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Quaresma aquece venda de peixes na região

Matéria publicada em 19 de fevereiro de 2015, 18:45 horas

 


Expectativa de comerciantes é que crescimento, em relação aos outros meses do ano, gire em torno de 50% a 70%

Lucro: Donos de peixarias já sentem um aumento na procura por peixes desde a última quarta-feira (Foto: Thais Fraga)

Lucro: Donos de peixarias já sentem um aumento na procura por peixes desde a última quarta-feira (Foto: Thais Fraga)

 

 

 

 

 

 

 

Thaís Fraga
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Barra Mansa e Volta Redonda

Devido ao início da Quaresma, na última quarta-feira, a venda de peixes já começou a aumentar na região. De acordo com o Sicomércio (Sindicato do Comércio Varejista) de Barra Mansa, por exemplo, neste período a venda de peixes aumenta em torno de 70% em relação aos outros meses do ano. E a expectativa ainda, é de que haja um aumento de 6% nas vendas em relação ao ano passado.
– Além de peixe, durante a Quaresma aumenta também o consumo de outros produtos, como amendoim, canjica e ovos para a tradicional bacalhoada – comentou o presidente do Sicomércio-BM, Alberto dos Santos Pinto.
Em Volta Redonda, a venda de peixes também cresceu desde a última quarta-feira. De acordo com alguns comerciantes, a venda subiu cerca de 30% em relação aos dias normais e tende a aumentar até 50% durante todo o período da Quaresma. O gerente de uma peixaria no bairro São Geraldo, José Edgar Tanajura, afirmou que as vendas na Quarta de Cinzas foi exorbitante.
– Nós abrimos a peixaria de 9h às 18h e vendemos bem mais que o habitual. A expectativa é de que aumente mais até abril, todo ano é assim. Essa peixaria vende bem, mas nesse período o lucro é sempre maior – garantiu o gerente.
O dono de uma peixaria no bairro Aterrado, Leonardo Lira, também confirmou o aumento nas vendas. Segundo ele, os peixes mais vendidos são: sardinha, xerelete, corvina e pescada.
– Estamos vendendo 50% a mais do que o normal. Esse aumento costuma permanecer até o final da Semana Santa – comentou o comerciante.

Época boa para comprar peixes

Além da tradição religiosa, a Quaresma cai em uma época em que muitas espécies estão fora do período de defeso – quando a pesca de determinado tipo de peixe fica vetada ou controlada pelos órgãos de defesa ambiental. A proibição tem como objetivo a reprodução e a consequente preservação das espécies. O reflexo disso para o consumidor é: maior variedade de peixes e menor preço.
O gerente da peixaria no São Geraldo, José Edgar, contou que a sardinha esteve no período de defeso durante três meses e que a pesca foi liberada exatamente nesta semana. Logo o preço abaixou e a venda disparou.
– Desde novembro não estava tendo. E a sardinha é o carro chefe da pesca. Às vezes pela falta dela não pode pegar outros tipos de peixe. Liberando ela, a quantidade de peixe aumenta – explicou, lembrando que o camarão deve ser o próximo a entrar no período de defeso.

Cuidados na hora de comprar

Para escolher bons peixes é preciso tomar alguns cuidados na hora de comprar. Especialistas recomendam que é necessário saber se a carne do animal está fresca. As escamas e a carne devem estar bem firmes, os olhos saltados para fora e as guelras vermelhas. No supermercado, eles precisam estar sempre imersos em gelo e em boas condições de higiene. Apenas o bacalhau é comprado salgado.
– Além de pesquisar, o consumidor deve se orientar antes de efetuar suas compras – disse presidente do Sicomércio-BM.

Saiba o que é a Quaresma

A Quaresma é o período que antecede a Páscoa, e é celebrado por algumas igrejas cristãs, dentre as quais está a Católica. Durante a quarentena que precedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos dedicam-se à reflexão, a conversão espiritual e se recolhem em oração e penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz.
Os serviços religiosos desse tempo tem a intenção de preparar a comunidade de fiéis para a celebração da festa pascal, que comemora a ressurreição e a vitória de Cristo depois dos seus sofrimentos e morte, conforme narrados nos Evangelhos. Esta preparação é feita através de jejum, abstinência de carne, mortificações, caridade e orações.
Na Igreja Católica, o tempo da Quaresma decorre desde a Quarta-feira de Cinzas até a missa vespertina da Quinta-Feira Santa. E a semana que precede a Páscoa é chamada pela tradição de Semana Santa. A Quinta-feira Santa é a quinta-feira imediatamente anterior à Sexta-feira da Paixão, da Semana Santa. Este dia marca o fim da Quaresma.
A católica Marialva Campos é um exemplo de fiel que mantém a tradição familiar. Ela contou que deixa de comer carne vermelha em respeito ao sofrimento de Jesus.
– Na minha casa ninguém come carne durante todas as sextas-feiras da Quaresma. Além disso, nós vamos à missa todas as quartas e participamos da caminhada da cruz, indo de uma igreja à outra carregando a cruz – afirmou.
Para ela, deixar de comer carne, assim como outras tradições, é uma forma de agradecimento ao sacrifício de Cristo.
– Para nós cristãos, a Quaresma simboliza o tempo em que Jesus começou a sofrer, ele estava se preparando para a sua morte – lembrou.
A aposentada Rita de Cássia também é outra que faz questão de manter a tradição religiosa. Ontem mesmo ela foi a uma peixaria e fez uma compra grande e disse o que faz durante a quarentena para substituir a carne vermelha, que para ela, simboliza o pecado.
– Compro ovos, sardinhas em lata, legumes e verduras. Mesmo sendo muito religiosa eu sempre comi bastante carne vermelha, mas na Quaresma nós sempre procuramos respeitar. Meus pais eram muito católicos, buscavam seguir os mandamentos de Deus. Além de não comer carne, nós fazemos o jejum da palavra, para que não venhamos a ofender ninguém – falou.


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