Trabalhadores votam proposta que pode evitar demissões na PSA Peugeot Citroën

Por Diário do Vale
Possibilidade: Empregos na PSA Peugeot Citroën podem ser preservados com aprovação de proposta e produção mínima de 60 mil veículos  (Foto: Arquivo)

Possibilidade: Empregos na PSA Peugeot Citroën podem ser preservados com aprovação de proposta e produção mínima de 60 mil veículos
(Foto: Arquivo)

Porto Real e Volta Redonda
Os trabalhadores da PSA Peugeot Citroën votam amanhã uma proposta que pode evitar o fim de um dos turnos de trabalho e a demissão de centenas de trabalhadores. A oferta surgiu depois que o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense fez uma mobilização com a categoria, ao ser informado de que a montadora estava considerando a possibilidade de fazer mais demissões. A diretoria do sindicato havia chamado os trabalhadores para uma paralisação caso fosse mantida a previsão das dispensas.
A negociação entre sindicato e montadora foi realizada no último sábado e a oferta feita pela PSA Peugeot Citroën garante a manutenção dos dois turnos de produção até o fim deste ano, desde que a produção na fábrica de Porto Real fique em, no mínimo, 60 mil veículos até o fim do ano. Fontes ouvidas pelo DIÁRIO DO VALE afirmaram que essa meta tem grandes possibilidades de ser atingida, já que a programação atual prevê cerca de 80 mil veículos este ano, contra mais de 89 mil produzidos em 2014. Uma produção abaixo de 60 mil veículos implicaria uma queda de 25% sobre uma meta já reduzida, o que, segundo a fonte, se não é impossível, é pouco provável.

Acordo coletivo

A proposta que os trabalhadores da PSA Peugeot Citroën vão votar amanhã (10) inclui a antecipação da negociação do Acordo Coletivo de 2015.
Os principais itens do acordo que será votado são os seguintes:
– Reajuste salarial zero;
– Garantia dos dois turnos de trabalho, até dezembro/15, desde que o volume produzido em Porto Real não seja menor do que 60 mil veículos durante o ano de 2015;
– Manutenção do valor do PPR em R$ 6.000,00 (seis mil reais), com antecipação de R$4.000,00 em 14/03/2015 – a data ainda será confirmada;
– Manutenção do valor de R$ 100,00 (cem reais/mês) do Ticket Alimentação;
– Duas cargas extras de R$ 500,00 (quinhentos reais cada uma) no valor do Ticket Alimentação nos meses de abril e dezembro/15,  totalizando R$ 600,00 de carga nesses 2 meses;
– Antecipação de 50% do 13º Salário em julho/15, mediante solicitação do colaborador;
– Manutenção das demais cláusulas do acordo anterior.

Precedente

Um acordo similar – com garantia de manutenção de empregos e previsão de reajuste zero – foi firmado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense com a MAN Latin America, que produz caminhões e ônibus em Resende.
Para evitar as demissões na MAN, uma série de medidas foi tomada. Entre elas, está a diminuição da carga horária de trabalho com a redução salarial proporcional. Além disso, haverá uma compensação financeira de R$ 2,5 mil pela não aplicação do reajuste salarial em maio deste ano. E mais: a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) será no valor fixo de R$ 2,6 mil, sendo a primeira parcela, de R$ 2 mil, será paga em 15 de maio de 2015; e segunda, de R$ 600,00, em 15 de janeiro de 2016.

Nota oficial

Em nota, a assessoria de Imprensa da PSA Peugeot Citroën informou que a montadora “tem mantido um contato constante com o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense para discutir alternativas para superar os grandes desafios resultantes da difícil situação atual no mercado automotivo”.
A empresa confirmou a antecipação do acordo coletivo de 2015 e afirmou que “mantendo condições e benefícios importantes, a PSA Peugeot Citroën tem como objetivo reduzir ao máximo o impacto em seus colaboradores, ao mesmo tempo em que busca garantir a sustentabilidade de suas operações no longo prazo.”

Ministro diz que acordo com México deve
melhorar situação da indústria automotiva

Rio
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, a renovação do acordo automotivo do Brasil com o México é “uma forma de compensar a diminuição do mercado doméstico”.
Pelo acordo, renovado ontem, será mantido o regime de cotas para o comércio de carros entre os dois países. Até março de 2019, Brasil e México poderão exportar um para o outro sem o pagamento de Imposto de Importação.
No entanto, a cota de exportação foi reduzida no novo acordo do atual US$ 1,64 bilhão para US$ 1,56 bilhão nos primeiros doze meses.
Depois, o ritmo de crescimento anual no valor das cotas será de 3%. No contrato anterior, ele era de 7,5% para 2013-2014 e 5,1% para 2014-2015.
“Eu considero que o acordo traduz um ponto de equilíbrio, considerando as condições presentes hoje na atual conjuntura. Do nosso ponto de vista, o mercado doméstico do Brasil vive um momento de certa contração. No ano passado vivemos uma queda nas vendas domésticas da ordem de 7,5%. Uma pequena redução da cota traduz exatamente esse ajuste. É uma forma, ao meu ver, de compensar um pouco essa diminuição do mercado doméstico, preservando o sistema de cotas que, ao meu ver, é o mais adequado visando algumas assimetrias no comércio bilateral nessa área”, declarou o ministro na cerimônia de assinatura do novo contrato, nesta segunda, no Rio.
Monteiro afirmou ainda que o acordo prevê o livre-comércio a partir de 2019.
“Se busca, ao final, chegar a uma situação de livre-comércio. Isso está previsto no contrato. Mas temos que reconhecer que ainda há assimetrias que tornam o acordo importante”, disse Monteiro.
Questionado sobre quais seriam elas, Monteiro declarou que “há características da produção mexicana hoje, como ela se integra à economia americana e como se dá esse processo de integração, que criam essas tais assimetrias. Isso favorece a produção do México. Esperamos que nestes quatro anos se possa criar condições para uma relação mais equilibrada e que isso estimule o Brasil a ter maior exposição”.
Para o secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo Villareal, o acordo traz previsibilidade às montadoras. Segundo ele, a venda de carros e autopeças representa 46% do total de comércio entre Brasil e México, o que corresponde a US$ 9 bilhões.
O valor de conteúdo regional, porcentual de peças nacionais exigido na produção dos veículos, se manterá nos 35%. Na negociação anterior, estava previsto o aumento do conteúdo regional para 40% em 2016.
No novo acordo, o sistema de compartilhamento na distribuição de cotas será de 30% para o país importador e 70% para o exportador. No acordo anterior, não havia previsão de compartilhamento.

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1 Comentário

Carlo 10 de março de 2015, 00:43h - 00:43

O PLR da MAN será de R$ 4.000 em 15/05 e de R$ 1.000 em 15/01/2016 e não R$ 2.600 como foi divulgado na reportagem. R$ 5.000 já é pouco, R$ 2.600 seria muita sacanagem. Favor rever os valores.

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