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Estímulo a crédito impedirá que setor imobiliário entre em colapso, dizem empresários e economistas

Matéria publicada em 30 de maio de 2015, 19:54 horas

 


Brasília – O remanejamento de R$ 22,5 bilhões para o crédito imobiliário, anunciado na última quinta-feira (28) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é essencial para impedir que o setor entre em colapso em um momento de alta de juros e de restrições nos financiamentos habitacionais. A avaliação é de economistas e empresários do setor ouvidos pela Agência Brasil.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, disse que as medidas de estímulo mostram que o governo resolveu interferir para impedir que o setor imobiliário se retraia ainda mais depois de um primeiro trimestre de contração na economia. “O reforço no crédito imobiliário demonstra que o governo resolveu olhar para o setor. Até agora, não tínhamos sinal nenhum de ações do governo”.
Para recuperar a construção civil, no entanto, o governo diz que medidas adicionais são necessárias. “Imaginamos que isso seja só o começo de medidas que ponham o setor novamente nos trilhos. Além do setor imobiliário, é necessário estimular a construção pesada, o que deve vir com o anúncio das parcerias público-privadas, das novas concessões de infraestrutura e da terceira fase do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, acrescentou o empresário.
O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, aprovou o remanejamento do compulsório – parcela que os bancos são obrigados a manter retida no Banco Central – para o crédito imobiliário. Apesar de a medida beneficiar um segmento da economia, ele considera o estímulo válido para impedir o agravamento da crise no mercado de imóveis.
“Na verdade, o governo favoreceu o crédito direcionado [destinado a setores específicos da economia] contra o crédito livre [para qualquer tomador de empréstimo]. Mesmo assim, a medida é importante para evitar que um setor importante da economia como o mercado imobiliário sofra ainda mais com a elevação da taxa Selic [juros básicos da economia] e estimule os investimentos”, disse.
O economista, no entanto, faz uma ressalva e entende que a retomada dos financiamentos habitacionais depende muito mais das expectativas em relação à economia do que ações isoladas. “As mudanças nas regras podem levar a resultados melhores no setor imobiliário. Pode porque não adianta oferecer crédito se o empresário não quiser investir na construção de imóveis porque a demanda está baixa”.
Diretora comercial do Banco Máxima, especializado em crédito imobiliário, Cláudia Martinez não considera o remanejamento do compulsório a medida mais importante para o setor. Para ela, a ampliação dos prazos mínimos da Letra de Crédito Imobiliário (LCI) de 60 para 90 dias ajudará a fornecer mais capital para instituições financeiras pequenas e médias em tempos de fuga de recursos da caderneta de poupança.
Segundo Cláudia, o alongamento nos prazos ajuda a evitar o uso das LCI como instrumento de especulação e vai canalizar recursos para os bancos concederem empréstimos imobiliários. “As LCI estão sendo cada vez acionadas como um instrumento importante para a manutenção do segmento imobiliário. Elas são uma alternativa à incapacidade do sistema financeiro de suprir a demanda do mercado e manter minimamente a economia em pé”.
As LCI são títulos privados que permitem aos bancos captar recursos para serem emprestados no crédito imobiliário sem recorrerem à poupança. A maior fonte de dinheiro para esse tipo de empréstimo vem da exigência de que 65% dos depósitos na poupança sejam aplicados em crédito imobiliário. No entanto, a caderneta enfrenta a fuga de recursos, com retirada líquida de R$ 29,9 bilhões de janeiro a abril.
A diminuição dos recursos da poupança fez os bancos aumentar os juros dos financiamentos imobiliários. Além disso, a Caixa Econômica Federal, que concentra 70% do crédito imobiliário no país, diminuiu o limite para o financiamento de imóveis usados, restringindo ainda mais o mercado.


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2 comentários

  1. Brasil secou zenti ! Secou ( largo espectro ) falta dimdim ! BR destruiu o q cimenta estado + povo, a “confiança” ! Realidade de criatividades éticas até no definir Química Contábil como “Contabilidade Criativa”. Definem roubos do dimdim do povo / coisa pública como “desvios” ! Interesse agora é aumentar peso do rolo compressor tributário / arrecadar p/ 2016 eleitoral e garantir 2018 a “continuidade” ! P/corromper ( largo espectro ) prefeituras / câmaras ? OBSERVAÇÃO-1 ! Empresas gastam 1/3 do ano para lidar com impostos ! 2013 p/ levantamentos foram detectados : 46 normas tributárias.br editadas / dia… e a cada 26 minutos, a Receita cria 1 nova regra; OBSERVAÇÃO-2 ! Muito além da “velha / passada” indagação : Br tem preços de “bolha imobiliária” c/ crédito de economia paralisada ? “Recentes Bolhas Gigantes da Via Terráquea.br da Corrupção” se estendem pelo espaço / mundo ! Origem das gigantes ainda 1 mistério ?

  2. O problema no mercado de imóveis não é só a dificuldade de financiamento, mas também e principalmente a falta de dinheiro de quem quer comprar, reflexo da crise econômica como um todo… O setor da construção civil é um dos mais importantes da economia, porém o ramo imobiliário não tem efeito multiplicador igual tem o de obras de infraestrutura, no qual não vejo esforço do governo em incentivar. EUA, Japão e Alemanha devem seu desenvolvimento atual às grandes obras desencadeadas exatamente em meio a crises atrozes…

    Só para efeito de comparação, as obras de um condomínio residencial à vezes gera mais empregos que as de uma rodovia como a do Contorno aqui em VR, porém a rodovia tem efeito multiplicador de riqueza, barateando o frete e propiciando a instalação de novos empreendimento às suas margens. Um shopping também gera receitas e empregos após o termino das obras, mas prédios e casas residenciais, não…

    Então, o governo brasileiro tem que saber definir suas prioridades. O Brasil é um país carente de infraestrutura de todo tipo, o que significa que isso é como um pré-sal esperando recursos para ser explorado. As PPP estão aí para isso…

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