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Vigilância Ambiental alerta sobre prevenção à leishmaniose visceral

Matéria publicada em 16 de fevereiro de 2019, 10:22 horas

 


Barra Mansa – A morte de um menino de apenas três anos por leishmaniose visceral canina, no início deste mês, no Rio de Janeiro chama atenção para um alerta permanente da Vigilância em Saúde Ambiental de Barra Mansa com relação a importância da prevenção e diagnóstico da doença.Como forma de monitorar a leishmaniose, o setor vem realizando com frequência a coleta de sangue em cães para exames, fazendo dessa forma uma triagem em bairros endêmicos e periféricos.

Conforme explicou o coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental, Antônio Marcos Rodrigues, a mostra de sangue é examinada no laboratório do município e, em caso de resultado positivo, o sangue é enviado para uma contraprova no Laboratório Central Noel Nutels (LACEN-RJ). A medida visa conscientizar os moradores sobre a prevenção contra a doença e orientar sobre o tratamento. Atualmente, segundo Antônio Marcos embora o município ainda esteja esperando resultado confirmatória pela LACEN RJ, somente em 2018 cerca de 85 casos da doença foram confirmados.

– A morte desse pequeno, no Rio de Janeiro, é lamentável e, por isso, estamos sempre alertando para a importância da prevenção A leishmaniose é uma doença infecciosa não contagiosa, causada por parasitas. Esta doença afeta, principalmente, os cães que são picados por insetos hematófagos (conhecidos como mosquito palha, cangalhinha e outras denominações) infectados. Assim como nos casos de febre amarela, em que o macaco infectado pelo mosquito anuncia que a doença está pela região, o cão infectado também evidencia a presença do mosquito transmissor na área. Ele também é uma vítima – explicou o coordenador.

Dados do Ministério da Saúde apontam que a leishmaniose visceral é a mais grave forma clínica entre as leishmanioses e, na América do Sul, o cachorro apresenta-se como a principal fonte de infecção em um ciclo que envolve animais e o homem. A doença é transmitida por meio da picada dos insetos já citados acima e as fêmeas infectadas picam cães ou outros animais infectados, e depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi. Sendo assim, os cachorros não transmitem a doença para o homem, sendo apenas reservatórios do parasita.

Sintomas, vacinação e coleira

Segundo o veterinário responsável pela coleta de sangue para exames de leishmaniose, Fernando Franco, o cão infectado pode apresentar diversos sintomas.

– Os mais comuns são as feridas nas extremidades (orelha, focinho), crescimento das unhas, perda de peso, conjuntivite e queda de pelos. Nos órgãos internos, pode ocorrer o crescimento do fígado e demais alterações – disse.
Fernando explicou que não há alternativas para tratar a Leishmaniose Visceral Canina fornecidas por órgãos públicos de saúde, mas o proprietário do animal é orientado para o tratamento particular com medicamento autorizado pelo Ministério da Saúde ou Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Apesar de ser sem cura para o animal, o tratamento inibe o protozoário alojado e impede o desenvolvimento dos sintomas.  Somente se não existir chances no tratamento é que os médicos indicam a eutanásia do animal e, por conta disso, a orientação principal é em relação à prevenção com vacina e coleiras repelentes.

– A vacina contra a leishmaniose visceral canina não é oferecida no serviço público, mas é vendida para imunizar cães sadios. Ela deve ser ministrada no animal com três doses no primeiro ano e depois uma dose anualmente. Existem também as coleiras que repelem o inseto e são mais acessíveis. Ela é muito eficaz, já que também previne carrapatos, pulgas e tratamento de dermatites – explicou o veterinário, ao ressaltar sobre a importância da conscientização dos moradores com a higiene das áreas externas das residências.

– É muito comum que algumas pessoas ainda tenham galinheiros no quintal. As fezes desses animais atraem os insetos e pode contaminar tanto os cães como os humanos. Além disso, a matéria orgânica de árvores frutíferas também atrai esses vetores, por isso é fundamental uma limpeza diária nesses locais – orientou o veterinário.

Ajuda técnica

O serviço de coleta de sangue dos cães para exame de leishmaniose é contínuo e vai permanecer nos bairros do município. Em caso de suspeita da doença, o morador deve solicitar a visita dos técnicos e veterinários pelo telefone (24) 3326-2588 ou através do endereço: Rua Getúlio Borges Rodrigues, n° 210, bairro São Luís.

Tratamento requer dedicação

A professora Sabrina Moreira da Costa, de 34 anos, tem um cachorro diagnosticado com leishmaniose e contou que tratar a doença requer muita dedicação. Ela descobriu o problema há uns três meses, no entanto, inicialmente, a suspeita era de que o animal estivesse com alguma alergia devido ao aspecto da pele, que apresentava muitas caspas.

– Levei no veterinário, que de início não suspeitou da doença, mas sim de uma alergia. As feridas não melhoraram com antialérgico, só deram uma amenizada e, para piorar, ele começou a perder peso de uma forma muito rápida, mesmo se alimentando bem. Cheguei a achar que o remédio não estava fazendo efeito, mas aí a situação foi complicando e as feridas surgindo nas orelhas e no focinho também – recordou a professora, que resolveu procurar outro profissional.

Segundo Sabrina, nesta consulta o que chamou a atenção do veterinário foi o tamanho da unha do animal, que de acordo com ela havia crescido muito, e logo ele suspeitou da leishmaniose, sugerindo que fossem feitos exames de sangue. O exame confirmou a doença e, de acordo com a professora, o veterinário explicou que ela só teria duas saídas: eutanásia ou optar pelo tratamento feito à risca.

– Eu optei em tratar porque queria tentar e ver como ela iria reagir. A eutanásia para mim não era a primeira opção e então fiz tudo o que foi recomendado: comprei a coleira repelente, dei as vacinas e entrei com os medicamentos que ele tem que tomar todos os dias, até o fim da vida dele. Tive um gasto de cerca de R$ 700 com as vacinas, mas hoje ele está saudável e com uma boa aparência. Embora ele seja portador da doença, o veterinário me garantiu que o fato dele estar sendo tratado não me traz riscos. Eu não tinha conhecimento, mas a leishmaniose é uma doença muito severa – finalizou a professora.


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5 comentários

  1. Avatar

    Existe uma epidemia na região. O mosquito não respeita limites geográficos, portanto a atuação dos órgãos de combate aos vetores, epidemiologia e saúde dos municipios do sul fluminense deveriam atuar juntos e com mais eficiência, pois trata-se de uma doença grave e que, se não diagnosticada corretamente, pode ser fatal.

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    vila Brasília esta precisando de ser fiscalizada muito cachorros e gatos abandonados e doentes !!

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      Aproveite para fazer uma campanha de conscientização com a sua vizinhança. Informe a necessidade de castrar os animais domésticos, não somente as fêmeas mas também os machos, vaciná-los regularmente com a vacina contra a raiva e a polivalente também.

      É importante castrar os machos pelos mesmos motivos das fêmeas, mas infelizmente não existe essa cultura. Muitas pessoas deixam os seus animais soltos e nessa hora eles podem emprenhar as fêmeas de rua.

      Os animais abandonados na rua hoje estão nessa situação porque os seus tutores os abandonaram quando filhotes, provavelmente depois de uma cria indesejada, por travessuras em casa, viagens, filhos etc. Nada disso justifica o abandono, pois teoricamente o racional é o tutor e deveria fazer por merecer essa denominação…

      Enfim, animais abandonados é culpa dos humanos e esse mal deve ser tratado na origem.

      Para os que já estão nas ruas hoje, é necessário uma campanha para adoção e tratamento.
      Tenho 8 que recolhi das ruas, todos agora tratados, vermifugados, vacinados e castrados. Mesmo que as pessoas não possam trazê-los para casa, podem levá-los a um veterinário, vaciná-los caso estejam bem e até castrá-los (inclusive os machos).

      Sou muito criticado por tratar de tantos animais, mas costumo aproveitar somente as críticas que possuem algum resquício de inteligenciaria. Até hoje nenhuma.

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    De enorme utilidade pública esta matéria! Parabéns equipe do DV.
    No caso relatado pela professora, o que ja li sobe o tema indica que é controversa a eficácia da vacina apos o contagio do animal. No entanto, existe um medicamento a base de milteforan que inibe a presença do parasita na pele do animal, o que traz mais segurança pros donos, alem de inibir a progressão da doença, proporcionando ao bichincho uma boa sobrevida com mais dignidade

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