segunda-feira, 17 de janeiro de 2022 - 21:51 h

TEMPO REAL

 

Capa / Destaque / Região se prepara para combater a dengue

Região se prepara para combater a dengue

Matéria publicada em 27 de setembro de 2015, 09:00 horas

 


Resende foi a cidade com maior número de casos, com 7.347 casos confirmados e sete óbitos

Sul Fluminense –  Com a chegada da Primavera, com previsão de dias quentes e chuvas, as secretarias de Saúde das três maiores cidades da região já estão se preparando no sentido de evitar uma epidemia de dengue. No último LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti) realizado em Resende, Volta Redonda e Barra Mansa o resultado apresentado foi de risco médio de infestação do mosquito.
Resende, por sinal, é cidade da região que teve o maior número de casos confirmados e também de óbitos provocados pela doença até o momento. De janeiro até o dia 9 de setembro foram 7.347 casos confirmados, com sete mortes. Por isso mesmo, as ações de prevenção junto à população já foram intensificadas.
Os vigilantes sanitários do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) têm realizado trabalhos de inspeção nos imóveis do município durante todo o ano, em parceria com os agentes comunitários das unidades de saúde. Durante as visitas, os moradores recebem também orientações sobre as medidas de prevenção à doença. Além disso, dois carros com inseticida UBV (ultra baixo volume) percorrem os bairros do município e realizam as ações de bloqueio, nas residências com notificação de caso suspeito de dengue. Somente neste ano foram feitas 13 mil notificações.
– Neste ano, verificamos que a dengue se espalhou por toda a cidade, não ficou concentrada em uma só região. Os agentes comunitários ainda encontram cerca de 30% das residências fechadas. Na maioria dos casos, ou o morador não está em casa ou não autorizou a entrada das equipes – disse o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses, Rafael Carvalho, ao informar que no último LIRAa Resende obteve o índice de 1,2%, considerado pelo Ministério da Saúde como médio risco.
De acordo com o coordenador, no município são 78 profissionais que realizam diretamente o trabalho de combate à dengue, divididos em ações de bloqueio (UBV) e visitas a pontos estratégicos, como ferro velho, cooperativa de reciclagem e visitas domiciliares. São duas equipes deslocadas para região da Grande Alegria e uma para o Grande Paraíso. Outras três equipes cobrem o restante da cidade. O coordenador do CCZ acredita que o número não é suficiente.
– Se fossem apenas as equipes de visitas domiciliares, a quantidade de profissionais seria o bastante, mas temos mais duas equipes, uma que vistoria pontos estratégicos e outra de ações de bloqueio em residência com notificações de casos suspeitos de dengue, além de funcionários de férias ou de licença – apontou Rafael Carvalho.
Segundo ele, as inspeções de rotinas nos bairros acontecem de dois em dois meses, e o índice de reincidência é muito alto, ou seja, os agentes passam nas residências, encontram larvas, fazem o controle e quando retornam na inspeção seguinte, a situação continua a mesma.
– O trabalho da prefeitura não é totalmente eficaz se não houver a participação da comunidade. Nas visitas, os agentes orientam os moradores e controlam os focos do mosquito transmissor da dengue. Mas os moradores devem realizar constantemente a limpeza de seus quintais e verificar possíveis focos, como vasos de planta, entre outros – reforça o coordenador, ao acrescentar que a Secretaria de Saúde conta também com a diretoria de Educação em Saúde, que realiza palestras em escolas, associações de moradores, empresas e comunidades.

Em Volta Redonda, foco
na ‘campanha dez minutos’

Em volta Redonda, a coordenadora de Vigilância Ambiental, Janaína da Soledad Rodrigues, afirmou que neste ano o município notificou 3.982 casos, sendo 1.173 confirmados e um óbito. Para evitar uma epidemia da doença, o município investe em visitas domiciliares realizadas pelos agentes de endemias e atividades de educação em saúde, visando a adesão da população para a campanha “10 minutos contra a dengue”.
A iniciativa consiste em uma vistoria por parte do morador em sua residência por apenas 10 minutos, 01 vez por semana, de forma a eliminar os possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue.
– Desta forma, podemos quebrar o ciclo de vida do mosquito. Em alguns casos os agentes ainda encontram resistência por parte dos moradores durante as visitas domiciliares. Por isso a importância e sempre ressaltar que o morador deve receber bem o agente e ficar atento às orientações, pois a responsabilidade de manter o ambiente livre de criadouros é do morador através da realização dos 10 minutos – destacou a coordenadora, ao informar que o resultado do último LIRAa na cidade foi de 1,6%, apresentando médio risco de infestação
Conforme explicou Janaína, o município passou recentemente por um processo seletivo de contratação de agentes de endemias e, por isso, está passando por um período de adequação e contratação de novos agentes para atuar no combate à dengue. Paralelo a isso, constantemente a Secretaria de Saúde vem realizando palestras, passeatas e outras atividades em parceria com escolas e outras entidades no sentido de prevenir a proliferação do mosquito.
– Em períodos de maior transmissão a Secretaria Municipal de Saúde realiza reuniões mensais com o comitê de mobilização Social, com a participação das associações de moradores, igrejas e outras entidades de representatividade social no município – acrescentou a coordenadora.
Sobre as áreas da cidade, que tiveram maior número de casos, a coordenadora da Vigilância Ambiental informou que os registros mostram o seguinte: Santo Agostinho, com 253 notificações; Retiro, com 208 casos notificados; Conforto, com 202; seguido pela Ponte Alta, com 186 notificações. Em relação aos casos confirmados por área/bairros com maior número de ocorrências foram: Conforto com 71 registros; Santo Agostinho, com 64 casos; Ponte Alta com 55 casos, seguido pelo bairro Retiro com 54 confirmações da doença.
– Nós realizamos atividades diferenciadas em todas as localidades com altos índices de infestação e com grande número de casos. Mutirões, palestras, passagem de carro UBV (diferenciado que somente pode ser usado segundo critérios rigorosos estabelecidos pelo ministério da saúde). Contudo, mesmo as localidades com menores índices também receberam atividades de prevenção – salientou Janaína.

Em BM, prefeitura dá apoio
às associações de moradores

Em Barra Mansa, onde neste ano foram notificados 1.214 casos de dengue, 823 confirmados e um óbito, a Coordenadoria de Vigilância Ambiental, por meio do Programa Municipal de Combate à Dengue, tem contado com o apoio das associações de moradores.
Conforme explica o coordenador do Programa, Flávio Lopes dos Santos, as equipes estão realizando trabalho de campo continuamente e palestras com as associações. Neste mês o programa já esteve nos bairros Vista Alegre, Goiabal, Nove de Abril e, no próximo dia 23, a palestra acontecerá no Centro.
– Nosso objetivo é buscar cada vez mais parcerias na conscientização, porque controlar a dengue é um dever de todos – ressaltou Santos.
Segundo o coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental, Igor de Freitas Gonçalves, um balanço feito pelo setor apontou que a Região Leste, Ano Bom e Centro foram as localidades responsáveis por 40% dos casos de dengue em Barra Mansa. Nessas áreas, além de intensificar as ações de campo, a equipe do programa também tem feito a utilização de Ultra Baixo Volume (UBV pesado) e mobilização social nos bairros supracitados.
Hoje o Programa Municipal de Controle da Dengue dispõe de 90 agentes, divididos em 10 equipes responsáveis pelas visitas domiciliares, atendendo 80% dos imóveis existentes no município conforme preconização do Ministério da Saúde. No último LIRAa, realizado em maio, o município apresentou índice 1,7, o que também significa médio risco de infestação.
– A Dengue deixou de ser sazonal e, sendo assim, a vigilância deve ser constante, sendo fundamental a participação dos moradores nos dez minutos semanais contra dengue. Buscamos na verdade uma mudança de comportamento e comprometimento de todos para que tenhamos um maior controle deste vetor – disse Gonçalves, ao informar que palestras podem ser agendadas pelo telefone: 3326-2745.

Prevenção: Em Barra Mansa, prefeitura promove campanha educativa durante todo o ano (Foto: Arquivo)

Prevenção: Em Barra Mansa, prefeitura promove campanha educativa durante todo o ano (Foto: Arquivo)

 


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Estado perdulário, municípios falidos, rede de saúde abarrotada, quando vier a Dengue ( e ela virá com força ), será o caos! Quem conseguir um cantinho no corredor do hospital para sentar no chão e ser medicado será um privilegiado!

Untitled Document