quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Economia / Após queda de até 40% nas vendas, mercado imobiliário espera reagir

Após queda de até 40% nas vendas, mercado imobiliário espera reagir

Matéria publicada em 11 de agosto de 2019, 09:00 horas

 


Perfil dos consumidores também mudou diante dos últimos anos de crise; imóveis populares são exceção na regra

Volta Redonda ainda tem um dos mercados imobiliários mais promissores da região (Foto: Arquivo)

Volta Redonda – O mercado imobiliário em Volta Redonda foi bastante afetado pelos últimos anos de crise econômica. Segundo os profissionais do setor, os efeitos foram ainda piores nos três últimos anos, com queda registrada de 30% a 40% nos negócios de venda. A expectativa, no entanto, é que a aprovação das reformas preparadas pelo governo federal e as iniciativas para liberação de crédito possam dar novo fôlego à recuperação.

O corretor de imóvel Cássio Pereira, que é proprietário de uma imobiliária na Avenida Paulo de Frontin, no Aterrado, apontou que a crise ainda é sentida, mas as adequações próprias do mercado ajudaram a superar o pior momento. Ele destacou que foi preciso que todos os envolvidos no setor produtivo e de vendas aceitassem uma redução na margem de lucros. Com uma oferta que passou a ser maior que a demanda, o consumidor também ficou mais exigente na hora de negociar. A burocracia foi outro ponto da equação que teve de ser reduzido.

Cássio ressaltou que o nicho do mercado voltado para imóveis populares manteve uma boa movimentação, mesmo no período mais agudo da crise. Neste período, cresceu a procura por imóveis de valor mais baixo e dentro do valor do programa ‘Minha Casa Minha Vida’, na faixa de R$ 180 mil a R$ 230 mil, localizados em bairros periféricos. A partir de 2019, no entanto, a situação vem se “normalizando”.

– Já se observa uma recuperação por outras faixas mais elevadas dentro de bairros mais centrais, principalmente onde o valor está ajustado dentro do valor de mercado. Apesar dessa redução dos valores dos imóveis, a oferta de terrenos nas áreas centrais ainda é pequena, fazendo com que os valores ainda estejam mantidos num nível acima do desejável nas áreas centrais da cidade. Já nas áreas periféricas continuam baixas – disse.

Nicho de resistência

De acordo com o presidente do Sinduscon (Sindicato da Construção Civil e Mobiliário do Sul Fluminense), Mauro Campos Pereira, o setor de imóveis está no final da crise. Ele lembrou que o mercado imobiliário é o primeiro a ser atingido sempre que o país passa por problemas econômicos e um dos últimos a se recuperar. Exatamente por ser um dos produtos de decisão mais fundamentada.

– Nós estamos saindo da crise. Por isso, a faixa de preços de imóveis já está muito próxima da realidade e quem tinha que reduzir os preços já reduziu para chegar até aqui. O Brasil e em especial Volta Redonda sentiram bastante a crise. Acredito que o setor imobiliário começou a se recuperar a partir de meados do ano passado. Com isso, as empresas que tiveram uma melhor estrutura, projetos na carteira e crédito já começam a despertar – ressaltou.

Dono de uma construtora imobiliária, Mauro Campos destacou o seu caso. “No nosso caso, conseguimos passar pela crise com novos lançamentos e com vendas em imóveis mais baratos, na faixa entre R$ 130 mil até R$ 285 mil, direcionado para um público mais jovem e com uma renda entre R$ 1.600 até R$ 5 mil”, disse.

O corretor de imóveis Mauro Mendes, que trabalha em uma imobiliária na Vila Santa Cecília, também acredita que aos poucos o mercado está se recuperando, mas ainda não está fluindo conforme a expectativa. O corretor confirma que devido à queda nas vendas ter girado entre 30 a 40% nos últimos anos, muitos construtores ainda estão receosos e optando por investimentos em imóveis de custo menor. “O mercado está mais voltado a imóveis de valores baixos, onde o acesso do público tem sido maior devido à facilidade de financiamento, mesmo assim as vendas ainda estão fluindo mais lentamente que alguns anos atrás”, diz.

Aluguel em alta

Cássio ressaltou que Volta Redonda sempre teve uma política de valores elevados tanto para vendas como para locação, mas que diante da crise isso vem se revertendo. Com isso, a demanda de locação cresceu bastante devido ao crédito para a compra ter ficado muito alto. “No caso dos aluguéis, o locatário está mais flexível e em determinada situação alguns até estão dando o primeiro condomínio de graça, negociando reajustes e às vezes isentando algumas taxas. Até as multas estão sendo negociados. A incerteza hoje da manutenção do emprego também tem influenciado em algumas negociações seja de locação ou vendas”, disse.

O corretor Cássio ressaltou que hoje em dia o papel do fiador está quase extinto, sendo substituído pelo seguro fiança e título de capitalização. “Para todas as partes é mais seguro: seja para a imobiliária, o locador e o locatário”, destaca.

 

Por Júlio Amaral


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

3 comentários

  1. Avatar

    Há dois fatores principais que influenciam na demanda. A capacidade de pagamento (grau de endividamento, capacidade de crédito, poder econômico-financeiro) e a condição da oferta (preço, qualidade e localização)… Se o imóvel não couber no bolso do cliente, não tiver preço condizente com a qualidade oferecida, a atratibilidade do local onde está situado e a realidade econômica do público-alvo, esse “sair da crise” não passará de retórica…

  2. Avatar

    Lembro que a crise ainda persiste, com as liberações do FGTS e a que está por vir ainda, não deixarão a crise se aprofundar ainda mais, contudo isso é apenas um efeito de retardamento da crise, a tendência é de aprofundamento, pois o estado está com gastos altíssimos e tendo que deixar de investir e consequentemente a economia esfria uma vez que o próprio estado faz essa engrenagem girar, portanto mais cedo ao mais tarde o estado terá que pisar no freio e isso gerará desconfiança e com isso menos investimentos serão feitos, gerando assim menos postos de trabalhos, chego até a dizer que haverá mais demissões uma vez que o mercado interno esfrie. Portanto pra quem quer adquirir um imóvel é hora de ter prudência e aguardar, pois corre o risco de comprar um imóvel novo e depois não poder pagar por ter perdido o emprego e com isso ter que devolver ou ser confiscado pela caixa, por exemplo, e perder todo o dinheiro investido. Porém para aqueles que guardam para comprar a vista, o que é raro, melhor momento é o de baixa, porque há oferta de imóveis e não há comprador o que faz o peço cair, porém esse último caso é raro, afinal de contas quem têm dinheiro sobrando? somos um país pobre.

  3. Avatar

    Há uma errata no texto. Onde está “locatário”, leia-se “locador” na fala do corretor Cássio, pois quem concede algo é o proprietário…

Untitled Document