terça-feira, 19 de novembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Economia / Cheque ainda resiste em 40% dos estabelecimentos comerciais

Cheque ainda resiste em 40% dos estabelecimentos comerciais

Matéria publicada em 18 de agosto de 2019, 13:00 horas

 


Uso está cada vez mais em baixa e corresponde a menos de 2% das vendas em geral

Cheque está cada vez mais fora de uso mais ainda é aceito em condições especiais (Foto: Divulgação)

Volta Redonda – Em um mundo cada vez mais digital, as folhas de cheque ainda resistem a um sempre esperado fim. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Volta Redonda (CDL-VR), a movimentação de cheques tem se mantido estável , com uma leve queda nesses primeiros oito meses de 2019 em relação ao mesmo período no ano passado. A opção desse tipo de pagamento ainda é oferecida em pelo menos 40% dos estabelecimentos comerciantes da cidade.

De acordo com a CDL, a inadimplência com cheques chega a menos de 10%, principalmente pelo fato dos lojistas estarem mais atentos à análise creditícia junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)-Serasa. O presidente da CDL-VR, Gilson de Castro, explicou que esse sistema praticamente anula o risco de “calote”, que era um dos maiores vilões para o uso do talão.

– Pela consulta, é possível saber se ele está com o nome no Serasa, com alguma restrição. É muito importante que o comerciante, ao ter problema com algum cheque, inclua o nome do consumidor que o emitiu no banco de dados do Serasa, para que esse cliente não passe novos cheques, seja por motivo de não ter fundos, conta encerrada, entre outros – afirmou.

Segundo Gilson, a vantagem de se trabalhar com cheque é que a empresa não paga taxa administrativa, como no caso do cartão de crédito, reduzindo o custo operacional da loja.

– Hoje em dia, sabemos que o cartão é uma das principais formas de pagamento, mas ainda há lojas que trabalham com cheque. Reforçamos também que o comércio precisa informar em local visível quais são as formas de pagamento aceitas nas lojas – disse.

Uso em baixa

Apesar da CDL afirmar que a opção pelo cheque ainda é oferecida em pelo menos 40% dos estabelecimentos comerciantes da cidade, as mudanças de hábitos dos consumidores é notória. De acordo com o comerciante Edimir Pires Lima, proprietário de uma loja de ferragens em um centro comercial da cidade, o uso do cheque foi diminuindo a cada ano e hoje corresponde a apenas 2% das vendas.

– Ainda trabalhamos com cheque, mas pouquíssimos clientes utilizam esta prática. O índice de problemas com o cheque ainda é altíssimo, principalmente no pré-datado. Não vejo nenhuma vantagem no cheque. Para me proteger, colocamos algumas exigências para dificultar o seu uso. No caso do cheque de terceiros, ligo para o dono da conta e quando é pré-datado, faço um cadastro do cliente exigindo toda a documentação – disse.

Para o gerente de vendas de uma loja de materiais de construção no bairro Aterrado, Carlos Araújo, uma das causas do desuso do cheque foi a mudança de hábito do consumidor. Segundo ele, as vendas com cheques em sua loja de Volta Redonda são raras e em Barra Mansa aparece um pouco mais.

– Hoje as vendas com cheque são irrisórias, correspondendo a menos de meio por cento ou a 1% no máximo. Geralmente vem de clientes antigos. Em minha opinião, o cheque é a pior forma de pagamento, pois não dá garantias. Por isso, prefiro trabalhar com cartão, dinheiro ou crediário”, ressaltou.

Segundo a auxiliar administrativa Valessa Marciele, a alta inadimplência fez com que a loja onde ela trabalha praticamente encerrase a permissão do uso de cheques.

– Na época do uso maior de cheques, a inadimplência chegou a 50%. Com o crescimento do cartão, o cheque foi ficando de lado. Ainda aceitamos cheques de clientes antigos com CNPJ, como empresas, escolas, firmas e Igrejas. Isso corresponde a 1% de nossas vendas. Hoje trabalhamos mais com cartão, dinheiro e boleto para empresas mediante consulta – declara.

Economista destaca preferência do consumidor por pagamentos digitais

De acordo com a economista Sônia Vilela, houve uma redução significativa nas transações com cheques. Ela cita os dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que aponta baixa de 85% entre 1995 e 2018.

A economista destaca que cada vez mais o consumidor tem utilizado pagamentos digitais. Porém, o cheque ainda é usado como substituição a promissória para pagamentos futuros, ou que envolvam pagamentos com valores mais altos, com garantias de comprovação de origem e destino e compensação do valor.

– Trata-se de um documento comprobatório fundamental nas transações comerciais que envolvam valores vultuosos. E ainda podem ser descontados no mercado de crédito. Ou seja, ter seu valor antecipado antes da data do vencimento em troca de um desconto de juros – opina.

Por outro lado, ela explica que para o mercado no varejo houve uma diluição dos riscos provocados pelos pagamentos por uso de moeda digital, por cartão ou app. “Então a utilização do cheque tende a diminuir cada vez mais, assim como o pagamento em dinheiro em espécie”, diz.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

3 comentários

  1. Avatar

    Tem muita loja que tem aviso NÃO ACEITAMOS CHEQUE.Isso é ilegal pois a recusa só pode ser feita se a pessoa estiver no SP.

  2. Avatar

    Qualquer compra que faço pergunto sempre: se pagar com dinheiro ou chegue tenho desconto? Normalmente tenho descontos de 10% e já consegui até 15% em compra de valor alto.

    Cartão eu quase nem carrego na carteira pq sei que minha compra terá o valor será mais alto.

    O cartão só em vantajoso em viagens por ser inseguro carregar muito dinheiro.

    • Avatar

      Nessa compra de economia de 15% falei surpreso com o vendedor: ótimo para mim. o Vendedor falou: melhor ainda para mim pq recebo na hora e não preciso esperar 30 a 40 dias para essa venda entrar no caixa.

Untitled Document