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Retomada da obra de Angra 3 pode deixar conta de luz mais cara

Matéria publicada em 21 de novembro de 2018, 09:32 horas

 


Usina é vista como estratégica para militares. (crédito Divulgação)

Brasília – A retomada das obras da usina nuclear de Angra 3 sairá mais cara para o consumidor do que abandonar o projeto. Para se ter ideia do impacto, o estudo mostra que se Angra 3 fosse substituída por projetos de energia solar no Sudeste – mais caros que outras fontes como hidrelétricas, eólicas e algumas térmicas – haveria uma economia de R$ 6,6 bilhões.

O investimento em energia nuclear, no entanto, é considerado estratégico por boa parte dos militares, e o interesse em concluir Angra 3 já foi sinalizado pela equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

A Usina de Angra 3 começou a ser construída nos anos 1980. A obra ficou paralisada por décadas e o projeto foi retomado em 2010, mas novamente suspenso em 2015, com 60% das obras finalizadas.

A usina foi alvo da Operação Lava Jato e suspeitas de irregularidades em seus contratos levaram até à prisão do presidente da Eletronuclear.

Finalizar a obra custaria cerca de R$ 17 bilhões, abandoná-la, R$ 12 bilhões —considerando os custos para quitar empréstimos, desmontar a estrutura, ressarcir contratos rompidos e pagar dívidas.

Para os defensores do projeto, a diferença “relativamente pequena” tornaria o custo-benefício favorável à conclusão. Ocorre que a conta para os consumidores vai ser bem maior. Em outubro, CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), um comitê do governo, acatou pedido da Eletrobras e praticamente dobrou o preço da energia de Angra 3 para R$ 480 por MWh (megawatt-hora).

Analistas envolvidos na retomada do projeto vinham afirmando que o valor anterior era muito baixo e que, sem uma alta, seria inviável retomar as obras.

O diretor da PSR Bernardo Bezerra questiona essa lógica. “Deveriam concluir a obra de Angra 3 se fosse mantida a tarifa anterior [de cerca de R$ 240]. Se essa tarifa torna a usina inviável, é melhor parar a obra, pagar o custo necessário e adotar a solução mais atrativa ao consumidor”, diz.

Para mostrar o efeito financeiro sobre a conta de luz dos brasileiros, a consultoria contabilizou o gasto para desativar Angra 3 e os custos para erguer e operar projetos solares. Somou tudo, e concluiu que haveria uma economia de R$ 6,6 bilhões.

“Usamos a energia solar apenas como exemplo, poderia ser outra fonte”, diz Bezerra.

Um analista do setor, que preferiu não se identificar para não entrar em polêmicas com órgãos estatais, concorda que há alternativas mais baratas para os consumidores. Destaca que opções com características semelhantes à energia nuclear, como térmicas movidas a gás natural, seriam mais econômicas.

A vantagem de Angra 3, segundo ele, seria de outra natureza: o desenvolvimento de tecnologia nuclear nacional, considerada estratégica por alguns.

Para Raphael Gomes, sócio da área de energia do Demarest, a fonte nuclear traz vantagens importantes: não polui e dá segurança ao sistema elétrico do país. No entanto, o novo preço é questionável.

“Retomar a obra seria importante, mas não a esse custo, muito acima das usinas que têm sido contratadas nos leilões recentes”, afirma.P ara ele, além do preço, o modelo de contratação, que prevê que os custos sejam integralmente repassados à conta de luz, poderia ser revisto.

O TCU (Tribunal de Contas da União) também ficou preocupado com os custos. Abriu uma auditoria para analisar os critérios de retomada das obras e seus efeitos sobre os custos finais. A previsão é que essa análise seja concluída em março de 2019.


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Um comentário

  1. Infelizmente o preço a se pagar por esse tipo de energia é sem precedentes, uma vez que o resíduo da fissão fica dentro da usina e – jamais – poderá sair de dentro dela e como são usinas de tecnologia velha, ultrapassadas, o tempo de vida delas é menor que as mais modernas, resta a pergunta o que fazer com essas usinas depois que elas forem desativadas, pois as futuras gerações é que terão que decidir sobre o que fazer para “tratar” todo o lixo gerado que leva milhões de anos para ficar inerte.

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