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Agências de turismo da região usam a criatividade para reagirem à crise

Matéria publicada em 20 de novembro de 2016, 10:15 horas

 


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Calor: Destinos praianos registraram excelente desempenho
(Foto: Divulgação)

Sul Fluminense – Um dos setores da economia que também sentiu o impacto da crise econômica foram as agências de viagens, que em razão da diminuição da renda de alguns de seus clientes, precisaram se adequar às mudanças para se manter no mercado.

A agente de viagens e proprietária de uma agência de turismo na Rua 33, na Vila Santa Cecília, Ana Paula Rocha, confirma que a crise atingiu em cheio o ramo.

– Tivemos que diminuir o quadro de funcionários e também cheguei a cogitar mudar o local da minha sala, mas não foi preciso. Apesar do momento econômico que estamos atravessando, penso que quem resistir e se adequar as mudanças têm como expandir. Mesmo com a crise as pessoas não deixaram de viajar, por isso acredito que houve um pouco de especulação – disse.

Mesmo confirmando que não houve queda no faturamento de sua empresa, a agente afirma que só vai sobreviver quem estiver atuante, pesquisando preços e novos destinos para seus clientes.

Além da crise, Ana Paula acredita que a internet tem diminuído muito o papel das agências de viagens. Por esse motivo ela diz ser primordial manter um bom relacionamento e um bom atendimento ao cliente.

– Muitos de meus clientes acabam me procurando por desconfiança dos serviços ofertados pela internet. O nível de confiança com os clientes como também um atendimento personalizado é que tem diferenciado o serviço de uma agência para outra – falou.

Outra opção que a agência de viagens da Ana Paula teve foi mudar o foco de suas vendas, atuando, segundo ela, mais no cooperativo, que são as contas correntes de empresas e entidades representativas, aumentando o lucro em 15%. Já as vendas no varejo, que são os pacotes de viagens, houve uma queda de 20% no faturamento.

Influência do dólar e
pacotes de fim de ano

As oscilações do dólar ao longo do ano atrapalharam as reservas de alguns clientes, que optaram por adiar as viagens.
– Algumas empresas por descuido tiveram até prejuízo em razão da oscilação do dólar, pois recebiam o valor em um câmbio e pagavam em outro. O aconselhável é realizar o repasse para as operadoras imediatamente, como é o meu caso – explicou Ana Paula.

Em relação aos destinos mais procurados para o final de ano, a agente disse que as pessoas estão se antecipando e fazendo as suas reservas com antecedência, desde julho.

As opções de viagens em sua agência são pelos cruzeiros, e destinos como Chile e Estados Unidos, além de cidades como Miami, Nova Iorque e Orlando.

Já no Brasil, a agente adiantou que os destinos mais procurados para as festas de fim de ano são as cidades do nordeste e Gramado, no Rio Grande do Sul.

– Apesar da crise, os pacotes internacionais tiveram baixa na média de 30% entre julho e início de novembro, mas já está voltando a aumentar para o fim do ano – comentou.

Queda de até 50% no faturamento

Quem também teve que se adequar às novas mudanças para enfrentar a crise foi Michelle Sampaio, proprietária de uma agência de viagens no Shopping Pontual, na Vila Santa Cecília.
Segundo ela, a crise chegou a atrapalhar as vendas do primeiro semestre deste ano causando uma queda de até 50% no volume internacional de vendas, causado pela oscilação do dólar e aumento do custo.

– Com a crise a classe C deixou de viajar. Anos anteriores este grupo estava aumentando o faturamento da empresa. Precisamos, por este motivo, apresentar melhores opções de custo benefício aos nossos clientes. No caso daqueles clientes que já viajavam para destinos mais caros como Europa e Estados Unidos, alguns desistiram quando viram o custo final da viagem. Dessa forma tivemos que oferecer novos destinos que se adequassem ao orçamento deles, como no caso a América do Sul. Com isso fomos nos adequando ao mercado atual – esclareceu Michelle.

Em relação aos destinos que as pessoas estão optando para não gastar muito, a agente diz que houve muita procura para destinos nacionais como também pacotes para o Caribe conhecidos como All Inclusive, onde o cliente não tem gasto adicional.

Já no caso do dólar, a sua variação, segundo Michelle, afastou mais os clientes das vendas internacionais, a solução foi oferecer mais pacotes promocionais dentro do Brasil.
– Para as festas de final do ano, a procura maior está sendo para capitais do nordeste, destacando Fortaleza, já para o Réveillon o destino mais procurado é o Caribe – disse Michelle.

Feriadão da Proclamação da
República movimenta interior
Os cariocas aproveitaram para enforcar o feriado de Proclamação da República e colocar o pé na estrada. É o que indica o balanço de ocupação hoteleira divulgado pela ABIH-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis). Os destinos praianos (Búzios, Arraial do Cabo, Angra dos Reis e Mangaratiba) registraram excelente desempenho, com média de 85% de quartos vendidos.

Na serra, apesar da procura não ter sido tão intensa por conta da previsão de tempo que indicava chuvas constantes na região, viajantes que gostam de aproveitar o clima ameno das montanhas, prestigiaram Petrópolis (50%), Teresópolis (48%) e Nova Friburgo (62%). Nilo Sergio Felix, secretário de estado de Turismo do Rio de Janeiro, disse que, tradicionalmente, quando o verão se aproxima, os destinos localizados no litoral se destacam como receptores de turistas.

– Angra dos Reis e Arraial do Cabo tiveram sua capacidade hoteleira praticamente lotada, chegando a 90%. Mais uma vez o interior do estado mostra a sua força, recebendo um contingente importante de visitantes que movimentam a cadeia produtiva do turismo.

A capital não ficou para trás. Com destaque para a Zona Sul, o corredor turístico do Leme ao Leblon teve ocupação superior a 70%, mas a média geral da cidade não passou de 55%.

Búzios é um dos destinos mais procurados do Brasil

Praia Joao Fernandes

Búzios: Cidade ocupa a quinta colocação em estudo nacional
(Foto: Divulgação)

Búzios, na Região dos Lagos, é a quinta cidade brasileira mais procurada por turistas estrangeiros, segundo o estudo Demanda Turística Internacional, do Ministério do Turismo (MTur). A pesquisa informou que o Brasil recebeu 6,3 milhões de turistas estrangeiros em 2015 e que o balneário representou 9,1% desse grupo.

Foram ouvidos 35.133 turistas estrangeiros em 16 aeroportos internacionais, que representam mais de 99% do fluxo internacional aéreo; e 10 fronteiras terrestres, que representam cerca de 90% do fluxo internacional terrestre.

– O Rio de Janeiro é hoje o destino mais procurado entre os turistas estrangeiros no Brasil. Em função da proximidade com a capital, cidades como Búzios, Paraty, Petrópolis e Angra dos Reis estão entre as mais visitadas. Nosso programa Rio +3 trabalha os mercados emissores com a proposta de ampliar as visitações não apenas internacionais, bem como as nacionais, fora do eixo metropolitano. Desde 2012, Búzios, que tem nas paisagens e diversão noturna as principais motivações, se destaca como um dos cincos destinos mais visitados a lazer no país, segundo o MTur – afirmou o secretário de Turismo, Nilo Sergio Felix.

Por Júlio Amaral

Especial para o DIÁRIO DO VALE


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Um comentário

  1. Avatar

    Turismo no Brasil é muito caro. Hotéis, passagens aéreas, restaurantes e outros, são muito caros e desanimam o turismo interno.

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