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Cai procura por aluguel de lojas comerciais

Matéria publicada em 30 de abril de 2016, 20:30 horas

 


Conselho Regional de Corretores de Imóveis estima que procura por esse tipo estabelecimentos tenha caído 20% nesse ano

Barra Mansa – Mesmo reduzindo, em alguns casos, o valor do aluguel de imóveis comerciais, proprietários de imobiliárias estão enfrentando um período difícil, com estabelecimentos fechados em vários pontos da cidade, principalmente no Centro, que concentra o “boom” de negócios do setor de varejo. De acordo com o corretor Alexandre José Paiva Ozório, delegado do Creci-BM (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), somente nestes quatro primeiros meses do ano estima-se que 20% dos estabelecimentos comerciais do município tenham fechado suas portas, deixando livre o aluguel do espaço para outro investidor interessado.

– É possível caminhar pelas ruas principais do centro de Barra Mansa, cuja vocação é para o comércio, e se deparar com várias lojas fechadas. O problema também vem ocorrendo nos bairros e, devido ao cenário da economia, a perspectiva de melhora não dever ser tão rápida como deveria – destaca Ozório.

Segundo ele, mesmo sem cobrar as famosas “luvas comerciais” (valor adiantado que serve como uma espécie de garantia para alugar o imóvel), as imobiliárias não estão conseguindo fechar negócios.

– Isso acontece porque, mesmo sem as luvas, os investidores esbarram na incerteza política do nosso país. Na nossa região, ainda tem a crise no setor automobilístico que, por muitos anos, aqueceu a economia por aqui – disse o corretor, ao acrescentar que, embora não cobrem as luvas, muitas imobiliárias tentam recuperar o lucro nos valores de aluguéis muito alto, o que dificulta ainda mais a locação.

Hoje, segundo Ozório, é muito difícil calcular, em média, o valor de uma luva comercial, depende de cada locatário.

Mas, para se ter uma noção, no Centro de Barra Mansa, é possível encontrar uma loja com 50m², cuja luva custa R$ 60 mil e o aluguel mensal R$ 6,5 mil. Em outro caso, na Avenida Joaquim Leite, uma loja com 120m² tem uma luva no valor de R$ 200 mil e um aluguel de R$ 30 mil.

– Não temos parâmetros para estes valores de luvas.  O que pesa é a Localização, o fluxo de pessoas, o acesso, entre outros fatores – disse o delegado.

Sem cobrança de luvas

De acordo com o proprietário de uma corretora com sede em Barra Mansa, Walquer Vítor de Souza, atualmente ele possui quatro lojas disponíveis, no Centro, todas com dificuldades de locação. Os preços, segundo ele, variam de R$ 3,6 a R$ 10 mil, sem cobrança de luvas comerciais.

– Para nenhum desses estabelecimentos, todos com ótimas localizações, não está sendo exigida luva comercial e ainda assim estamos com muitas dificuldades para alugar. O comércio está sendo muito prejudicado com a crise e ninguém está querendo investir no setor – comenta Souza.

Ele, que tem uma filial da imobiliária em Pinheiral, observa que o problema ocorre não só em Barra Mansa. Lá, segundo ele, uma loja na área central, que antes tinha um aluguel de R$ 8 mil, teve o mesmo reduzido para R$ 3,8 mil e, ainda assim, permanece fechado. “As pessoas até ligam, especulam os preços, mas fechar negócio, ninguém fecha”, destacou.

Redução de valores

Proprietário de uma imobiliária em Barra Mansa, José Roberto Junqueira é outro que também vem enfrentando dificuldades para “emplacar” o aluguel de pontos comerciais. Ele, que tem cerca de 20 imóveis disponíveis em toda a cidade, sendo cinco no Centro, reduziu os valores em cerca de 10% a 15% e também deixou de lado a cobrança de luvas.

– Já está difícil a situação, se cobrarmos luvas fica ainda pior. Mesmo reduzindo os valores dos aluguéis, está tudo parado. A maioria dos imóveis está há mais de três meses fechados. Em outras épocas, com até um mês de um ponto comercial fechado já tínhamos conseguido outro locador ou, então, já teria até mesmo alguém interessado esperando desocupar – finalizou Junqueira.

Crise: Lojas comerciais estão fechadas no Centro de Barra Mansa sem alugar (Foto: Paulo Dimas)

Crise: Lojas comerciais estão fechadas no Centro de Barra Mansa sem alugar (Foto: Paulo Dimas)

A polêmica em torno da cobrança das ‘luvas’

A cobrança das chamadas “luvas” causa muita polêmica e está envolvida em discussões jurídicas há anos. A legislação vigente até 1991, conhecida como Lei de Luvas, proibia a prática. No entanto, foi revogada e a norma deu lugar à chamada Lei do Inquilinato.

Desde então, só a renovação de contratos com mais de cinco anos de duração não poderiam incluir taxas adicionais. Para acordos iniciais, a exigência estaria livre: o dono da loja poderia exigir qualquer valor a mais antes de fechar o primeiro contrato.

Há, no entanto, quem discorde da interpretação. “Não compactuo com a cobrança de ‘luvas’. A disputa pelo ponto deveria ser estritamente comercial. O jurista puro teria de coibir essa situação, justamente porque não há qualquer previsão legal sobre ela. Eu reprimiria”, argumenta o especialista em direito empresarial Ricardo Trotta, do Ricardo Trotta Advocacia.

Índice do aluguel tem alta de 11,56% em 12 meses

Em todo o país, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que reajusta os aluguéis, fechou em 0,51% em março, o que representa queda em relação a fevereiro, quando atingiu 1,29%. Em março de 2015, a variação foi de 0,98%. Considerando o acumulado de 12 meses, o índice apresentou alta de 11,56%. A taxa acumulada em 2016 até março é de 2,97%. Os números foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) foi de 0,44% contra 1,45% de fevereiro. O índice relativo aos bens finais foi de 1,52% em março. Em fevereiro, este grupo de produtos teve variação de 1,43%.

O índice referente ao grupo bens intermediários foi de -0,93%. Em fevereiro, a taxa fechou em 1,16%. O principal responsável por este movimento foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura, que passou de 1,96% para -1,4%.

Números

Segundo a FGV, o grupo matérias-primas brutas variou 0,82% em março. Em fevereiro, registrou variação de 1,83%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou taxa de 0,58% em março, ante 1,19% em fevereiro. A principal contribuição para o decréscimo partiu do grupo habitação (0,83% para -0,06%). Nesta classe de despesa, o item tarifa de eletricidade residencial passou de -0,58% para -3,18%.

Também apresentaram decréscimo os grupos: transportes (1,73% para 0,54%), educação, leitura e recreação (2,06% para -0,01%) e alimentação (1,42% para 1,12%). Registraram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: comunicação (0,71% para 1,13%), despesas diversas (1,32% para 1,9%), vestuário (0,22% para 0,33%) e saúde e cuidados pessoais (0,69% para 0,73%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) foi de 0,79%, acima do resultado de fevereiro: 0,52%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços acusou variação de 0,38%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,53%.

O índice que representa o custo da mão de obra registrou taxa de 1,16%. No mês anterior, variou 0,51%.
As informações são da Agência Brasil.
Por Roze Martins
(Especial para o DIÁRIO DO VALE)


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18 comentários

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    O comercio de Barra Mansa e um horror.

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    cidade em falencia

    ja estou sabendo que tem mais uma loja no centro de barra mansa fechando as portas este mês. algo precisa ser feito urgente

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    ja estou sabendo que tem mais uma loja no centro de barra mansa fechando as portas este mês.

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    Foi a época que o comercio dava dinheiro,hoje tá tudo saturado.

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    A prefeitura poderia ajudar cobrando valor de iptu e outros impostos maiores para aqueles que preferem manter um ponto comercial fechado. Difícil é saber de que lado a prefeitura está, dos “barões” ou dos eleitores…

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      O prefeito está sempre do lado que oferece a melhor vantagem pra ele.
      Infelizmente o eleitor tem seu preço.

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      Não é tão fácil assim. A metodologia dos tributos tem uma previsão é um mecanismo para cada tipo. Mexer de forma a punir alguém por improdutividade ou inércia econômica, poderia ser inconstitucional, ou mesmo ilegal diante Códigos Tributários Nacional e Municipal.
      As prefeituras estão fiscalizando e apertando o cerco no ITBI.
      Agora IPTU é algo delicado. Atualizar planta de valores é suicídio politico. Lembram dos 400% de IPTU da Inês?
      Infelizmente o certo acaba sendo visto como absurdo.

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      Pois é Cauteloso, a prefeitura nunca pode fazer nada e com isso infelizmente Barra Mansa está encolhendo a cada ano que passa… A diferença do que foi praticado pela Inês é que ela atingiu a todos sem qualquer boa intenção, visto o péssimo governo que fez… Na minha opinião pior que a Inês só o Jonas Marins
      Quem sabe quando encolhermos ao nível das pequenas cidades da região BM resolva mudar alguma coisa…

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    A reportagem não destacou um fato importante, a grande maioria dos imóveis no centro de Barra Mansa pertence a uns poucos gatos pingados, ou seja, esses senhores feudais não se importam em manter algumas de suas lojas fechadas até encontrar alguém que queira alugar a mesma pelo preço que os donos desejam, com luva e tudo. Assim, Barra Mansa vai ficando pasta traz, seguindo na contra mão do progresso enquanto poucos enchem os bolsos. Pata terminar, uma curiosidade, sabiam que o metro quadrado no bairro Santa Rosa em Barra Mansa e mais caro que o metro quadrado em Copacabana?, não precisam acreditar em mim, é só pesquisar.

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      Sei não. Casas no Santa Rosa são bem mais baratas que em bairros equivalentes de VR ou Resende…

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      Pagar caro pra morar no Santa Rosa kkkk. Melhor morar no Moinho de Vento.
      Quem tem dinheiro quer sossêgo. Quem tem dinheiro tem carro, não precisa de ônibus então pode morar numa casa boa, grande e com preço mais justo, num lugar mais afastado e a meu ver melhor.

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    Quem tem olho grande , não entra na China . cobrar 150 mil de luvas e aluguel de 10 mil por mês , acham que iam ficar assim para sempre ? se tem uma coisa boa nas crises , é que ela ensina a ser humilde , quem atendia mal , passa a atender bem , quem explorava , passa a ser justo , e por aí vai .

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    Fechei uma loja no Aterrado. Simplesmente: pagamento de aluguel, seguro fiança, contador, tributos, água, energia, internet e DEMANDA DE CLIENTES INSULFICIENTE, não dá pra manter um comércio aberto. Muito triste a situação do Brasil. Felizmente recorremos a outra área de atuação fora do estado. Mas de modo geral a crise perpetua.

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    Pagar 200mil de luvas e 30 mil de aluguel no centro de Barra Mansa, isso é um absurdo!!!!!
    Agora sabemos porque barra mansa ficou no tempo!!!!

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    Cidadão de olho

    Com esses valores as lojas irão permanecer fechadas. Por isso que não existem novos empreendimentos em Barra Mansa é melhor o dono alugar e viver do aluguel do que ele montar um negócio. duvido que ele conseguiria tirar tudo isso de lucro. Agora quem tem dinheiro para montar um negocio e com esse valor de aluguel vai para outra cidade e quem perde é barra mansa.

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      Concordo! A ganância das imobiliárias e dos empresários arcaicos ferraram Barra Mansa. Quem pagou a luva a mais de 5 anos atrás ainda sente os efeitos hoje. Ainda veremos mais lojas fechando.
      Existe um imóvel de 3 andares no centro. Prédio antigo e caindo aos pedaços, somando 300 m2. O mesmo está sendo vendido por 6 milhões e meio. Alguém perdeu o juízo, só pode. 15 mil o m2 kkkk.
      Abram os olhos barramanssenses, pois a cidade vai acabar. Locação e venda de imóveis residenciais estão com valores nas alturas. Corretores e proprietários, tenham o salário mínimo e inflação como base. Mais vale o pouco garantido do que o muito só na imaginação.

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      Pois é, o Sr. Cauteloso ajudou a provar que eu tenho razão, 15 mil reais o m2 é preço de Ipanema e Copacabana mesmo. Os barões e senhores feudais é que, como diria Odorico Paraguaçu, “atravancam o progresso “.

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