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Inadimplência cresce entre empresas e consumidores

Matéria publicada em 20 de julho de 2015, 18:58 horas

 


Número de empresas inadimplentes sobe 5,38% no primeiro semestre; entre consumidores calote subiu 16,4%

Alta: Valor médio das dívidas não bancárias com cartões de crédito, financeiras, lojas em geral cresceu (Foto: Arquivo)

Alta: Valor médio das dívidas não bancárias com cartões de crédito, financeiras, lojas em geral cresceu (Foto: Arquivo)


Brasília – 
O número de empresas com dívidas atrasadas subiu 5,38% no primeiro semestre, divulgaram nesta segunda-feira o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Na comparação com maio, o indicador de junho ficou praticamente estável, subindo apenas 0,09%. No entanto, o total de empresas inadimplentes aumentou 8,05% em relação a junho do ano anterior – o segundo maior crescimento nessa comparação, desde agosto de 2013.

De acordo com a CNDL, a alta da inadimplência das empresas decorre da deterioração da economia. Segundo a entidade, a forte alta dos juros reduziu o faturamento das empresas e aumentou o custo do capital.

O setor com maior crescimento no número de empresas devedoras foi serviços, com alta de 12,56% em junho, em relação ao mesmo mês do ano passado. Em segundo lugar, ficou a indústria, com aumento de 8,71%. Em relação ao estoque das dívidas, as empresas de comércio concentram quase metade das empresas devedoras (49,39%). No setor de serviços, a proporção chega a 37,22%.

Segundo o levantamento, as dívidas mais antigas, com atrasos de três a cinco anos, subiu 13,82% no mês passado, em relação a junho de 2014. O número de devedores com pendências recentes, de até 90 dias de atraso, aumentou 2,3%.

A Região Sudeste puxou o crescimento do número de empresas inadimplentes, com alta de 11,38% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2014. O Nordeste ficou em segundo lugar, com variação de 10,77%. As duas regiões concentram o número de dívidas não pagas: 44,84% e 19,53%, respectivamente.

Consumidores

A inadimplência do consumidor subiu 16,4% no primeiro semestre de 2015, em comparação com o mesmo período do ano anterior. De janeiro a junho, o valor médio das dívidas não bancárias – cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia, energia elétrica, e água – cresceu 24,6% no primeiro semestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2014.

Já os valores médios das dívidas com cheques sem fundos e da inadimplência com os bancos cresceram 10,9% e 0,9%, respectivamente. O valor médio dos títulos protestados caiu 3,3%.
– O crescimento significativo da inadimplência do consumidor no primeiro semestre deste ano pode ser explicado pelas altas da inflação, que corrói o poder de compra dos consumidores; das taxas de juros, que encarecem as dívidas, e do desemprego, que faz o trabalhador perder sua principal fonte de renda – diz nota da Serasa.

Faturamento em baixa

O faturamento real das micro e pequenas empresas paulistas caiu pela quinta vez consecutiva e recuou 10,2% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2014, de acordo com a pesquisa mensal Indicadores Sebrae-SP.

A queda do poder de compra da população tem reduzido o nível de consumo interno e, em maio de 2015 ante maio de 2014, os reflexos foram sentidos pela indústria (-17,4%), comércio (-4,5%) e serviços (-13,6%).

Segundo o Sebrae-SP, o fraco desempenho da economia brasileira impacta negativamente todos os setores. “É um cenário preocupante, porque o ambiente permanece desfavorável às micro e pequenas empresas, que têm menor margem para contornar as adversidades”, diz o Sebrae-SP.

Entre os fatores que prejudicaram o setor estão o aumento do desemprego, o aumento da inflação e a piora na confiança. Com isso, a receita em maio de 2015 foi R$ 45,6 bilhões, o que significa R$ 5,2 bilhões a menos do que em maio de 2014.

Analistas do Sebrae-SP avaliam que há mais gente sem emprego e os preços não param de subir, corroendo o poder de compra. “Com menos para gastar ou medo de gastar porque o que vem pela frente é incerto, o consumidor se retrai e toda a cadeia [produtiva] é afetada”. A expectativa para o segundo semestre é de estabilidade no faturamento para 60% dos proprietários. Em relação à economia brasileira, 45% deles esperam manutenção no nível de atividade, ante 49% em junho do ano passado.

Outros 38% acreditam em piora no nível de atividade econômica no segundo semestre de 2015. Em junho de 2014, o percentual que esperava piora era 22%.


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Um comentário

  1. Avatar

    De quem é a culpa do país está nesse kaos?

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