quinta-feira, 17 de outubro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Economia / Lei regulamenta descontos em compras à vista no comércio

Lei regulamenta descontos em compras à vista no comércio

Matéria publicada em 1 de julho de 2017, 18:53 horas

 


Medida tem como objetivo estimular a economia em meio à crise e oferecer um maior poder de barganha aos consumidores

Mais fácil: Lojistas vão deixar de pagar as taxas das administradoras de cartão e apostam em aumento nas vendas (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Mais fácil: Lojistas vão deixar de pagar as taxas das administradoras de cartão e apostam em aumento nas vendas (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Volta Redonda e Barra Mansa – Em tempos de crise e quando muitos consumidores não abrem mão de uma “pechincha,” antes de efetuar uma compra, uma medida sancionada pelo presidente Michel Temer, no dia 26 de junho, faz com que, por força a lei, os comerciantes e empresários do ramo de serviços cobrem preços diferentes para um mesmo produto, dependendo da forma de pagamento. Ou seja, na prática, a lei regulamenta os descontos em compras à vista ou paga em dinheiro em espécie.

A medida tem como objetivo melhorar o ambiente de negócios, estimular a economia em meio à crise e oferecer um maior poder de barganha aos consumidores. Para os presidentes das CDLs (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Volta Redonda, Adriano Santos, e de Barra Mansa, Xisto Neto, a medida será positiva no sentido de estimular os pagamentos em dinheiro. Conforme destaca ao presidente da CDL de Volta Redonda, essa foi uma ótima decisão do governo federal, porque traz mais flexibilidade na negociação com os consumidores, que vão ter o benefício do desconto para pagamento à vista, no dinheiro, e para o lojista que poderá conquistar, principalmente, os clientes que preferem esse tipo de pagamento.

– Acreditamos que influencia positivamente porque o pagamento à vista é dinheiro em caixa que possibilita um giro maior de capital. Em meio à crise, a medida pode estimular as vendas no dinheiro porque, hoje as pessoas estão mais criteriosas para comprar e, se podem ter o benefício do desconto, podem optar em comprar mais barato e usar a diferença para comprar outro produto. Em tempo de crise, saber usar o dinheiro de forma consciente é fundamental para todos os lados, consumidores e empresas – observa Adriano Santos.

De acordo com Santos, hoje o cartão de crédito responde pela maioria das vendas, embora muitos consumidores utilizem com frequência a opção de débito, também considerada à vista. Porém, conforme ele explica, nesta situação, os comerciantes acabam pagando uma taxa para a administradora do cartão que, por ser de alto custo, acaba embutida nos preços.

– Já, no pagamento à vista, em dinheiro, o lojista sempre oferecer o desconto dessa taxa que é, em média, de 5%, que é um percentual que pode ser revertido para o consumidor – explicou o presidente.

Segundo Santos, o percentual de desconto repassado ao consumidor depende de vários fatores, entre eles: estoque, estratégias de liquidação e preço negociado junto a fornecedores, e até do objetivo da loja, se é vender mais ou levantar capital de giro com pagamentos em dinheiro pelo cliente. “Mas, existem lojas que chegam a oferecer até 30%. Isso depende da situação de cada empresa”, comenta o presidente.

A favor da livre negociação

Embora acredite que a medida que garante o desconto à vista possa estimular as vendas com essa forma de pagamento, o presidente da CDL de Barra Mansa, Xisto Neto afirma que, na sua opinião, a lei apenas irá autorizar o que já acontecia no mercado. Para ele, tanto neste momento de crise, como em qualquer outro, a livre negociação entre cliente e fornecedor não deveria ter a mão do governo.

– Cada forma de pagamento tem seu ônus e isto pesa na hora de uma negociação. Mas, acredito sim que em meio à crise a medida vai influenciar nas vendas à vista e também no sentido de pressionar as administradoras de cartão de crédito a baixarem suas taxas para não perderem receita -comentou o presidente, ao acrescentar que realmente o cartão desponta como a forma escolhida para pagamento, no entanto, como muitos clientes estão inadimplentes, o uso de dinheiro em espécie também tem sido muito procurado.

Com a medida em vigor, Xisto explica que o percentual de desconto oferecido ficará à cargo da negociação entre as empresas e consumidor, até porque cada segmento paga taxas diferentes para as administradoras. “Isso vai depender muito da estratégia de vendas de cada um e do segmento em que atua. Mas o fato é que o empresário terá como benefício, ao oferecer o desconto para pagamento à vista um menor custo de operação e o recebimento imediato do dinheiro, ao contrário das vendas no cartão que podem segurar este valor de dias a vários meses”, destacou Xisto.

Comerciantes aprovam a medida

Quem trabalha no setor de varejo também considerou a medida benéfica para o próprio negócio. É o que afirma a empresária Elaine Daniel, que tem uma loja de roupas no centro de Barra Mansa. Para ela, a lei tem um impacto em duas vertentes: um delas é o fato de muitas pessoas, por questão de comodidade e segurança, optarem pelo cartão de débito. Já a outra é a oportunidade de os lojistas deixarem de pagar as taxas das administradoras de cartão.
– Para nós, comerciantes, é muito bom porque deixamos de pagar a taxa do débito que, na verdade, impacta no nosso preço de venda. Pagamos 2,5% sobre o débito que, se colocado no final das contas, é muito coisa. Eu, por exemplo, opto por passar esse desconto para o cliente. Lógico que, de maneira sutil, já que a lei ainda não estava em vigor, eu já falava com o cliente sobre a possibilidade de desconto, caso o pagamento fosse em dinheiro. Pagando em dinheiro é possível melhorar o preço para o consumidor – disse a empresária.

O comerciante Felipe Dias tem uma loja de artigos, roupas e calçados femininos e também avalia como positivo o estímulo do desconto para pagamento em dinheiro que, segundo ele, além de aumentar o caixa, com rapidez, ainda ajuda a reduzir a perda com a inadimplência dos clientes.

– Negociar o desconto para pagamento em dinheiro é possível e, dependendo do produto e do valor, isso acaba sendo atrativo para o consumidor, que com o tempo acaba adotando a prática de só comprar à vista – ressalta Dias.

Balanço do semestre

Ainda que em meio as dificuldades, o presidente da CDL de Volta Redonda, ao avaliar o primeiro semestre do ano, afirmou que o período foi positivo porque o consumidor não deixou de comprar, embora tenha ficado um pouco mais exigente, buscando negociar mais e alternativas a preços x qualidade. No município, ele destaca que a CDL, em parceria com outras entidades e o Poder Público, promoveu duas edições do projeto Rua de Compras, que possibilitou um aumento significativo de vendas em apenas dois domingos.

– As vendas no primeiro semestre registraram um crescimento entre 2% e 5%, dependendo do setor, comparado a igual período no passado. Para este semestre, que se inicia, nossa expectativa é de continuar nesse caminho, melhorando os resultados, em pelo menos 7%, o que em tempo de crise, pode ser uma  boa notícia”, disse o presidente. Com relação a inadimplência, nos seis primeiros meses de 2017, Santos afirmou que houve um aumento em torno de 9,5%, considerando que muitas pessoas perderam empregos. “Mas o bom é que com a liberação das contas inativas do FGTS, muitos buscaram honrar seus compromissos, quitando dívidas, o que ajudou que esse percentual não fosse ainda maior – comentou o presidente.

Já em Barra Mansa, o presidente da CDL disse que houve um pequeno aquecimento no primeiro trimestre, porém que o segundo trimestre sofreu uma desaceleração. Para os últimos meses de 2017 ele afirma que a expectativa é positiva. Nos próximos meses, além do Dia dos Pais, também são comemoradas datas importantes para o comércio como o Dia das Crianças e o Natal. “Creio que este ano terminará com um crescimento de 5% nas vendas sobre 2016. Também sentimos um pequeno aumento na inadimplência, mas é importante ressaltar que a insegurança no mercado tem feito as empresas serem bem mais rigorosas na liberação de crédito”, observa Xisto Neto.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Avatar
    agafjgjjkWantuil fortes Silvério

    Isso já era praticado no comércio varejista. Eu mesmo há um ano, comprei um tênis no valor de 160,00 reais no débito e no crédito +paguei apenas 135,00 reais no dinheiro ,fui até um caixa eletrônico saquei o valor à maioria dos comerciante estão fugindo das taxas dos cartões …

Untitled Document