ÔĽŅ Neymar misturado com Maria do Bairro - Di√°rio do Vale
quinta-feira, 16 de agosto de 2018

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Neymar misturado com Maria do Bairro

Matéria publicada em 15 de julho de 2018, 06:00 horas

 


Exageros na tentativa de chamar a aten√ß√£o para o caso da esc√≥ria exp√Ķem militantes e pol√≠ticos ao rid√≠culo

Exagerado: Neymar se joga tanto que os juízes deixaram de acreditar nele

Que o Neymar é um grande jogador de futebol, ninguém nega. Mas os árbitros olham com desconfiança cada vez que ele cai depois de um contato físico com um adversário, porque sabem que ele tende a exagerar a gravidade das faltas.

J√° a ‚ÄúMaria do Bairro‚ÄĚ entra na hist√≥ria porque √© a √ļnica novela ao estilo mexicano de que o colunista se lembra. A cada cap√≠tulo tem pelo menos umas tr√™s choradeiras, outros tantos tapas na cara e mais um monte de acessos de raiva. Tudo em nome da dramaticidade.

√Č mais ou menos isso que acontece com os militantes ambientalistas e pol√≠ticos que se envolveram nas reclama√ß√Ķes contra o dep√≥sito de esc√≥ria da CSN no Brasil√Ęndia.

A pilha √© feia, est√° alta e existe sim a possibilidade de inc√īmodos aos vizinhos por causa de alguma poeira. Mas da√≠ a temer que o material despenque dentro do Rio Para√≠ba do Sul e comprometa o abastecimento de √°gua do Rio e do Grande Rio vai uma dist√Ęncia gigantesca.

Nesse ponto os atores (pun intended) desse caso agiram como o Neymar. Rolaram no ch√£o e gritaram como se tivessem tido a perna quebrada depois de um simples esbarr√£o.

A parte ‚ÄúMaria do Bairro‚ÄĚ do comportamento deles surge quando fazem declara√ß√Ķes dram√°ticas como a de um deputado estadual que afirmou, em plena audi√™ncia p√ļblica sobre o dep√≥sito de esc√≥ria, que um problema no local poderia afetar S√£o Paulo. Ele acabou de engrenar a marcha √† r√© na √°gua do rio.

Quando a gente acha que o exagero atingiu o limite do rid√≠culo, algu√©m consegue ultrapass√°-lo. Foi o que aconteceu com uma deputada estadual que disse que a CSN, com seus 12 mil colaboradores diretos e 20 mil indiretos, ‚Äúgera pouco emprego‚ÄĚ. E ainda acrescentou que s√£o os shoppings que geram empregos. Menos, ‚Äúincelen√ßa‚ÄĚ, menos…

Um ativista afirmou, fora da audiência, que haveria cianeto de potássio na escória. Outro absurdo. O KCN é usado em garimpos para separar o ouro da aluvião (o material em que o metal precioso está misturado) e também por agentes secretos de filme para se matarem ao serem capturados. E, sim, alguns dos líderes nazistas teriam usado cápsulas do veneno com o mesmo objetivo. Mas nada disso tem a ver com a coitada da escória.

O mesmo g√™nio da qu√≠mica menciona o risco do enxofre se misturar com a √°gua e formar √°cido. Isso seria poss√≠vel caso estiv√©ssemos falando de di√≥xido de enxofre, que √© um g√°s e, portanto n√£o faz parte da esc√≥ria, ou do tri√≥xido de enxofre, que √© obtido industrialmente a partir da combust√£o do di√≥xido. O enxofre s√≥lido simplesmente n√£o √© sol√ļvel em √°gua.

A propósito

A pilha de esc√≥ria do Brasil√Ęndia se comporta mais como uma pedreira do que como um monte de areia. H√° res√≠duos de c√°lcio na esc√≥ria que fazem com que as pelotas do produto se unam. Juntando isso ao peso dessa pilha gigantesca chega-se √† conclus√£o de que, para deslocar esse material, seria necess√°ria uma explos√£o (por favor n√£o dinamitem a pilha), um¬† terremoto ou uma briga do Godzilla com um dos Transformers bem no meio do dep√≥sito.

A propósito, cálcio é aquele negócio que se dá para as crianças crescerem com ossos fortes, não é um veneno. Também faz parte da cal, usada para marcar campos de futebol.

Alguém fala com equilíbrio

Poder√≠amos ir longe mencionando as infinitas bobagens ditas por gente que quer exagerar o problema, mas √© mais construtivo lembrar o que pessoas pensando de forma equilibrada fazem para encontrar as solu√ß√Ķes.

A procuradora federal Marcela Harumi prop√īs que a quest√£o da poeira seja resolvida simplesmente com √°gua. Basta que a pilha de esc√≥ria seja molhada constantemente. Ficando √ļmida, ela n√£o emite poeira.

Ela tamb√©m prop√īs que a CSN e a Harsco se certifiquem de que saia mais esc√≥ria do dep√≥sito do que entre. Como o produto tem aplica√ß√Ķes, poderia ser doado, caso n√£o haja compradores. E a pr√≥pria CSN j√° se prop√īs fazer isso.

2 coment√°rios

  1. Corret√≠ssimo! √Č muita gente ignorante e despreparada dando pitaco em assunto que n√£o entende, inventando ou exagerando fatos para defender seu ponto de vista (o “Neymar”). √Č assim em qualquer lugar, do Facebook √† mesa de bar. O pior √© que acabam banalizando um assunto importante, fazendo com que perca a credibilidade perante o agente poluidor (o “√°rbitro do jogo”)…

    Estranho mesmo √© a raposa tomar conta do galinheiro e reportar a contagem das galinhas. Tipo a CSN, agente poluidor, sendo respons√°vel por informar a qualidade do ar na cidade de VR. O c√ļmulo do absurdo, e tudo com o respaldo dos √≥rg√£os ambientais. √Č s√≥ uma das evid√™ncias da fal√™ncia do Estado do Rio de Janeiro)…

  2. Mais um cap√≠tulo da Esc√≥ria. Concordo com o colunista em termos. Quando a CSN come√ßou a despejar esc√≥ria naquele local, n√£o haviam resid√™ncias por l√°, e o terreno √© da Empresa. Com o crescimento da cidade, nasceram ali os bairros ao redor do dep√≥sito a c√©u aberto. Moro no bairro Conforto em frente a cerca da Usina, e ou√ßo at√© as revers√Ķes das Pontes Rolantes na Lamina√ß√£o.OU SEJA, a cidade foi constru√≠da colada na USINA. Nos anos 40 ningu√©m se preocupava com esse detalhe de Meio ambiente. A CST constru√≠da bem depois, anos 70, fica a quil√īmetros de dist√Ęncia da cidade.

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