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Voluntários vão às ruas ajudar moradores

Matéria publicada em 8 de julho de 2017, 15:00 horas

 


Com recursos próprios, grupos doam alimentos, roupas e distribuem lanches e sopas

Volta Redonda – Os grupos voluntários que atuam em apoio aos moradores de rua aumentam a cada dia na cidade. Embora realizem trabalhos isolados, as agendas de atividades, na maioria das vezes, acontecem em dias alternados. Resultado: quem ganha é a população que vive nas ruas. Os trabalhos também são diferenciados e vão desde a doação de roupas, alimentos a incentivos a higiene pessoal.

Apesar das diferenças os grupos se assemelham em alguns itens: todos são voluntários, utilizam recursos próprios para doações e, geralmente, são compostos por profissionais de diversas áreas. Um dos mais antigos, que atua há pelo menos sete anos, mantém as atividades às quintas-feiras e domingos e conta com cerca de dez pessoas. Eles optaram por distribuir, roupas, cobertores, lanches e chocolate quente durante o inverno. Neste grupo há psicólogo, engenheiro, doutor em física, assistente social, entre outros.

Semanalmente, os voluntários realizam, ainda, atividades de higiene pessoal, com corte de cabelo, barba e limpeza de mãos e pés. O neuropsicólogo Lindolfo Ferreira Neves, que atua nesse grupo, contou que a equipe se diferenciou ainda mais dos outros grupos quando passou a levar rações para animais abandonados, que acompanham moradores de rua.

– A gente via os bichinhos com fome e acabava dando pão para eles, dai resolvemos levar ração para alimentar a enorme quantidade de cachorros, que também moram nas ruas – comentou Lindolfo.

Apesar do contato constante com os moradores de rua, Lindolfo explica que a prioridade do grupo é dar apoio emocional “às pessoas invisíveis aos olhos da sociedade”. Antes da distribuição de alimentos e vestuário, é realizada leitura de um trecho da Bíblia, seguida de oração. Embora evitem entrar na particularidade de cada morador, com o tempo a intimidade com alguns acaba acontecendo.

– Conversamos, mas evitamos questionar, avaliar, ou julgar os motivos de cada um, apenas damos assistência e orientamos sobre dúvidas que alguns acabam tendo – ressaltou o neuropsicólogo.

Solidariedade: Voluntário faz barba durante ação solidária em Volta Redonda (Foto: Enviada por WhatsApp)

Solidariedade: Voluntário faz barba durante ação solidária em Volta Redonda (Foto: Enviada por WhatsApp)

O envolvimento também é inevitável e, de acordo com Lindolfo, há casos que integrantes do grupo abraçam o problema. Um deles foi o de um rapaz que estava desempregado e foi indicado por Lindolfo para trabalhar em uma empresa da região. “Me ligaram e pediram um profissional para determinada função e foi quando lembrei desse rapaz que estava nas ruas por conta do desemprego, e não hesitei em indicá-lo”, completou Lindolfo.

Situação semelhante acontece com integrantes de outro grupo de voluntários. Intitulados “Panelaço do Bem”, o grupo atua há dois anos, atendendo moradores de rua de várias localidades da cidade. O Panelaço do Bem realiza atividades às segundas-feiras, e distribui comida, em marmitex, com arroz, feijão carne e legumes. Em cada ação são distribuídas cerca de 90 a 100 refeições e todo o material usado é fruto de recursos dos próprios voluntários.

– Não temos laços religiosos, nem partidário e também não saímos pedindo apoio, mas as doações se surgirem são bem vindas – comentou uma das integrantes do Panelaço do Bem, a cabeleireira, Lilian Correa, que destina o dia de folga, para preparar as refeições a serem servidas à noite. O Panelaço do Bem, a exemplo, dos demais grupos, também evita entrar na intimidade dos moradores de rua, mas quando isso é possível, a equipe orienta sobre alternativas de moradia, como o abrigo público, no Aterrado.

Segundo Lilian, pelo menos 10 moradores de rua aceitaram esta alternativa e vivem no abrigo municipal. Boa parte dessas pessoas, no entanto, enfrentam dificuldades em se adaptar às regras do local como: tomar banho e cumprir horários. Além do abrigo, quando um morador manifesta do desejo de retornar para casa, eles auxiliam. Mas nem sempre a missão acaba com boas notícias. Um caso recente foi de um rapaz, segundo conta Lilian, chamado Erick que ficou cego e desempregado. A família foi localizada, mas não aceitou o rapaz de volta.

– Além do abandono, as pessoas que vivem nas ruas, podem até, em alguns casos, retornar para suas casas mas não se adaptam a rotina da família e voltam para as ruas”, completou Lilian, lembrando que o grupo também se preocupa em orientar em casos de doenças.

Um caso relatado pela cabeleireira foi de um senhor que estava com feridas na perna e foi levado ao Cais do Aterrado, onde recebeu tratamento e está curado. “São ações simples como deste senhor, onde nos limitamos apenas a leva-lo ao atendimento médico”, concluiu a integrante do Panelaço do Bem.

 

 

Por Lilian Silva

(Especial para o DIÁRIO DO VALE) 


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15 comentários

  1. Avatar

    Parabéns aos voluntários,
    Não liguem e não julguem as críticas, todos temos o livre arbítrio, e colhemos o que fazemos dele, e vocês estão usando da melhor maneira que é a caridade, esse pequeno gesto estão demonstrando um grande ato de amor ao próximo, de humildade, de desapego.
    Fora da caridade não há salvação, amar ao próximo como a ti mesmo.

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    Morador de Volta Redonda

    Discordo desses voluntários. Vocês deveriam cobrar do município e do estado. Esses órgãos são responsáveis por isso. Nós estamos ajudando diretamente pagando nossos impostos. Promovendo esse tipo de ajuda voluntária os órgãos competente ficarão mal acostumados, batendo palmas e rindo dos otários.

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    Ótima a atitude dessas pessoas. Lamentável que os “críticos sentados no sofá” pouco fazem além de seus “textões lacradores”. Nada fazem mas são ótimos para reclamar ou terceirizar a solução, seja pelo Estado ou para que esses voluntários façam como “deve ser feito”.

    Ah se esses jovens que ocupam (invadem) escolas, cagam e vomitam em fotos de políticos no meio da rua, enfiam cruz naquele lugar no meio da rua, que pixam, e etc. fizessem o mesmo que esses voluntários…. Teríamos uma sociedade pouco melhor, com mais ação e atitude. E não um bando de moleques que nunca nem leram um livro para sequer se identificar com uma ideologia e sequer lavam uma louça dentro de casa.

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    Liberdade e Propriedade, as pessoas não são frangos de granja, são diferente umas das outras em todos os sentidos. Abra seus horizontes, a sua mente. O mundo é mais complexo que você imagina, nem tudo é fla x flu.

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    É a noite que esses moradores de rua sentem frio e fome. E sabem onde essas instituições públicas estão: em festinhas, em reuniões e outras baboseiras. EU nunca vi nenhuma dessas instituições na rua. Então se vc nunca foi entregar mantimentos e nem fazer barba ou cortar cabelo, não critique quem faz.
    Sempre voltaço, Voltaço sempre.

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    Aiatolá na Sinagoga

    Parabéns aos voluntários. Excelente atitude de empatia e solidariedade para com o próximo.

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    Lindo atitudes de vocês é nessas peguenas atitudes que iremos mudar essas vidas parabéns aos voluntários.

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    Xarope, em vez de criticar, tira a bunda do sofá e vai ajudar.

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      Liberdade e Propriedade

      Me julgou sem ao menos me conhecer. Meu comentário que você pode julgar, não o fez. Independente do que eu faço, um voluntário que prefere atuar nas ruas é menos 1 atuando nas instituições que abrigam e ressocializam.

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    Parabéns para esse pessoal que trabalha nesse grupo. Ajudar a amenizar o sofrimento desses coitados que não tem si quer um cobertor. Já ouvi muita gente criticando, mas trabalhando tem poucos.

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    Liberdade e Propriedade

    Gastem suas energias, tempo e dinheiro, com instituições de abrigo ou ressocialização, afim de que a pessoa saia da rua. Dar roupas, sopa e higiene, diretamente na rua, é um erro, se todos que fazem isso, concentrassem nas instituições teríamos muito menos ou nenhum morador de rua.

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      Comentário lamentável e ridículo. Auxiliar seres humanos é erro? Por quê?

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      Liberdade e Prosperidade, estou de acordo com você e digo mais, poucos querem ser ajudados, a maioria prefere a vida nas ruas…

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      Concordo integralmente. Esse tipo de conduta esconde na verdade um narcisismo daqueles pseudônimo bem feitores.
      O que eles desejam no íntimo não é ajudar o próximo, mas sim de sentirem melhor na hora de dormir nos seus confortavel lar.
      Rua não é lugar de morar, de realizar necessidades fisiológicas, tampouco de fazer sexo e usar drogas ilícitas como fazem esses moradores de rua.

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