Brasil adere a movimento global de trabalhadores contra McDonald’s

by Diário do Vale

Rio

O movimento internacional de trabalhadores contra as condições de trabalho na rede de fast-food McDonald’s chegou ao país hoje, com o lançamento da campanha #SemDireitoNãoÉLegal.
Liderado pela Contratuh (Confederação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade), federações e sindicatos do setor no Mato Grosso do Sul e em São Paulo, o movimento tem apoio do SEIU, sindicato internacional do setor de serviços que representa 150 sindicatos e 2 milhões de trabalhadores nos EUA e no Canadá, e também a federação global de trabalhadores de hospitalidade, a IUF (International Union Federation), com sede na Suíça.
O movimento global foi lançado em maio do ano passado, durante encontro em Nova York que reuniu representantes sindicais de 32 países. As demandas globais se somam a questões de desrespeito a legislações trabalhistas locais. No Brasil, o movimento identificou 400 ações trabalhistas de funcionários e ex-funcionários da rede de fast-food desde 2012 em diferentes Estados. Uma das principais queixas diz respeito à jornada móvel variável, pela qual a rede paga apenas por horas trabalhadas, dispensando trabalhadores em horários de menor movimento dentro de uma jornada de trabalho, o que não é permitido no Brasil.
Na segunda-feira, o Contratuh e outras entidades sindicais entraram com ação civil pública contra o McDonald’s, sustentando que o desrespeito às leis trabalhistas no país constitui prática anticoncorrencial de “dumping social”.
– O desrespeito e descumprimento das leis trabalhistas é um modelo que garante maior lucro para as lojas, ganhando uma vantagem injusta sobre empresas concorrentes que respeitam as normas – disse Moacyr Auersvald, presidente da Contratuh.
Na ação civil pública, os autores demandam que a Arcos Dourados, controladora do McDonalds no Brasil, seja impedida de abrir novas lojas no país até que a empresa cumpra as leis trabalhistas. A ação também será encaminhada ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que sejam apuradas denúncias de “dumping social”.
Procurado, o McDonalds diz que não foi notificado sobre a ação e que respeita as leis do país.
– Informamos que a empresa ainda não foi notificada oficialmente sobre a referida ação. No entanto, a companhia reforça que tem absoluta convicção de suas práticas laborais e do cumprimento de todas as normas e legislações às quais está sujeita nos locais nos quais atua assim como reafirma cumprir todos os acordos firmados com o Ministério Público em todo o país. Todos os empregados da companhia são registrados de acordo com a legislação e recebem remuneração e benefícios conforme as convenções coletivas validadas pelos diversos sindicatos que regem a categoria no país – disse a empresa em nota.
O lançamento da campanha em São Paulo contou com o depoimento ao vivo por teleconferência de Jessica Davis, 26, trabalhadora do McDonald’s nos EUA. Ela contou que está há cinco anos no McDonald’s e recebe US$ 9,28 por hora, o que equivale a alguns centavos sobre a remuneração mínima nos EUA. “É difícil ganhar a vida e sustentar dois filhos com essa remuneração. Precisamos expor os podres por trás do logo dourado de uma empresa que é a segunda maior empregadora do mundo”.
Dentre as bandeiras defendidas pelos trabalhadores nos EUA está o aumento da remuneração para US$ 15 por hora e a responsabilização da holding McDonald’s pelas irregularidades nos contratos trabalhistas feitos pelas lojas franqueadas.

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4 comments

ÊTA POVINHO CORRUPTO 24 de fevereiro de 2015, 21:58h - 21:58

MacDonalds desrespeitando as lei brasileiras?

O que dizem os simpatizantes dos sanduíche americano??

Eta Povinho (dono da verdade?!) 25 de fevereiro de 2015, 07:46h - 07:46

Digo que o problema do sanduíche se limita ao alto teor calórico e o tema abordado na materia… Exploração trabalhista, entendeu agora ou quer desenhos?

justus 24 de fevereiro de 2015, 21:23h - 21:23

E isso aí…..

JUSTUS 24 de fevereiro de 2015, 20:54h - 20:54

OS RICOS NÃO SE CONTENTAM COM O QUE TEM E USAM A EXPRESSÃO “COMPETITIVIDADE” PARA SE TORNAREM AINDA MAIS RICOS ESCRAVIZANDO E EXPLORANDO O POVO.

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