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‘Cidades do Aço’ sentem a crise econômica de formas parecidas

Matéria publicada em 24 de abril de 2016, 21:13 horas

 


Dificuldades do setor siderúrgico provocam retração nos mercados de trabalho de Volta Redonda e Ipatinga

Dificuldades: Mercado de trabalho em Ipatinga se retrai na esteira de problemas na Usiminas (Foto: Prefeitura de Ipatinga)

Dificuldades: Mercado de trabalho em Ipatinga se retrai na esteira de problemas na Usiminas
(Foto: Prefeitura de Ipatinga)

Volta Redonda – A cidade mineira de Ipatinga tem muitos pontos em comum com Volta Redonda: as duas têm suas economias baseadas na presença de uma grande siderúrgica (a Usiminas em Ipatinga e a CSN em Volta Redonda), ambas têm IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de 0,771, as duas têm populações estimadas pelo IBGE em torno dos 260 mil habitantes (257 mil para Ipatinga e 262 mil para Volta Redonda), com PIBs per capita parecidos (R$ 36.879,60 em Ipatinga e R$ 39.740,09 em Volta Redonda, segundo o IBGE).

Ambas estão sendo duramente atingidas pela crise econômica, que deixou as duas siderúrgicas em dificuldades.

Empregos em geral

Em Ipatinga, o mercado de trabalho em geral teve uma redução de 7.465 empregos com carteira assinada entre abril de 2015 e março de 2016, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência Social. A cidade mineira contava, em janeiro de 2016, com 59.738 empregos formais.

De acordo com o Caged, 11,35% dos empregos existentes em Ipatinga foram fechados nos últimos 12 meses.

A situação não é muito melhor em Volta Redonda, onde o saldo de empregos formais entre abril de 2015 e março de 2016 é negativo em 5.856 postos de trabalho, também de acordo com o levantamento do Ministério do Trabalho. A cidade contava, em janeiro deste ano, com 69.707 empregos formais, e o Caged apurou que 8,18% dos postos de trabalho foram fechados nos últimos doze meses.

É importante lembrar que, para as estatísticas mostradas nesta reportagem, os índices percentuais não se referem o número de empregos existente em janeiro de 2016 (dado mais recente do Caged), mas ao número de postos de trabalho em março de 2015, que não está disponível para consulta.

Empregos na indústria

As duas cidades têm parcelas significativas de seus trabalhadores empregados na Indústria de Transformação. Em Ipatinga, são 22,66% e em Volta Redonda, 26,11%. Em números absolutos, Ipatinga tinha, em janeiro de 2016, 13.535 empregos industriais, contra 18.200 em Volta Redonda, no mesmo mês.

Na cidade mineira, 3.575 empregos na indústria de transformação foram eliminados nos últimos 12 meses, o que corresponde, segundo o Caged, a uma perda de 21,48%.

Em Volta Redonda, o número de empregos industriais eliminados de abril de 2014 a março de 2015 foi de 1.950, o que equivale a 10,45%.

Cenário ruim: Em Volta Redonda, comércio e serviços já sentem consequências de cortes na CSN (Foto: Paulo Dimas)

Cenário ruim: Em Volta Redonda, comércio e serviços já sentem consequências de cortes na CSN
(Foto: Paulo Dimas)

 

A crise se espalha pelas economias

Quando o “motor” de uma cidade começa a funcionar mais devagar, a consequência natural é a redução do ritmo geral da economia. Com menos dinheiro fluindo das siderúrgicas para os seus empregados, devido ás demissões, é de se esperar que os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços vejam suas receitas encolherem, o que acaba por gerar demissões nesses setores também.

Em Ipatinga e Volta Redonda não foi diferente. Na cidade mineira, o Comércio, que empregava 15.433 pessoas em janeiro deste ano, registra saldo negativo de 795 empregos nos últimos doze meses, o que corresponde a uma redução de 5,06%. Já em Volta Redonda, que contava com 16.233 empregos no comércio em janeiro, houve um saldo negativo de 347 postos de trabalho, correspondendo a 2,13% das vagas no setor.

No setor de Serviços, as perdas foram mais significativas em Volta Redonda do que em Ipatinga. A cidade fluminense tinha, em janeiro deste ano, 28.500 empregos no setor terciário (de serviços) e acumulou, nos últimos 12 meses, um saldo negativo de 2.821 postos de trabalho nesse segmento econômico, o que corresponde a uma perda de 9,20%.

Já na cidade mineira, havia 23.648 empregos no setor de serviços em janeiro deste ano. As perdas nos últimos doze meses foram de 1.434 postos de trabalho, correspondendo a uma queda de 5,78%.

As siderúrgicas

A Usiminas teve um prejuízo líquido de R$ 3,24 bilhões em 2015, grande parte dele devido a baixas contábeis. Mas a empresa também se beficiou de créditos fiscais, que lhe renderam cerca de R$ 1,1 bilhão. Sem os lançamentos que não se referem a operações, a empresa teria um resultado negativo de cerca de R$ 1,8 bilhão. Já a CSN teve lucro de R$ 1,6 bilhão, mas também deve esse resultado a fatores estranhos a seus processos operacionais: o principal motivo do resultado positivo foi a conclusão da aliança com o consórcio asiático que criou a Congonhas Minérios – combinação da mina Casa de Pedra com a Namisa e alguns ativos de logística. Esse procedimento contábil gerou um ganho de R$ 2,9 bilhões no resultado – o que indica que, sem a negociação, a CSN teria apresentado prejuízo de cerca de R$ 1,3 bilhão.

O mercado siderúrgico

De acordo com o Instituto Aço Brasil, o consumo aparente de aço no mercado nacional, em março de 2016, foi de 1,6 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos, 28,02% menor que o mesmo período do ano anterior. No acumulado nos três primeiros meses, o consumo aparente alcançou 4,3 milhões de toneladas, 29,3% menor quando comparado aos mesmos meses de 2015.

Quanto às vendas internas, o resultado de março de 2016 foi de 1,5 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos, redução de 23,8% em relação a março de 2015. As vendas acumuladas no ano caíram 23,1%, totalizando 4,0 milhões de toneladas.

As importações, devido não só à desvalorização do real, mas ao fraco consumo de aço no país decorrente da crise econômica, apresentaram queda de 50,2% em relação a março de 2015, totalizando 175 mil toneladas equivalentes a US$ 151 milhões.

A produção brasileira de aço bruto em março de 2016 foi de 2,5 milhões de toneladas, queda de 9,5% quando comparada com o mesmo mês em 2015. Em relação aos laminados, a produção de março, de 1,8 milhão de toneladas, apresentou uma redução de 18,6% quando comparada com março do ano passado. Com esses resultados, a produção acumulada em 2016 totalizou 7,4 milhões de toneladas de aço bruto e 5,1 milhões de toneladas de laminados, havendo redução de 12,3% e 17,5%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2015.

As exportações de produtos siderúrgicos em março de 2016 atingiram 1,2 milhão toneladas no valor de 448 milhões de dólares, representando crescimento de 18,5% em volume e queda de 33,4% em valor, quando comparadas a março de 2015.


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2 comentários

  1. José Carlos Viana

    Altitude de Ipatinga é 220m/V.R é 390
    Densidade Ipatinga é 1548,16/VR 1444,89
    Clima Ipatinga é Tropical úmido/VR. é tropical de altitude
    Idade Ipatinga 51 anos/VR. 61
    Aniversário Ipatinga 29/4, VR 17/7
    Área Ipatinga 164,884km2/ VR 182

    De fato são muito parecidas, eu acho que Ipatinga parece mais com Volta Redonda da década de 80.
    Vale lembrar que, como Ipatinga nasceu depois, foi mais bem planejada; com avenidas largas, muitas áreas de preservação ambiental.
    Com relação a violência as duas cidades também se parecem.
    Com relação a time de futebol, idem….

    • Ipatinga se emancipou de Coronel Fabriciano, que é a segunda maior cidade da região, mas não chega a formar com ela uma conurbação nos mesmos moldes da existente entre VR e BM. É mais parecida com a existente com Pinheiral… Fabriciano se conurba é com Timóteo, que é sede da Acesita (tem outro nome agora)…

      Ipatinga tem mais áreas verdes e a vantagem de a planta da Usiminas não ficar encravada no centro e sim na periferia, igual as plantas da Votorantim em Barra Mansa e Resende, porém não é ainda um centro regional consolidado. Nisso, Governador Valadares é que seria mais comparável a VR, no Leste Mineiro. O centro de Ipatinga é mais acanhado que o de Muriaé, uma cidade bem menor… VR, por outro lado, tem uma rede bancária e de prestação de serviços bem maior que Ipatinga… Em comum, ambas dependem grandemente de suas usinas, Ipatinga até mais que VR…

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