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Consumidor deve ter cuidado com compras na Black Friday

Matéria publicada em 14 de novembro de 2015, 10:00 horas

 


Em tempos de crise, especialistas alertam que clientes devem evitar armadilhas e acúmulo de dívidas

black friday

Descontos: Liquidações acontecem no dia 27 deste mês na internet e em lojas físicas (Fotos Públicas)

Barra Mansa – Criada pelas redes varejistas americanas e importada pelas empresas de comércio eletrônico brasileiras em 2010, a Black Friday, parece ter mesmo caído no gosto dos brasileiros. Mas, em tempos de crise, e faltando menos de 20 dias para a sexta-feira negra, que promete oferecer descontos “enlouquecedores” economistas e representantes de órgãos de defesa do consumidor alertam: é preciso cautela para não se deixar levar pelas promoções e acumular dívidas desnecessárias, em tempos de perda de poder aquisitivo e aumento do índice de desemprego.
De acordo com a economista Sônia Vilela, embora seja aconselhável que os consumidores aproveitem as promoções, que de fato ocorrem no período, também é necessário maximizar os recursos escassos.
– A renda do brasileiro está diminuindo. Então é necessário proteger seus rendimentos tomando as decisões corretas e bem pensadas. É importante que se compre por melhor preço apenas aquilo de que realmente precisa, não só porque está mais barato. É importante  verificar se o bem é essencial e, o mais importante, se você possui recursos para comprar sem se endividar. Caso o consumidor já esteja endividado, esqueça o Black Friday – enfatiza a economista.
Conforme destaca Sônia, nesse período que antecede a sexta-feira de promoções, é muito importante que as pessoas que desejam efetuar a compra de algum produto já iniciem uma pesquisa de preços, com anotações sobre as características do produto. Ainda de acordo com Sônia, as formas de pagamento também devem ser levadas em conta, bem como os descontos para compra à vista.
“É importante lembrar que nem tudo que está explicitado como promoção, realmente está. E na pior das hipóteses cabe a denúncia ao Procon, caso o consumidor se sinta lesado”, afirmou.
Sobre a melhor forma de pagamento, a economista foi categórica em afirmar que, tanto para compras à vista ou parceladas, o cartão de crédito é a melhor opção, desde que não tenha juros. Isso porque, segundo ela, geralmente, no crediário, os juros mensais são altos e estão embutidos no preço, já que o risco para o vendedor é maior nessa modalidade de crédito.
“É importante pesquisar o preço, a forma de pagamento e o valor final para que seja possível comparar os resultados. Regra fácil: máquina de calcular nas mãos, anote, compare e veja o que é melhor para você”, comentou Sônia.

Evitando o crédito rotativo

Conforme também alerta o gerente do Procon, de Barra Mansa, Bruno Volpe Maciel, a orientação do órgão é para que os consumidores evitem o uso do crédito rotativo e de pagamento de prestações, justamente porque, em função da crise econômica,  as taxas de juros médias estão exorbitantes. “Negociar e pagar à vista, se possível, é a melhor opção. Por conta do grande apelo que tem a Black Friday, muitas das vezes o consumidor, ao ver promoções, se deixa levar por impulso, e efetua compras de produtos de que não necessita. Nosso conselho, nesse período difícil da economia, é que tenha cautela”, disse o gerente.
Outro fato que o gerente também chama atenção é para que os clientes fiquem alerta para não serem enganados com preços maquiados: “É o famoso desconto ‘a metade do dobro’. Para não cair nessa armadilha, guardar preços e telas de ofertas de lojas virtuais, bem como folhetos com preços dos produtos referentes aos meses que antecedem a promoção, também é uma boa saída. Caso seja constatada maquiagem no preço de algum produto, o Procon vai punir a empresa responsável”, afirmou.
De acordo com Maciel, outros fatores, como o prazo de garantia, também devem ser observados. O consumidor tem direito à garantia legal somada à garantia oferecida pelos fabricantes. Em casos em que o produto é vendido com defeito, a responsabilidade da troca é da loja que o vendeu. Já se o mesmo apresentar defeito após alguns dias, o consumidor deve verificar a política de trocas da loja, e caso o prazo de troca tenha sido ultrapassado, o produto deve ser encaminhado ao fabricante.
– No ano passado tivemos muitos problemas relacionados à Black Friday. Entre eles, produtos que foram vendidos para serem entregues num determinado prazo em casa, e esses prazos foram descumpridos. Também muitas vezes o estoque do produto vendido acabava, e a loja o substituía por outro de outra marca, sem consultar se o consumidor aceitava a troca – recordou o gerente.

Fiscalização

Outro problema detectado pelo órgão, segundo Maciel, foram as enormes filas nas portas das lojas de eletrodomésticos e eletrônicos. Assim como no ano passado, fiscais do Procon irão atuar a fim de evitar descaso vom os consumidores por parte das lojas, principalmente com os que precisam ser atendidos em filas.
– Técnicos do  Procon estarão de plantão no dia da Black Friday, atendendo reclamações dos consumidores e fiscalizando as lojas participantes da promoção. No ano passado, observamos que o fluxo maior de filas e aglomeração de pessoas foi pela manhã e na hora do almoço, nossa orientação é para que as pessoas deixem para ir às compras à tarde. Muitas pessoas realmente enfrentaram filas para encontrar descontos que não valiam a pena, mas na maioria dos casos as promoções foram significativas – ressaltou o gerente, ao informar, no entanto, que na internet os descontos podem ser maiores que o oferecido nas lojas físicas.

Expectativa de crescimento nas vendas

Mesmo levando em conta que esse ano o país enfrenta uma crise econômica acentuada, o presidente do Sicomércio-BM (Sindicato do Comércio Varejista de Barra Mansa, Quatis e Rio Claro), Alberto dos Santos Pinto, afirma que a expectativa do setor é de um crescimento de aproximadamente 10% em relação ao evento do ano passado, no município.
– Isso se deve ao conhecimento maior do evento pelo público. Podemos citar ainda que mais lojas estarão participando esse ano, assim como uma divulgação maciça do evento será realizada em Barra Mansa – destaca o presidente, ao ressaltar que a orientação do sindicato é para que os lojistas aproveitem a oportunidade de vendas, decorando suas vitrines, treinando seus colaboradores para a data e que ofereçam descontos realistas à população.

Na espera pelas promoções

Acostumada a fazer compras pela internet, a empresária Patrícia Dias da Silva, de 36 anos, já está se preparando para a Black Friday desse ano. Ela, que pretende comprar uma TV e uma câmera digital, disse que já pesquisou os preços dos modelos que pretende adquirir, para no dia da promoção comparar se realmente valerá pena efetuar a compra.  Segundo a empresária, esse é o segredo para o consumidor não se sentir lesado.
– Esse é o terceiro ano que vou aproveitar as promoções da Black Friday. Já comprei aparelho de som, celular, TV e até a minha geladeira. Em todos os produtos em consegui um desconto muito bom, mas isso porque sempre pesquiso muito, dias antes de comprar. Minha intenção, nesse ano, era comprar mais coisas, mas como as coisas estão mais difíceis, com contas como água, luz e gasolina mais caras, vou me contentar apenas com a TV e a câmara digital, que já queria trocar a tempos – finalizou a empresária.

Confira algumas dicas importantes para aproveitar melhor as promoções da Black Friday sem preocupação:

Cuidado – Eventos como a Black Friday são os favoritos para fraudadores. É preciso tomar cuidado e nunca fornecer informações pessoais em sites suspeitos.

Pesquisa – É importante ficar atento, dias antes da Black Friday, e fazer pesquisas nas lojas em que tem interesse em comprar algum item. Isso evita que o adquira um produto que, na verdade, nunca esteve realmente em promoção.

E-mail – É preciso ter cuidado com promoções recebidas por e-mail. Muitos fraudadores aproveitam a oportunidade para roubar dados via correio eletrônico, por isso, é importante ter cuidado ao clicar em links recebidos.

Pagamentos – Um dos maiores meios para a realização de fraudes é o pagamento por boleto bancário. Pode haver a alteração de dados de pagamento e o risco de a loja pegar o dinheiro e não entregar o produto.

Trocas e devoluções – É importante que o consumidor tenha total atenção à política de trocas da empresa antes de efetuar a compra. A dica é sempre ficar atento a letras de rodapé e eventuais condições diferentes de entrega que a loja possa aplicar nesse período.

Cartão de crédito – Por mais que as compras por boleto bancário possam oferecer descontos maiores, o mais seguro para os consumidores é priorizar a compra pelo cartão. Dessa forma, o consumidor sempre terá a ajuda do banco caso alguma coisa errada aconteça.

Por Roze Martins
(Especial para o DIÁRIO DO VALE)


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