Mercado de trabalho começa a diminuir

Por Diário do Vale
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Sul Fluminense

As previsões de desempenho ruim da economia para este ano já começam a se concretizar. O nível de emprego – um dos poucos indicadores que ainda estavam no terreno positivo – já começa a apresentar redução. A montadora PSA Peugeot-Citroën, de Porto Real, comunicou esta semana ao Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense a intenção de demitir 800 empregados e fechar um turno inteiro de produção.

As montadoras estão entre os setores mais atingidos pela desaceleração econômica, vindo de dois anos (2013 e 2014) de resultados ruins e com perspectivas de um 2015 também fraco, pelo menos nos primeiros meses.

Outro setor que preocupa é construção naval, altamente dependente das encomendas da Petrobras. Com a estatal mergulhada em uma crise financeira com reflexos políticos, o risco de redução nos empregos também é alto.

Já o empresário Mauro Campos Pereira, embora confirme o aperto econômico, acredita que o setor que ele representa – a construção civil habitacional – por ser um investimento seguro e, em alguns casos, considerado gênero de primeira necessidade, deverá ser menos atingido pela crise econômica deste ano. O mesmo, no entanto, segundo Mauro, não deve acontecer com a construção industrial e o setor público, que sofrem imediatamente devido a redução dos investimentos.

– Enfrentamos um esvaziamento econômico o, que dificultará ainda mais o comércio, mas acredito que o setor menos afetado seja o da construção habitacional, em especial aqueles destinados aos imóveis com custo até R$ 250 mil – concluiu o empresário.

 

Inflação preocupa

O reajuste, mesmo que discreto, em diversos produtos consumidos diariamente pelos brasileiros deixou muita gente preocupada com os rumos da economia nacional. O aumento das tarifas públicas veio agravar ainda mais a sensação de insegurança de uma população que já viveu um período onde a inflação atingia três dígitos. O sinal de alerta econômico não é para menos, pois segundo especialistas, este, será o ano em que a economia deverá caminhar de lado.

A economista Sônia Vilela afirma que o governo federal terá menos capacidade para investir em diversos setores em 2015. Esta ação terá reação direta nas empresas que, deverão postergar seus investimentos, mantendo o mínimo necessário de produção, o suficiente apenas para continuarem competitivas e rentáveis. Sônia lembra ainda, que a previsão para o próximo ano é ainda mais complicada, pois espera-se um severo ajuste fiscal, com cortes de gastos e aumento na arrecadação de impostos.

Isso porque a meta é atingir um superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto), medida necessária para ajustar a economia. Nesse momento de aperto, alguns setores sofrem mais que outros, como por exemplo, os de bens de consumo duráveis que, por conta do ajuste fiscal e do aumento de impostos, além de um novo ciclo de alta dos juros, devem configurar a lista daqueles que passarão um bom período em alerta.

Sônia Vilela acredita que os investimentos, em especial nestes setores, serão prejudicados pelas incertezas sobre o abastecimento de água e energia, além dos já conhecidos problemas de competitividade e o menor consumo das famílias. A construção civil é outro setor, que na avaliação da economista, passará por apertos econômicos, devido ao envolvimento de empreiteiras na Operação “Lava Jato”, onde a Polícia Federal apura denúncias de corrupção envolvendo empresários e membros do governo federal.

 

Reforço

A exemplo da economista Sônia Vilela, o presidente da ACIAP/VR (Associação Comercial Industrial e Agropastoril), Joselito Magalhães, considera que a economia brasileira está em um momento delicado devido ao PIB, que vem registrando percentuais bem abaixo do esperado.

– Teremos um ano com PIB mais abaixo ainda. E esse modelo de PIB baixo, aliado a inflação alta, vem sufocando nossa cadeia produtiva, que se soma a alta da taxa de juros e do dólar – explicou o empresário, avaliando que os reflexos desta economia já podem ser sentidos devido as demissões iniciadas no final do ano passado.

Ao avaliar 2014 como um ano fraco, um dos mais fracos dos últimos tempos, o empresário afirma que a indústria ficou estrangulada e o comércio não está aquecido. Tudo isso teve um reflexo: caiu na conta do mercado de trabalho, gerando demissões em alguns setores. “Ninguém gosta de demitir, pois um salário representa o sustento de uma família, sendo em alguns casos, de mais de uma família”, avaliou o presidente da ACIAP/VR, lembrando que, na região, algumas empresas de grande porte adotaram o sistema de férias coletivas,

E nesse momento que requer um pouco mais de atenção, o brasileiro não deve relaxar. A dica da economista Sônia Vilela é agir com muita cautela para não ser pego de surpresa. O ideal, segundo a especialista, é procurar não se endividar e consumir com racionalidade, esperando a poeira abaixar. Já o empresário Joselito Magalhães vai um pouco mais além e lembra que por se tratar de um país com muitas riquezas é possível dar a “volta por cima”, desde que o governo interfira de forma racional e inteligente.

– Os orientais dizem que nos momentos de ‘crise’ temos que tirar o ‘S’ e ‘criar’ situações favoráveis. É, isso que o governo precisa fazer, pois é o que todo brasileiro deseja – ressaltou o presidente da ACIAP/VR, entidade que agrega 800 associados do segmento do Comércio, Indústria, Prestação de Serviços, Agro Pastoril e Profissionais Liberais.

 

Por Lilian Silva

(ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO VALE)

 

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1 Comentário

ÊTA POVINHO desprovido de discernimento 7 de março de 2015, 15:58h - 15:58

Pois é, não leram o DV e as minhas previsões lá em 2012, agora amargam a recessão, né?! Em meados de 2012 estive aqui alertando a burrada da Dilma/PT que para ganhar as prefeituras e mostrar ao mundo a sua eficiência (com direito a sair em revista internacional como a mulher do ano) forçando a baixa da SELIC em plena crise financeira mundial (começada pelos americanos em 2008, diga-se de passagem). De lá para cá vi muita gente se endividando diante dos juros baixos, inclusive aqui no Sul Fluminense o prefeito atual e muitos empresários alardeando grandes investimentos. Agora que precisamos movimentar a economia estão todos endividados, né?! Nem com os banqueiros podendo usar os 50% dos compulsórios (bilhoes de reais) no BC para empréstimos está resolvendo. http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2014/07/bancos-poderao-usar-ate-50-do-dinheiro-retido-no-bc-para-conceder-emprestimos

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