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As bobagens mais recentes

Matéria publicada em 15 de setembro de 2019, 05:26 horas

 


Intolerância e radicalismo fazem esquerda e direita produzirem bobagem atrás de bobagem, dificultando a vida dos humoristas

O imortal Stanislaw Ponte Preta – pseudônimo do jornalista Sérgio Porto – falava, lá pelos anos 60, do “festival de besteira que assola o país”, que ele apelidou de Febeapá, e virou uma série de três livros. Pena que Porto esteja morto há mais de 50 anos, porque ele teria material para mais uns trinta febeapás com as bobagens que esquerda e direita andam falando e fazendo, movidas pela cegueira que o confronto ideológico vem promovendo.
O colunista, no exercício de seu sagrado direito de zoar com a cara de gregos e troianos, reúne neste domingo algumas das maiores bobagens que ouviu recentemente, mostrando que nem a direita nem a esquerda detêm o monopólio da estupidez.
Mas quem vive de fazer humor está reclamando da invasão de seu espaço de trabalho. Tem artista de stand-up reclamando que o público, em vez de ir ao teatro, prefere assistir aos telejornais. “E não é porque sai mais barato, não. Eles dizem que é mais engraçado”.
Por uma questão de isonomia serão apresentadas duas bobagens da esquerda e duas da direita, mas o leitor que quiser poderá pesquisar. Bobagem é que não falta neste país.

Cicuta

Recentemente, na esteira dos incêndios florestais na Amazônia, um grupo de entidades resolveu promover um ato, em pleno dia 7 de setembro, para dizer que “A Cicuta é a nossa Amazônia”. Logo a Floresta da Cicuta, que pertence à CSN e onde só se entra com permissão da empresa – e por isso mesmo não registra nem um foguinho há muitos anos.
O grupo que organizou o protesto é o mesmo que vive reclamando que a CSN não abre a Cicuta “para a população”, esquecendo que a área está bem preservada e livre de incêndios justamente porque está fechada ao público.
Se estivesse aberta, com gente indo lá fazer piquenique, nadar na cachoeira, comer churrasco e beber cerveja, podem ter certeza de que vários incêndios teriam ocorrido.

CPMF

O governo falou em apresentar uma proposta de imposto sobre operações com cartões de débito e crédito – muito parecido com a extinta CPMF. O PT, em texto publicado nesta quinta, dia 11, em sua página, disse que “Entre os economistas, é quase consensual os prejuízos de um imposto sobre transações financeiras (ITF). Especialistas da área apontam que a taxa estimula transações em dinheiro vivo e a desintermediação financeira, reduzindo a eficiência e produtividade da economia”.
Legal.
Só se esqueceram de que a ex-presidente Dilma Rousseff, antes de sofrer impeachment (ou de “ser derrubada por um golpe parlamentar”, segundo eles) , propôs a mesma coisa. Em 20 de fevereiro de 2016, saía o seguinte no mesmo site do PT: “Em meio a um esforço para reequilibrar as contas públicas, a presidenta Dilma Rousseff enviou ao Congresso Nacional, em setembro de 2015, uma proposta de emenda à Constituição para implementar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)… … O objetivo da contribuição é reequilibrar as contas da Previdência Social”.
E pra piorar, depois que houve todo esse furdunço, o presidente, da cama onde se recupera de uma cirurgia, demitiu o secretário da Receita Federal e garantiu que nunca foi a favor da CPMF.

Democracia

No outro lado da história, ninguém menos do que um filho do presidente – neste caso, o conhecido como “Carluxo” – posta no Twitter que a transformação que o Brasil quer não acontecerá “na velocidade que queremos” por vias democráticas.
Preferimos ir devagar, então, tá OK?
Felizmente, a direita que raciocina respondeu através do vice-presidente Hamilton Mourão, afirmando, durante entrevista, que “a democracia é fundamental” e deixando claro que considera natural negociar com o Congresso Nacional para aprovar reformas.

Censura

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que aparentemente não sabe a diferença entre um gibi e uma graphic novel (os primeiros são baratos, grampeados no estilo canoa e vendidos principalmente em bancas de jornal, enquanto os outros são caros, encadernados e vendidos em livraria), se mostrou revoltado com um livro da Salvat Editora que apresenta uma relação entre dois super-heróis gays.
Tentou mandar fiscais de postura à Bienal do Livro para apreender as obras, levou um “pito” do STF e acabou se tornando um dos maiores vendedores da Salvat, sem receber um centavo de comissão por isso: o livro que ele tentou censurar acabou na Bienal e esgotou também nos canais de venda online.
E o mais interessante é que agora a Turma da Mônica terá uma personagem lésbica. Claro que ela não vai fazer parte das histórias onde o Cebolinha apanha da Mônica por dar nós nas orelhas do Sansão. Ela integra um “núcleo” (para usar um termo da dramaturgia televisiva) adulto, com personagens na faixa dos vinte e poucos anos. Criança não lê isso.


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5 comentários

  1. Avatar

    Verdade. E outra; onde q brasileiro tem ideologia ? Há sim , revoltinha seletiva, virou modinha o falso puritanismo, maior parte só olha p o seu umbigo;, seja ele rico ou pobre, a enorme maioria só quer se dar bem, esse papinho de esquerda ou direita é modinha de redes sociais, de elementos q ficam atrás de um monitor disseminando ódio e discórdia como alguns artigos publicados nesse jornal.

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    Na minha modesta opinião esquerda e direita não existe no Brasil. O que realmente temos é um BANDO lá em Brasília com pouquíssimas excessões.A grande maioria quer mesmo é desfrutar das benesses de ser político.Só.os um bando de otários pagando altíssimos impostos para sustentar esse caras.

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    A idiotice no nosso país é absolutamente democrática.

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    Quase sempre as bobagens do governo e da família presidencial são “cortina de fumaça” para evitar o debate sobre problemas mais sérios.
    E sempre a oposição fala para fazerem ou deixarem de fazer coisas que não faz quando vira situação, seja qual for a ideologia política.
    Já a CPMF tem opositores honestos, de pessoas que não aguentam mais um imposto e tem os que, por motivos inconfessáveis não querem mesmo que fosse o único imposto e de 0,1%¨apenas, pois fica ainda mais fácil o “Leão” farejar os rastros de quem não explica direitinho suas rendas.

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    Na parte da esquerda o colunista foi excelente. Mas na parte da direita acho que ele tropeçou que nem um bêbado. Falou coisa com coisa.

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