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Pacientes ainda sofrem com efeitos colaterais da chikungunya

Matéria publicada em 8 de dezembro de 2019, 09:20 horas

 


Fortes dores, febre e mal-estar estão entre os sintomas de quem contraiu a doença há quase seis meses

Mosquito Aedes Aegypti é o transmissor da dengue, zika e chikungunya
(Foto: Arquivo)

Barra Mansa– Desde o mês de junho a esteticista Ana Paula Costa, de 35 anos, está com a matrícula trancada na academia e, também nesse período, precisou reduzir em quase 40% sua clientela. O motivo está associado ao fato de ter contraído a chikungunya, ainda no primeiro semestre. Mesmo passado alguns meses, ela ainda sofre com os efeitos em longo prazo da doença, que assim como a dengue e a zika são transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Conforme conta Ana Paula, além de muitas dores nas articulações, é muito comum ela estar bem em um dia e, no outro, acordar com febre e mal-estar que, segundo médicos, ainda são efeitos da doença.
– É uma sensação muito ruim. Tem dias em que estou bem e outros em que estou péssima. Acordo passando muito mal, febril, com dores nas articulações e muito mal-estar. Fui obrigada a trancar a matrícula na academia porque não estava aguentando fazer nenhum exercício. Também diminui meu ritmo de trabalho porque, como ele é manual, estava sendo muito prejudicado pelas dores – contou a esteticista, que toma anti-inflamatórios para controlar as dores mais intensas.
A comerciante Daniela Cristiane Oliveira, de 36 anos, é outra que também ainda sente os efeitos da chikungunya, após ter contraído a doença em maio deste ano. Segundo ela, as dores nas articulações e febres repentinas se tornaram comuns a sua rotina, após a doença que, conforme classifica “é devastadora”.
– Se não bastasse o que passei e sofri os seis dias em que fiquei de cama, sem conseguir me mexer direito, quando descobri a doença, ela ainda me deixou esses efeitos colaterais que parecem não ter fim. Tem dias em que estou na minha loja e preciso ir embora para casa deitar, porque não consigo suportar as dores e o mal-estar. Embora não tenha ficado com nenhuma sequela grave, eu espero que esses sintomas pós-doença desapareçam – ressalta a comerciante.
A manicure Marlene Dias, de 59 anos, constantemente também sente os efeitos da doença e alerta sobre a importância das pessoas evitarem a proliferação do Aedes Aegypti. Segundo ela, com a aproximação do período de chuvas, é importante que a população cuide de seu quintal e evite deixar água parada, principalmente em ambientes onde têm crianças.
– Se eu, com quase 60 anos, não suportei as dores dessa doença, imagina uma criança? Antes da chikungunya eu já tinha problemas nas articulações, principalmente pelo fato de trabalhar muito tempo sentada, mas a situação piorou muito depois que tive a doença. Hoje eu vivo e trabalho a base de medicamentos para dor e, tem dias, em que fico muito mal, com febre que vai e volta, enjoo e mal-estar. Infelizmente, tudo isso, por causa de um pequeno mosquito. O verão está chegando e temos que combater, ao máximo, o mosquito que transmite essa doença – enfatizou Marlene.
Fases da chikungunya
Conforme afirma a médica Jéssica Oliveira, o vírus chikungunya pode, sim, provocar complicações a longo prazo. Isso porque a doença possui três fases, sendo o primeiro que dura cerca de 14 dias, quando o paciente é acometido com febre, dores na articulação e manchas no corpo. Ao passar por essa fase o paciente entra no estágio subagudo, que pode se prolongar por três meses e depois entra na fase crônica, que geralmente atinge 30% dos pacientes que têm a doença.
-A chikungunya é diferente da Dengue e ela deixa sequelas nos pacientes que podem não ter prazo para acabar. A doença tem potencial para gerar uma inflamação persistente nas articulações, principalmente nas mãos e nos pés e, geralmente, essas são as principais queixas de quem já teve a doença, mesmo após ter passado um tempo considerável – observou a médica.
Prevenção e controle do Aedes
Por meio de nota, a Prefeitura de Barra Mansa, através da Coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental, informou que de janeiro até o momento, foram registrados 72 casos de chikungunya confirmados, sendo que 105 ainda aguardam aguardando.
O órgão ainda citou que as medidas para prevenção e controle da proliferação do Aedes Aegypti estão sendo intensificadas com as visitas domiciliares feitas pelos agentes de combate as endemias e, também, através de palestras sobre o tema, nas associações de moradores, igrejas e escolas das comunidades.
Os profissionais também receberam orientação para estimular a população a realizar vistorias em seus próprios quintais e eliminarem quaisquer indícios de criadouros do mosquito, tais como recipientes que favoreçam o acúmulo de água parada.
O último LIRAA (Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti) realizado no município indicou o índice de 0.6 (baixo risco).

Por Roze Martins 


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