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Empregos, mutirões e críticas

Matéria publicada em 5 de maio de 2019, 05:57 horas

 


Prática do ‘bilhetinho’ de recomendação é substituída com vantagem pelo acesso democrático a oportunidades

Volta Redonda passa por um momento diferenciado no que diz respeito à geração de emprego. Nos últimos 12 meses, o número de postos de trabalho cresceu 4,05%, enquanto no Estado do Rio como um todo a variação foi de 0,21%, de acordo com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). A cidade ampliou o número de postos de trabalho em 2.652 nos últimos 12 meses e é, em termos absolutos, a que mais teve novos carimbos em carteira de trabalho nesse período, em todo o Estado do Rio.
Sem dúvida, é uma boa notícia, mas a questão deixa de ser apenas numérica quando a pessoa desempregada não é um número numa planilha, mas alguém próximo. E conseguir um emprego está longe de ser apenas uma questão de a economia estar num bom momento. É preciso estar qualificado e saber onde se encontram as vagas, além de estar disposto a passar pelo processo seletivo.
Nesse sentido, o Mutirão do Emprego, que a Prefeitura de Volta Redonda promoveu no dia 1º de maio, com direito a extensão no dia 2, é uma boa iniciativa, que ofereceu 2.300 vagas, aproximando os candidatos do empregadores de uma forma que não é possível fazer na intermediação ofertada pelo Sine (Sistema Nacional de Emprego).
O grande número de interessados era de se esperar. Primeiro, porque o mutirão foi feito em um feriado, o que permitiu que pessoas que já estão empregadas, mas querem uma melhor colocação, se utilizassem do serviço. Depois, porque vieram pessoas de outras cidades em busca das oportunidades, o que era de se esperar e não poderia ser impedido, até por ser ilegal.
As queixas feitas nas redes sociais por diversas pessoas são normais.

Colocar o candidato a emprego ‘na cara do gol’ foi a grande vantagem do mutirão
(Foto: Secom PMVR)

Fila

Primeiro, porque a ansiedade por uma vaga levou milhares de candidatos a se aglomerarem em uma fila desnecessária. Isso é reflexo de uma atitude tipicamente brasileira: basta comparar com as filas enormes que se formam em bancos, antes da hora de abrir, nos dias de pagamento de aposentadorias, quando as pessoas poderiam ir tranquilamente em outros horários e serem atendidas sem fila.

As pessoas que não conseguiram emprego

A queixa de algumas pessoas de que não conseguiram o emprego desejado tem resposta simples: havia muito mais candidatos do que vagas, o que costuma ocorrer em qualquer tipo de seleção para empregos.
Vão conseguir a colocação aqueles que se adequarem melhor aos parâmetros das empresas. Para quem não conseguiu, fica a expectativa de conseguir em uma próxima oportunidade, até porque, mesmo que essas 2.300 vagas sejam preenchidas, outras devem surgir, já que a cidade passa por um momento positivo.

A briga política

Não é o traço mais atraente da atividade política, mas é certo que a frase “os amigos não têm defeito e os inimigos, se não tiverem, a gente põe” é amplamente praticada nesse meio.
Adversários políticos do atual governo ocuparam todos os espaços possíveis para atacar a iniciativa. Estão no papel deles.

A suposta atitude ‘eleitoreira’

Uma crítica que pode ser considerada injusta, mesmo levando em conta que se trata de adversários políticos, é que o prefeito estaria “fazendo política” com a medida.
Nesse sentido, qualquer coisa que beneficie a população pode ser considerada “fazer política”. Melhorou as escolas? “Está de olho nos votos dos pais e dos alunos”. Melhorou a saúde? “Quer ganhar voto à custa das pessoas que usam o os hospitais, pronto socorros e postos de saúde”. Atraiu empresas? “Quer os votos das pessoas que conseguiram emprego”
Na verdade, é o oposto: qualquer medida que beneficie a população tem potencial para ampliar a popularidade do governante entre os beneficiados. Por isso, governos que conseguem cumprir suas metas tendem a ser bem-sucedidos também no campo eleitoral.

Conclusão

Empregos estão entre as maiores preocupações da população, ao ponto de estar havendo “romarias” de desempregados a gabinetes de políticos, com o objetivo de conseguir uma recomendação para alguma vaga.
A forma mais fácil de qualquer político conseguir votos cativos dos desempregados é atender a esses pedidos, o que, na prática, é usar de influência para deixar alguém em vantagem numa seleção.
A forma correta é dar a todos os interessados, da forma mais democrática possível, o acesso às vagas existentes, para que as empresas as preencham de acordo com suas necessidades. Isso foi o que se fez em Volta Redonda.


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3 comentários

  1. Avatar

    Perfeito! Nem um só porém a ser feito com relação ao que foi dito… Samuca será reeleito se trouxer 50% das empresas que prometeu, esse será o mais tangível legado gerado durante seu mandato…

  2. Avatar

    Recentemente Porto Real e VR promoveram concurso público atraindo mais de 9 mil e mais 10 mil candidatos, respectivamente, incluindo candidatos de outras cidades. Com um simples cruzamento de nomes é possível constatar que centenas de candidatos concorreram nos dois concursos.

    Considerando que milhares dos concurseiros tbm foram, a pergunta que fica é onde estavam esses mais de 30 mil candidatos que foram na Ilha São João?

    Será que eles não estavam preparados para os concursos públicos? Como pode agora eles estarem preparados para essas vagas?

  3. Avatar

    Continuo achando politicagem, mais por atraírem os mais de 40 mil candidatos para essas poucas vagas. Eu aplaudiriam se o anúncio fosse para candidatos inscritos nos CRAS da cidade, o que não atrairiam candidatos de fora da cidade. Tomara muitos deles não fincaram tendas pelos morros da cidade por conta disso para terem esperança de outras oportunidades.

    As empresas que estão oferecendo essas 2300 vagas, se é que existem, o que não acredito, podia oferecer através da internet recebendo os currículos sem qualquer fila. Uma modalidade moderna e prática, que ainda pode selecionar naturalmente, minimamente, os capacitados em informática.

    Eu não acredito pq é vinda do prefeito de VR e outra são os mais de 800 servidores no atendimento. Onde estavam os representantes das empresas, se é que elas existem mesmo?)

    Ainda existem muitos usuários que nem se lembram que possuem um endereço eletrônico (email), já que um conhecido ou familiar criou o endereço para eles entrarem nas redes sociais, e nunca mais relembraram.

    Dizer que essas 2300 vagas não necessitam da informática, VAI VENDO são vagas para semianalfabetos em TI, cujo salário deve ser o mínimo possível.

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