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Montadoras da região descartam demissões

Matéria publicada em 28 de fevereiro de 2015, 13:53 horas

 


Vendas de duas das três fábricas de veículos em funcionamento continuam em queda, mas cortes já foram feitos

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Sul Fluminense

Apesar de o ano ter fechado com queda nas vendas para todas as montadoras com fábrica na região, os metalúrgicos que trabalham nessas empresas não correm risco de novas demissões em massa, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense.

Isso ocorre porque tanto a MAN Latin America quanto a PSA Peugeot Citroën já fizeram ajustes: a montadora de caminhões e ônibus de Resende já assinou um acordo com o sindicato, comprometendo-se a manter o número de empregados, em troca de reajuste zero nos salários em 2015. Já a montadora de automóveis de Porto Real fez um Plano de Demissões Voluntárias (PDV), no ano passado e ajustou seus níveis de produção ás condições do mercado.

A recém-inaugurada fábrica da Nissan, que já começou a funcionar em ritmo menos acelerado do que era previsto, também deve manter seu pessoal, até por ser a montadora com melhores números na região.

 

As vendas

 

A Nissan fechou 2014 com 60.768 veículos emplacados, caracterizando uma queda de 2,3% sobre as 62.220 unidades de 2013. Os resultados da montadora japonesa para janeiro de 2015, porém, foram positivos: 5.598 veículos licenciados, contra 5.336 no mesmo mês de 2014, caracterizando um crescimento de 4,9%.

A PSA Peugeot-Citroën terminou o ano passado com 89.542 veículos licenciados, contra 116.330 em 2013, o que leva a uma redução de 23%. Em janeiro deste ano, a empresa licenciou 6.019 carros, enquanto em janeiro de 2014 foram 10.652. A queda de 43% pode ser parcialmente explicada pelo fato de, em janeiro do ano passado, ter havido uma “corrida” para a compra de unidades com IPI menor.

A MAN Latin America emplacou 15.029 caminhões no ano passado, em queda de 2,4% na comparação com os 15.392 de 2013. Em janeiro deste ano, foram 2.270, contra 2.847: uma redução de 20,3%.

 

 Vendas de veículos caíram em todo o país

 

A venda de veículos teve queda de 7,1% em 2014, com a comercialização de 3.498.012 unidades na comparação com o ano anterior quando foram negociados 3.767.370 veículos. Em dezembro o aumento foi 25,6% com a venda de 370.028 unidades, em relação a novembro, quando foram licenciados 294.651 carros. Na comparação com dezembro do ano passado – 353.843 veículos vendidos – houve aumento de 4,6%. Os dados foram divulgados hoje (8), pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Mesmo com a melhora em dezembro as vendas foram insuficientes para reverter o desempenho do ano. Um ponto positivo foi a retomada do crédito a partir de setembro. A média de financiamentos para carros novos, entre setembro e novembro, aumentou 11% contra janeiro a agosto” disse o presidente da associação Luiz Moan. Segundo ele, no caso dos carros usados o crescimento foi 10,7%.

Segundo as informações, a produção caiu 15,3% no ano, com 3.146.118 novos veículos montados, ante os 3.712.380 de 2013. “A queda da produção se alia a baixa exportação e a redução dentro do mercado interno. Tivemos dificuldades na produção, porque havia nível de estoque grande. Há duas maneiras de fazer ajuste: uma é aumentando [a] venda e a outra é reduzindo a produção”, explicou Moan.

A indústria automobilística exportou, em 2014, 334.501, 40, 9% a menos do que os 566.299 veículos exportados no ano anterior. Em dezembro houve queda de 8,7% ante novembro (25.971), com a comercialização de 23.720 veículos no mercado externo.

Moan avaliou que a queda nas exportações é resultado, principalmente, da diminuição das vendas para a Argentina. “Esse país teve dificuldades macroeconômicas no ano de 2014 o que impactou no licenciamento de veículos importados que foram de apenas 683 mil veículos, ou seja, uma queda de 29% em relação ao mercado de 2013”.

Segundo a entidade o setor deve fechar 2015 com as vendas internas repetindo os números de 2014. A exportação crescer 1% e a produção cresce 4,1%. O presidente da Anfavea disse que as vendas devem cair em parte por causa do impacto da volta da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A projeção Anfavea para este ano reduz a participação dos importados no mercado brasileiro de 17,6% para 16% o que também deve impactar as vendas no mercado interno.

 

Resultado de janeiro

 

No dia 5 de fevereiro, a entidade apresentou o balanço do setor no mês de janeiro. Foram comercializadas 253,8 mil unidades diante das 370 mil vendidas em dezembro. Em relação a janeiro de 2014, a queda é menor: houve recuo de 18,8%. Em relação à produção, os dados mostram um pequeno avanço de 0,4% na produção em relação a dezembro. Em números absolutos, foram produzidos 204 mil veículos no fim do ano passado e 204,8 mil neste ano. Na comparação com janeiro de 2014, houve redução de 13,7% na produção. Nos últimos 12 meses, a produção acumula queda de 14,9%.

Apesar de confiar nas mudanças econômicas propostas pelo governo, Moan credita a esses ajustes o resultado ruim de janeiro. “Embora nós apoiemos e entendamos essas medidas como necessárias para uma reorganização do nosso sistema econômico, infelizmente, no mês de janeiro sentimos esse impacto no crescimento. Já esperávamos que o primeiro trimestre apresentaria números bastante negativos”, avaliou o presidente da Anfavea. Ele destacou, como um cenário positivo, a paulatina retomada do crédito. O balanço da entidade mostra que a participação de veículos financiados aumentou de 63%, em dezembro, para 66%, em janeiro.

A Anfavea manteve as projeções de crescimento apresentadas anteriormente. Em relação às vendas, estima-se que o número de unidades comercializadas deve permanecer em cerca de 3,498 milhões, assim como ocorreu em 2014. No quesito produção, a associação aposta em uma alta de 4,1%. Para a venda e a produção de máquinas agrícolas e rodoviárias, a projeção também é de estabilidade. As exportações em ambos categorias devem ter crescimento de 1%, na avaliação da entidade.

Questionado se a expectativa de um primeiro semestre fraco trará problemas para a manutenção do emprego, Moan declarou que isso depende das decisões de cada montadora. Ele avalia, no entanto, que o esforço das filiadas é sempre pela manutenção dos funcionários. “Esses mecanismos de férias coletivas, banco de horas, licença remunerada são meios de proteção do emprego. As empresas trabalham dessa forma porque é um funcionário qualificado, fruto de investimentos vultosos das empresas”, declarou.

No início deste ano, Volkswagen anunciou a demissão de 800 funcionários. Após uma greve de dez dias da categoria e de reuniões mediadas pelo governo federal, os trabalhadores foram readmitidos.

 

 


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3 comentários

  1. Esse governo não percebe que com desoneração todos ganham?

  2. MAN, Peugeot e Nissan já fizeram várias demissões ano passado. Se demitirem mais, as fábricas param.. Já estão operando com o mínimo possível. Resultado de uma economia fraca e este (des)governo do PT que não enxerga nada além de vantagens para o próprio partido.

  3. A PSA anunciará nesta terça-feira um plano de redução de horas trabalhadas e consequentemente salário menor!

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