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Pedofilia é considerada doença por especialistas

Matéria publicada em 18 de outubro de 2015, 09:30 horas

 


Psicóloga e psiquiatra explicam que comportamento de pedófilo é transtorno de personalidade

Barra Mansa – Nesta semana a prisão de um homem suspeito de pedofilia, em Barra Mansa, chamou a atenção das pessoas da região e trouxe à tona alguns questionamentos, entre eles como agem os pedófilos e até onde vai a liberdade das crianças na internet. Segundo profissionais da área médica, a pedofilia é considerada uma doença mental e um transtorno de personalidade.
Pelo Código Internacional de Doenças – CID10-, a pedofilia é classificada como transtorno de personalidade e comportamento adulto, e é entendida pela preferência sexual por crianças, seja menino ou menina, pré-púberes ou no início da puberdade.
O psiquiatra Alexandre Rizkalla afirmou que a pedofilia é uma doença grave e sem cura.
– A pedofilia é um transtorno da preferência sexual, ou parafilia, juntamente com outras mais graves como o sadomasoquismo, o voyeurismo, o exibicionismo, entre outros. Os pedófilos são geralmente aquelas pessoas de baixa autoestima, com dificuldades de relacionamento, tímidos e consumidores de pornografia. Este impulso gera sofrimento e logo existe uma forma prejudicial no trabalho e na vida pessoal – explicou o profissional.
Já a psicóloga Aline Steell lembrou que alguns casos de pedofilia são cometidos por adultos que sofreram algum tipo de abuso na infância e acabaram desenvolvendo a doença. Segundo ela, muitos podem até mesmo levar uma vida normal e manter uma imagem perante a sociedade, casando e até tendo filhos, mas o desejo e a atração sexual por crianças e adolescente continua presente.
– Os pedófilos são naturalmente mais apegados às crianças e aos adolescentes. São pessoas que sabem criar vínculos de confiança. Além de sentir muita atração sexual, alguns dos pedófilos sentem culpa de possuir esta atração. Outros não. É difícil generalizar, pois cada caso é diferente. Grande parte deles pode haver sofrido abusos sexuais na infância e acabaram repetindo o ato – explicou.
Em relação à abordagem dos pedófilos com as crianças e adolescentes, a psicóloga acrescentou que os adultos geralmente têm a sua própria linguagem para se comunicar com as vítimas.

Tratamento

De acordo com Rizkalla, a pedofilia é uma doença que não tem cura, mas pode ser tratada e deve ser acompanhada por diversos profissionais – psicólogos e psiquiatras.
– Existe o controle. Através de medicações e psicoterapias. O tratamento é multiprofissional. É necessário procurar um profissional o mais rápido possível, pois não saber da existência da doença é bem complicado, pois pode aumentar o sofrimento psíquico. O importante nesses casos é o acolhimento pelos profissionais – afirmou o psiquiatra.
Para a psicóloga Aline, ter uma boa relação com os filhos, procurar o diálogo e exercitar a conversa em família, são algumas práticas que aproximam pais e filhos e evitam que as crianças fiquem vulneráveis e expostas a esse tipo de risco na internet, por exemplo.
– Com a vida corrida que temos, e com o avanço tecnológico, as famílias têm se afastado. Mas é muito importante reservar um tempo para almoçar com os filhos, fazer um piquenique na praça, e assim construir um elo de confiança entre pais e filhos. Durante as conversas é bom mostrar valores, contando suas próprias experiências da adolescência – comentou Aline.
A especialista ainda listou algumas práticas que podem funcionar na internet e que podem evitar das crianças serem alvos de pedófilos. Uma delas é monitorar o que eles fazem na rede.
– Monitorar não significa ter controle, mas estar de olho no que está acontecendo. O controle é radical, pois pode acabar sufocando o adolescente e o afastando. Os pais têm que observar o comportamento dos filhos na internet, pois através das postagens nas redes sociais, é possível traçar o perfil de comportamento do adolescente. Do que ele gosta, onde frequenta, com quais pessoas sai, entre outras coisas. Isso pode ser a “deixa” para o pedófilo se aproximar mais fácil, portanto é preciso ter cautela com a amizade de estranhos na internet – orientou a psicóloga.
Em caso de suspeita de que uma criança ou adolescente está sendo aliciada ou sofrendo algum tipo de violência ou assédio, a pessoa deve ligar para o Disque Direitos Humanos (Disque 100), ou denunciar na delegacia de polícia. Se a vítima tiver sofrido algum abuso, seja ele psicológico ou sexual, o recomendado é procurar um profissional para realizar um tratamento e acompanhamento.

Entenda o caso

Policiais militares de Barra Mansa prenderam na última segunda-feira (12), Dia das Crianças, Sidnei Neves de Carvalho, de 49 anos, suspeito de aliciar uma menina de 11 anos. Ele foi preso depois de marcar um encontro com a garota, na Praça da Liberdade, no Centro de Barra Mansa. O que ele não esperava é que no lugar da criança, o pai dela, um homem de 38 anos, comparecesse ao encontro. Antes de ir até o local, ele acionou a Polícia Militar.
O pai da criança e o suspeito entraram em luta corporal e precisaram ser contidos por policiais militares. Os dois ficaram feridos e foram levados para a Santa Casa de Barra Mansa. O suspeito de pedofilia teve traumatismo craniano, enquanto o pai da menina quebrou uma das mãos.
O acusado foi autuado pelo delegado adjunto da 90ª DP (Barra Mansa), Alcidézio Bispo Júnior, em flagrante no artigo 214 do Estatuto da Criança e Adolescente.
Um tio da menina contou ao DIÁRIO DO VALE que quando o suspeito adicionou sua sobrinha no Facebook, imediatamente ela avisou o pai que passou a conversar com o suspeito como se fosse a garota e marcou o encontro.
Na quarta-feira, uma pessoa ligada à família do suspeito entrou em contato com o DIÁRIO DO VALE e disse que os familiares de Sidnei estão sofrendo represálias e pressão psicológica desde a prisão e divulgação do caso envolvendo ele.
Segundo a mulher, que preferiu não se identificar, Sidnei teria falado com a criança sem saber que se tratava de uma menor de idade, mesmo porque, segundo a mulher, no perfil da rede social aparece que a garota é de 1993, ou seja, teria 22 anos. A mulher ainda disse que o pai da menina teria induzido o suspeito a marcar o encontro.
– Quando ele marcou o encontro, a polícia nem estava no local. O pai passou na frente dos policiais, partiu para cima dele (Sidnei) e o agrediu. A mãe da menina ainda gritou e mais pessoas o agrediram. Ele foi linchado e está internado em estado grave no CTI (Centro de Tratamento Intensivo). Nós, inclusive, tivemos acesso a essas gravações, que mostram ele sendo linchado, e já estão com a polícia – disse.
Ao ser questionada sobre a conduta de Sidnei, a mulher garantiu que ele nunca teve uma atitude para suspeitar.
– Ele é tranquilo, trabalhador, pai de família. Desde a divulgação do caso os familiares estão sofrendo, mas também recebendo o apoio daqueles que conhecem e sabem da conduta dele – afirmou.

Por Melissa Carísio e Franciele Bueno
melissa@diariodovale.com.br
franciele.bueno@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    NÃO TEM CURA PARA O HOMEM ;MAS PRA JESUS TEM CURA PORQUE ELE É UM DEUS DO IMPOSSÍVEL.
    E LEMBRADO ISSO PRA JESUS NÃO É NADA;MAS O PRINCIPAL DE TUDO A PESSOA TEM QUE QUERER SER CURADO(A),

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