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Superávit comercial de agosto cai 32,5% em relação ao mesmo mês de 2017

Matéria publicada em 3 de setembro de 2018, 21:19 horas

 


Resultado positivo diminui por causa do aumento no volume de importações; acumulado do ano está em 37,8 bilhões de dólares

Importações crescem e saldo comercial tem valor mais baixo em agosto
(Foto: Tânia Rego – Agência Brasil)

Brasília – O crescimento das importações decorrente da recuperação da economia voltou a reduzir o saldo da balança comercial. Segundo dados divulgados há pouco pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o país exportou US$ 3,775 bilhões a mais do que importou no mês passado, queda de 32,5% em relação ao resultado positivo de US$ 5,592 bilhões em agosto de 2017. Esse é o superávit mais baixo para o mês desde 2015 (US$ 2,685 bilhões).
Com o resultado de agosto, a balança comercial – diferença entre exportações e importações – acumula superávit de US$ 37,811 bilhões nos oito primeiros meses de 2018. O valor é 21,8% inferior ao do mesmo período do ano passado pelo critério da média diária.
O recuo do saldo da balança deve-se ao maior crescimento das importações em relação às exportações. No mês passado, as vendas externas somaram US$ 22,552 bilhões, alta de 15,8% em relação a agosto de 2017 pelo critério da média diária. Segundo o MDIC, esse foi o segundo maior valor exportado para o mês, só perdendo para agosto de 2011. As importações, no entanto, somaram US$ 18,777 bilhões, alta de 35,3% em relação a agosto do ano passado, também pela média diária.
O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, destacou que o país bateu recorde nas exportações de soja, tanto em valor como em quantidade, em agosto. Outros itens, como petróleo bruto, minério de ferro, aviões e plataforma de petróleo, também foram destaque nas vendas externas brasileiras. Desde dezembro de 2016, as exportações têm subido em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Setores

As vendas de manufaturados puxaram as exportações, com alta de 35,1% em relação a agosto de 2017, com destaque para uma plataforma de petróleo exportada para o Panamá, turbinas e aquecedores e secadores.
As exportações de produtos básicos subiram 16,4%, com destaque para farelo de soja (+46%%), soja em grão (+43,7%) e minério de cobre (+43,1%). As vendas de semimanufaturados, no entanto, caíram 24,2%, puxadas pela retração das exportações de semimanufaturados de ferro e aço (-85,2%), açúcar bruto (-48,3%) e couros e peles (-31,2%).
Em relação às importações, que cresceram mais que o dobro das exportações em agosto, as compras de bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) aumentaram 158,2% em relação a agosto do ano passado. As importações de combustíveis e lubrificantes subiram 55,4%. As compras de bens intermediários cresceram 16,2%; e as importações de bens de consumo, 13,7%.
No ano passado, a balança comercial fechou o ano com superávit recorde de US$ 67 bilhões, beneficiado pela supersafra e pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional). Para este ano, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços manteve a projeção de superávit em torno de US$ 50 bilhões, por causa da estabilização do preço dos bens primários e da recuperação da economia, que impulsiona as importações.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Devolução de plataformas de petróleo infla importações do país

O crescimento das importações, que está diminuindo o saldo da balança comercial, não se deve unicamente à recuperação da economia. As compras externas estão sendo infladas pela devolução de plataformas de petróleo, que precisam ser internalizadas no país até 2020.
Em agosto, uma plataforma registrada na China, mas que operava no Brasil, voltou a fazer parte do patrimônio de uma empresa brasileira. O impacto sobre a balança comercial só não foi maior porque, também no mês passado, o Brasil exportou uma plataforma de petróleo para o Panamá.
As devoluções de plataformas de petróleo ocorrem desde julho. Isso porque as novas regras do Repetro estabelecem alíquotas menores para a importação de bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção). O retorno das plataformas ao Brasil – no papel – ocorrerá gradualmente até 2020.
As operações com as plataformas de petróleo inflaram as importações em agosto, mesmo com o crescimento das vendas externas. No mês passado, o Brasil importou US$ 18,777 bilhões, alta de 35,3% sobre agosto do ano passado pelo critério da média diária. As exportações totalizaram US$ 22,552 bilhões, alta de 15,8%, também pela média diária. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), esse foi o segundo maior volume de exportações para meses de agosto, só perdendo para 2011.

Argentina

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, disse que a crise cambial na Argentina tem desacelerado as exportações brasileiras para o país vizinho. Ele acrescentou que o governo continuará monitorando à evolução da crise para avaliar possíveis impactos sobre a balança comercial. Segundo o secretário, nos últimos quatro meses, o valor das vendas do Brasil para a Argentina tem caído.
“A Argentina é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil, representa em torno de 7% a 8% das nossas exportações. Obviamente, o desempenho econômico da Argentina está diretamente relacionado ao desempenho comercial do Brasil”, disse Abrão Neto. Apenas em agosto, as exportações do Brasil para a Argentina caíram 4,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Hoje, o presidente argentino, Jorge Macri, anunciou o corte de ministérios e a taxação das exportações para reduzir o rombo fiscal. Segundo Abrão Neto, a princípio, a tarifa sobre as exportações argentinas não deverá ter impacto significante sobre o Brasil porque o país não compra ou compra pouco a maioria dos produtos taxados pelo governo argentino, como soja e carne. Ele, no entanto, evitou comentar se a medida afetará as vendas de trigo, produto que o Brasil importa em grande quantidade do país vizinho.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil


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Um comentário

  1. Avatar

    Recuperação fajuta, porque se o país estivesse crescendo de verdade o superávit aumentaria com as exportações… Importa-se muito porque a indústria nacional foi seriamente afetada durante o governo de Dilma, e Temer, o mosca morta, não sai de seu caixão para urdir acordos bilaterais, coisa que é essencial para qualquer presidente que se considere digno do cargo que ocupa…

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