes a criança estar em um lar seguro,sendo amada, do que abandona em uma caixa de sapato sob risco de vida – comparou a coordenadora, ao informar que, segundo o cartório da Vara de Infância, a pena para quem abandona a criança varia em relação as consequências que o abandono pode causar e o estado da mãe

Decidida a entregar o filho

Uma mulher de 29 anos moradora de Barra Mansa, que preferiu não se identificar, está recebendo apoio da ONG GAABM e da Vara de Infância do município, após ter decidido entregar o filho que espera, para adoção. Ela, que já tem dois meninos, está grávida de oito meses e conta que não viu outra solução para garantir um futuro melhor para o bebê.

-No momento vi que é o melhor a ser feito. A criança não tem culpa de certas irresponsabilidades, merece vir a este mundo com tudo de melhor e, infelizmente, só amor não é o suficiente. Estou desempregada, sem apoio do pai e dos familiares e não terei condições de dar tudo que ela merece – ressaltou a gestante.
Embora afirme que foi uma decisão muito difícil, ela diz que somente nessa fase final da gestação, após ter a certeza de que será o melhor para a criação e futuro do bebê, teve a coragem de procurar as pessoas que a estão ajudando em todo processo.

– Estou recebendo todo o suporte e posso dizer que eles são meus anjos da guarda. Estava com uma crise de depressão muito forte, me sentindo muito sozinha em relação à minha decisão, e lá na ONG fui abraçada de uma forma que tenho certeza: se todas as mulheres que estão passando pela mesma situação tivessem o carinho, atenção e recolhimento que estou tendo pelo grupo jamais abandonariam seus filhos e, sim o entregariam de forma legal. O grupo está sendo minha base e serei grata eternamente – disse.

Ao reconhecer que falhou, em não ter usado o meios de prevenção, principalmente a camisinha, a jovem faz um desabado e diz ter se arrependido de ter confiado no pai da criança. Com isso, ela aproveitou a oportunidade para ressaltar a importância do uso do preservativo e de outros métodos anticoncepcionais.

– Não podemos nos deixar envolver por palavras de carinho de momento e nos entregar sem prevenção, pois depois somos nós as julgadas, as que tem arcar com todos os tipos de consequências. ninguém é confiável e se mostra com honestidade em um primeiro momento. Por isso, mulheres, pensem, cuidem do seu corpo é da sua alma. Caso estejam grávidas e sem condições como eu, não sejam egoístas, pensem no melhor pra criança, afinal quando foram enganadas pensaram mais no parceiro do que em vocês, agora não custa nada pensar neste bebê e no que é melhor pra ele – desabafou a gestante.


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2 comentários

  1. Avatar

    Parabens à essa Ong por proporcionar isso às mulheres. Não podemos julgar o que de fato aconteceu para a concepcao do bebe, mas ajudar caso há esse tipo de decisão. Não deve ser fácil, então o melhor é acolher a genitora e amparar. A adoção é um ato de amor, ha vários casais em busca de um filho e esse bebe sera muito amado. Deus abençoe essa mulher e cuide do seu psicológico.

  2. Avatar

    Parabéns ao jornal pela divulgação é muito melhor todos terem conhecimento sobre isso do que deixar a criança na rua e ainda a mãe ser acusada por crime de abandono de incapaz, sendo que poderia ser evitado, pois temos que deixar de ser hipócritas, pelo fato da mãe abandonar legalmente, do que abandoná-lo da forma como vemos nos noticiários o que não dá pra aceitar.

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