Governo faz ofensiva para acabar com bloqueios

by Diário do Vale
Parados: Principais queixas dos caminhoneiros são o aumento no preço do diesel e dos pedágios (Foto: Divulgação/Jornal das Cidades-MG)

Parados: Principais queixas dos caminhoneiros são o aumento no preço do diesel e dos pedágios (Foto: Divulgação/Jornal das Cidades-MG)

Brasília

Questionada hoje sobre a greve de caminhoneiros que ainda paralisa estradas pelo país, a presidente Dilma Rousseff se limitou a dizer que o pacote de propostas do governo tem “tido uma recepção” junto a lideranças do movimento, e que o governo está empenhado em resolver o problema. Além disso, ontem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, prometeu intensificar as ações de repressão aos bloqueios, seja com multa ou com ações policiais.
– Nós apresentamos um conjunto de propostas. Esse conjunto de propostas foi divulgado pelos órgãos de comunicação e a gente tem visto que elas têm tido uma recepção – disse ela, depois do lançamento do programa Bem Mais Simples:
– Os ministros responsáveis estão todos em atividade e trabalhando nessas propostas. O governo está fazendo todo um esforço na questão da resolução da greve – disse.
Após mais de 10h de reunião na quarta-feira entre caminhoneiros, empresários e governo, as partes das lideranças grevistas aceitaram um pacote de propostas do governo que representa uma forte cessão à pauta dos trabalhadores. Ontem, apesar da continuidade de parte dos bloqueios, há já um movimento de desmobilização.
Em seu pacote, o governo mediou a criação de um tabela de preços de fretes, suspendeu por um ano o pagamento linhas de crédito do BNDES para a aquisição de caminhões e garantiu que o preço do diesel não subirá por seis meses.
O movimento, que começou na semana passada, ganhou força e amplitude nacional na segunda-feira, quando Rodovias no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais foram bloqueadas, causando prejuízo a produtores rurais e indústrias dessas regiões.
As principais queixas dos caminhoneiros são o aumento no preço do diesel e dos pedágios, o que aumenta os custos de transporte em um cenário desfavorável para reajustes nos preços dos fretes.

Pontos Parados

Mesmo com acordo firmado entre governo e caminhoneiros ontem, manifestantes continuam interditando diversas estradas federais. Motoristas enfrentam dificuldades para atravessar 93 pontos de 31 rodovias federais em oito estados, segundo o mais recente balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado ontem.
Em Mato Grosso, há nove interdições nas BRs 364, 163 e 70. Os protestos ocorrem em sete trechos das BRs 163, 463 e 262 em Mato Grosso do Sul. Minas Gerais tem um ponto de bloqueio no km 60 da BR-50, no município de Araguari. A obstrução começou às 11h desta quinta-feira.
Na Bahia, os caminhoneiros bloqueiam o km 211 da BR-20 e os km 874 e 887 da BR-242, no município de Luiz Eduardo Magalhães. No Ceará, a interdição começou ontem às 10h no km 15 da BR-116, em Fortaleza.
Os estados mais prejudicados são o Rio Grande do Sul, com 39 pontos interditados, Santa Catarina, com 14 trechos, e o Paraná, com 19 bloqueios. As manifestações dos caminhoneiros, que chegaram a atingir dez estados, já provocam desabastecimento em algumas cidades, especialmente de combustível.

Crise no Sul

Líderes do movimento dos caminhoneiros que bloqueia as estradas do Sul do país desde a semana passada não deram aval ao acordo anunciado pelo governo federal na noite de e dizem que as promessas da equipe de Dilma Rousseff não resolvem os problemas da categoria. A paralisação, segundo a categoria, será mantida. Pelo menos esta era a posição até a tarde de ontem.
A reportagem ouviu seis líderes da categoria e todos discordam das medidas anunciadas. Nenhum deles participou da reunião em Brasília – e dois desses seis afirmam, inclusive, que “não houve acordo” com os caminhoneiros.
Apesar do anúncio do governo, a paralisação nas estradas federais segue forte no Sul. A região Sul é a que mais tem sofrido com os bloqueios, com falta de abastecimento de alimentos e até remédios. “Não houve acordo algum com o governo, o que houve foi algo vergonhoso. Anunciaram que foi feito acordo para espalhar na imprensa. Nós aqui continuamos parados. Não temos condições nem de pagar o IPVA, vamos permanecer parados pelo tempo que for preciso”, disse Odi Antônio Zani, líder do movimento de paralisação em Palmeira das Missões (RS).
Quatro deles citam que o maior problema do acordo está na não redução do preço do diesel e no “congelamento” dos financiamentos de caminhões.
“Não concordamos com esse pacotão do governo. Não queremos carência, queremos moratória dos financiamentos”, afirmou o secretário-geral do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga) em Francisco Beltrão (PR), Idair Parizotto.
Segundo Parizotto, a proposta apresentada pelo governo é praticamente a mesma de 2012, quando também houve uma greve da categoria. “Não concordamos com esse pacotão do governo. Não queremos carência, queremos moratória dos financiamentos”, diz.
O Sindicat informou que até hoje comércio de seis cidades da região -Pérola d’Oeste, Capanema, Planalto, Santo Antônio do Sudoeste, Pranchita e Barracão- abrirão parcialmente e os comerciantes irão às rodovias para apoiar os caminhoneiros. Segundo a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, parte das prefeituras daquela região vai funcionar parcialmente.
O prefeito de São João, Altair José Gasparetto (PSDB), que preside a Amsop, diz que a entidade entende e é favorável as manifestações dos caminhoneiros.
Já Ivar Luiz Schmidt, um dos representantes do Comando Nacional dos Transportes, foi mais radical e afirmou, em sua página de uma rede social, que o governo é “mentiroso, pois “não houve acordo nenhum”. Segundo ele, quando o governo anunciou o acordo na noite de quarta (25), a reunião com os caminhoneiros ainda não havia acabado. “Nesse momento, esse governo mentiroso chamou a imprensa e disse que havia tido um acordo para dar tempo de sair no Jornal Nacional [da Rede Globo]”, disse.
Depois desse anúncio à imprensa, a reunião entre representantes do governo e de caminhoneiros continuou. Schmidt defendeu, ainda nas redes sociais, que o movimento se radicalize nesta quinta, bloqueando inclusive carros particulares nas estradas. A reportagem tentou, mas não conseguiu falar com ele na manhã de ontem.
No Paraná, segundo a PRF, os caminhoneiros pararam veículos de passeio em Ponta Grossa. Em outras cidades do Estado, o Sinditac diz que os caminhoneiros pararam os carros particulares apenas para conscientizá-los do problema.
O governo prosseguia com as tentativas de negociação e também anunciou, ontem, que apertaria o cerco contra os manifestantes. O valor da multa por caminhoneiros aumentaria para quantias entre R% 5 mil a R$ 10 mil, assim como a repressão policial poderia se tornar mais efetiva. A expectativa é que os bloqueios fossem desmobilizados.

You may also like

diário do vale

Rua Simão da Cunha Gago, n° 145
Edifício Maximum – Salas 713 e 714
Aterrado – Volta Redonda – RJ

 (24) 3212-1812 – Atendimento

(24) 99926-5051 – Jornalismo

(24) 99234-8846 – Comercial

(24) 99234-8846 – Assinaturas
.

Image partner – depositphotos

Canal diário do vale

colunas

© 2024 – DIARIO DO VALE. Todos os direitos reservados à Empresa Jornalística Vale do Aço Ltda. –  Jornal fundado em 5 de outubro de 1992 | Site: desde 1996