segunda-feira, 13 de julho de 2020

TEMPO REAL

 

Capa / Destaque / Salões de beleza sentem impacto da crise

Salões de beleza sentem impacto da crise

Matéria publicada em 6 de setembro de 2015, 08:30 horas

 


Reduzir jornadas e cortar gastos extras são algumas das saídas adotadas por profissionais do setor

Crise: Empresários do ramo afirmam enfrentar o pior período nos negócios nos últimos tempos

Crise: Empresários do ramo afirmam enfrentar o pior período nos negócios nos últimos tempos (Foto: Roze Martins)

Barra Mansa – Praticamente intactos diante das últimas crises econômicas enfrentadas pelo país, os salões de beleza também foram atingidos pelos efeitos da mais recente recessão financeira. Empresários do ramo afirmam enfrentar o pior período nos negócios nos últimos tempos. Para fugir da crise e tentar conseguir manter as contas em dia, o jeito é tomar medidas adotadas com frequência em grandes empresas e no setor industrial em períodos difíceis.
Cortes de despesas e redução da jornada de trabalho de funcionários já são notados em alguns salões, que se valem ainda de promoções para tentar atrair a clientela. Conforme afirma o presidente da Associação Brasileira dos Salões de Beleza (ABSB), José Augusto Ribeiro do Nascimento Santos, o setor não apresentou crescimento nos últimos meses.
Segundo ele, somente o fato dos profissionais estarem buscando uma forma de não deixar o faturamento cair já é algo positivo diante da realidade econômica do país.
É isso que tem feito a cabeleireira Tânia Mara da Cruz Dias, proprietária de um salão localizado no centro de Barra Mansa. Ela, que até pouco tinha uma recepcionista e uma auxiliar de serviços gerais, fixas, hoje optou em contar com as profissionais somente em alguns dias da semana.
– Só conto com o trabalho da recepcionista nas sextas e sábados, porque durante a semana eu mesmo vou quebrando o galho. A auxiliar de serviços gerais virou diarista e só trabalha uma vez na semana – comenta, ao ressaltar que o movimento de clientes sofreu queda tanto para os serviços de cabeleireiro, como também de manicure.
De acordo com Tânia, nesse período de crise o que se observa é que as clientes estão priorizando as despesas com a alimentação, mensalidade do colégio dos filhos e o pagamento em dia pela utilização de serviços como energia, água e telefone.
– As pessoas não estão deixando de se cuidar, mas muitas estão optando em fazer isso em casa mesmo, deixando de lado o gasto com cabeleireiros e manicures – ressaltou a proprietária, ao acrescentar que o reajuste nas contas de água e luz se tornou mais um agravante para os donos de salão.
Quem também confirma a tal tendência é a proprietária de outro salão. Cristina Reis da Silva afirmou que as despesas com água e luz no estabelecimento representam até 10% dos gastos para funcionamento do salão, pois serviços como escovas e hidratação são os mais procurados.
De acordo com ela, nos últimos dois meses sua conta de luz chegou a quase R$ 300,00, enquanto no início do ano não passava de R$ 150.
– Tivemos o fator inverno, que fez com que optássemos em lavar a cabeça das clientes com água quente. O que eu percebi é que o reajuste do governo na conta de energia prejudicou todo mundo. O que tentamos é não repassar isso aos clientes – disse ela.
Para que isso seja possível, Cristina foi outra a adotar algumas medidas severas. Uma delas foi também dispensar a funcionária responsável pela limpeza do salão. Hoje, ela e a sócia se encarregam de fazer o serviço às segundas-feiras, quando o salão não está aberto para as clientes.
– Foi uma forma de eliminar uma despesa e por enquanto não aumentar a nossa tabela de preços – comentou a cabeleireira, que aposta em promoções durante a semana que casam hidratação, escova, pé e mão em preços mais acessíveis.
– Não tem jeito: em tempos de crise oferecer promoções é a melhor saída para atrair a mulherada. Na verdade, a cada dia as mulheres estão mais vaidosas. Estamos sentindo um impacto muito negativo dessa crise, mas não podemos perder a esperança no nosso trabalho que, na verdade, é o que garante o sustento da nossa família – disse.

Dinheiro não circula

Dono de um salão localizado no Centro de Barra Mansa, o cabeleireiro Alexandre Moreno Rocha há quinze anos trabalha no ramo. Ele disse que nos últimos meses observou que “o dinheiro não está circulando”. A queda em seu movimento chega a 35% do normal, antes da crise se alastrar.
– Os clientes fiéis não deixaram de fazer o cabelo, mas muitos deram uma sumida devido a essa crise que o país está enfrentando. Como hoje existem muitas escovas progressivas de qualidade no mercado, muitos estão optando em fazer o procedimento em casa para evitar o gasto com o salão – afirmou o cabeleireiro.
Além de oferecer promoções, ele conta que pra atrair novas clientes tem apostado e investido em produtos diferenciados e novos no mercado. Outra saída foi se render à modernidade. “Essa semana mesmo eu providenciei uma máquina de cartão de crédito. Com o equipamento, eu posso até oferecer a opção de parcelamento do serviço aos clientes”, finalizou Rocha.

 

Por Roze Martins
(Especial para o DIÁRIO DO VALE)


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document