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Equipe econômica de Guedes sofre duas novas baixas

Matéria publicada em 12 de agosto de 2020, 10:55 horas

 


Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, perdeu ontem os dois integrantes da sua equipe que mais tinham a marca da agenda liberal que prometeu implementar na economia brasileira no início do governo. O empresário e um dos fundadores da Localiza, Salim Mattar, e o economista Paulo Uebel pediram demissão depois de um ano e meio de dificuldades para implementar no governo as medidas para quais foram convidados a integrar o governo Bolsonaro: as privatizações e a reforma administrativa, duas das quatro principais agendas de Guedes, além das reformas da Previdência e tributária.

Auxiliares de Guedes reconhecem que esse é um dos momentos mais difíceis para ele desde o início do governo e temem que ele também possa pedir demissão. “Se me perguntarem se houve uma debandada hoje (ontem), houve”, disse Guedes a jornalistas, depois de se reunir com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo o ministro, apesar das demissões, o governo vai “avançar com as reformas”. “Nossa reação à debandada que ocorreu vai ser avançar com as reformas”, afirmou.

Segundo Guedes, Mattar saiu porque está insatisfeito com o ritmo das privatizações no governo. “O establishment não deixa. Não avançamos nas privatizações com a mesma velocidade do que na Previdência”, disse Guedes.

Já Uebel pediu demissão por discordar da estratégia do governo federal de deixar parada a reforma administrativa, que faz uma reformulação do RH do Estado. Guedes disse que o “timing” da reforma, engavetada pelo presidente Jair Bolsonaro por mexer com o funcionalismo público, é “político”.

Com as duas saídas de ontem, a equipe econômica soma agora cinco baixas. Nas últimas semanas, Mansueto Almeida já havia deixado o Tesouro Nacional, Caio Megale deixou a diretoria de programas da Secretaria Especial da Fazenda e Rubem Novaes anunciou que deixará a presidência do Banco do Brasil.

A queda de Mattar e Uebel, considerados liberais “puro sangue” do governo, foi interpretada com uma derrota da agenda liberal de Guedes em troca da reeleição do presidente Bolsonaro, que se aproximou de lideranças políticas contrárias à reforma administrativa e à venda das estatais.

Conflito

Durante a campanha eleitoral, o conflito do presidente, um político com viés desenvolvimentista, e a agenda liberal do seu superministro Paulo Guedes, o seu “posto Ipiranga”, foi previsto por economistas e cientistas políticos. A crise da pandemia de covid-19 acirrou os conflitos entre os dois grupos e antecipou a disputa por conta dos planos da retomada econômica, segundo admitem fontes do governo.

Mattar, um dos grandes financiadores do desenvolvimento do movimento liberal no País, nos últimos anos, vinha manifestando desconforto nos bastidores com as resistências em avançar nas privatizações, entre elas, dos Correios e estatais ligados à área de infraestrutura. Há duas semanas, diante de notícias de que deixaria o governo, chegou a disparar mensagens pelo celular e nas redes sociais que continuava animado com o trabalho em Brasília. Ele chegou ao governo com um dos nomes mais festejados da equipe de Guedes.

Com Mattar, nenhuma estatal federal de controle direto que foi privatizada ou liquidada. Pelo contrário. O governo Bolsonaro criou uma nova estatal, a NAV, responsável pela navegação aérea. O Ministério da Economia cita como realizações na área a venda de subsidiárias por estatais-mãe, como a Petrobrás, o que é tecnicamente considerado um desinvestimento, cuja decisão e todo o processo não passa pelo governo.

Já o economista Paulo Uebel não resistiu ao fracasso da reforma administrativa, que foi engavetada pelo presidente. A gota d’água foi a notícia de que o presidente deixaria a sua discussão para 2021, no mesmo dia que o Instituto Millenium, do qual foi um dos dirigentes, iniciou a campanha “Destrava” para que ela voltasse à agenda ainda neste segundo semestre.

“Trocaram a agenda liberal pela eleitoral”, avaliou o deputado Pedro Paulo (DEM-RJ). Segundo ele, a saída dos dois secretários é um sinal de que a agenda liberal perdeu força.


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13 comentários

  1. Avatar

    A esquerda da maconha e da companheirada não se aguentam, mais vou logo dizendo é Bolsonaro 2022!!!Vão chorar mais 4 anos, depois disso vamos pensar em um dos filhos para mais 08 anos. A maldade contra o presidente é tanta que ele continua de pé: Chamaram de racista, fascista, bicicletista , taxista, entre outras idiotices. Ele luta contra GLOBO, UOL, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO, STF, UMA PARTE DO CONGRESSO, PESTISTAS, PSOLISTAS, COMUNISTAS, só coisas ruins que perderam a mamata, sabem quem está do seu lado ? DEUS E A MAIORIA DO POVO DE BEM.

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    2021 vai bater doído!

    O grande plano de governo do Bolsonaro é sua reeleição a qualquer custo. Está ficando sozinho no seu sonho improvável, os bons estão debandando.
    2021 vai bater doído na incompetência!
    Deus proteja o nosso povo!

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      Bolsonaro e o Centrão, quem diria, se juntaram para o governo não ficar sozinho.
      Vão morrer abraçados ou os votos de cabresto dos “coronéis de fazenda” do Centrão vão salvar o presidente e seus novos aliados?

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    A agenda do jair bolsonaro é negar as evidências dos quase 100 mil reais ilícitos que o queiroz depositou na conta da michelle. É tentar salvar o flávio bolsonaro da cadeia por ter saqueado a Alerj e lavado o dinheiro em imóveis e em chocolates. Pode morrer 104 mil de Covid, pode queimar a Amazônia que a prioridade é salvar a familícia.

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      KKK chora na cama que é Lugar quente!!
      104 mil do jeito que essa gentalha está vão chergar a 200 mil, ou será que o bolsonaro está indo nas casas e obrigando o povinho a viver aglomerado… Povo não sossega o rabvo em casa , não estão nem ai. Por mim cda um que lamba a sua c… Eu que sigo tudo direitinho não fico por ai batendo perna atoa to de boa..

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    O sr. Paulo Guedes tem uma cartilha de política econômica que não quer mudar nem mesmo na crise da pandemia.
    O “chicago boy” brasileiro virou o “posto ipiranga” do “seu” Jair por indicação dos banqueiros e grandes empresários e ainda está lá só para atender a esses capitalistas do topo da pirâmide. No máximo vai criar uma CPMF disfarçada para distribuir migalhas aos pobres e atender os desejos eleitoreiros do ex-capitão, que em paralelo precisa justamente dos mais ricos para financiar sua campanha.
    Enquanto isso micros, pequenos e médios empresários vão passando dificuldades por falta de dinheiro em circulação pois o setor de baixo do empresariado não é considerado pelo ministro da economia.

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      Micros, pequenos e médios empresários são os pobres de direita que vivem fazendo manifestações pelo pais apoiando e defendendo o bozo, inclusive o colocaram no poder? Estão reclamando de quê?

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      Se estão reclamando da política do governo federal deve ser bem baixinho para a oposição não escutar.
      Por falta de dinheiro suficiente em circulação muitos vão falir, mas vão levar bastante empregos junto, mas não vão ter coragem de cobrar publicamente do sr. Paulo Guedes uma política econômica para essa emergência.

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    Qual legado deste senhor para o Brasil ?

    Vai com Deus

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    Quem são esses malucos que aceitaram trabalhar com o Guedes?
    R – provavelmente são técnicos competentes, que muito tarde descobrem estarem servindo a quadrilheiros, que são banqueiros e ex-militares.

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    Os bons estão saindo.

    Paulo Guedes já está estressado com o chefe, logo será mais uma baixa.
    Os bons estão desistindo! Não vale a pena queimarem suas biografias.

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