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As vítimas inocentes da guerra do Putin

Matéria publicada em 12 de maio de 2022, 16:01 horas

 


Mais de dois mil civis Já foram assassinados pelo exército russo

A moça aí na foto se chamava Anastasia Yalanskaya. Adorava os animais e vivia na cidade de Kiev, na Ucrânia. Anastasia e seus amigos cuidavam de um abrigo para cachorros abandonados na periferia da capital, perto dos subúrbios de Bucha. Quando as tropas russas invadiram a Ucrânia, por ordem do ditador Vladimir Putin, Anastasia se recusou a fugir com outras pessoas de sua família. Ele não podia abandonar os animais do abrigo. Com os bombardeios de foguetes sobre a cidade os animais do abrigo ficaram três dias sem receber alimento. Anastasia pegou pacotes de ração, colocou num carro e partiu com três amigos para alimentar seus bichos.

Ela não sabia que os soldados russos estavam atirando em tudo o que se movia, nos subúrbios de Kiev. E morreu metralhada com seus amigos, no carro crivado de balas dos fuzis Kalashnikov. Uma entre milhares de vítimas de uma guerra insana. Alina era ainda mais jovem do que Anastasia, ela só tinha 14 anos. Sua paixão era o atletismo e ela treinava com dedicação para participar das próximas Olimpíadas. Era uma promessa da Ucrânia nos jogos de Paris, em 2024. Mas Alina não vai estar lá. Ela morreu semana passada durante o bombardeio da cidade de Mariupol pelas forças russas.

O mundo inteiro tem condenado com veemência o massacre que o governo russo esta promovendo na vizinha Ucrânia. O secretário geral da ONU, Antonio Guterrez declarou durante uma visita recente a Kiev: “A guerra é um absurdo no século 21. Eu imagino a minha família em uma dessas casas destruídas. Vejo minhas netas fugindo em pânico. A guerra é o mal. Não há como uma guerra ser aceitável no século 21”

O papa Francisco concorda com as Nações Unidas: “A guerra é uma regressão macabra da humanidade. A guerra é cruel e sem sentido”. Do ponto de vista político, mas também humano, o presidente da Alemanha declarou: “Putin estilhaçou o sonho de uma Europa em paz. Destruindo uma ordem europeia  alcançada e mantida desde a Segunda Guerra Mundial.” Frank Steinmeier sabe do que esta falando. Afinal a Alemanha perdeu milhões de cidadãos e teve suas cidades arrasadas durante a guerra contra o ditador Adolf Hitler.

Infelizmente o sonho de uma era de paz e prosperidade acabou sob as balas dos canhões russos. Em pleno século 21, na aurora do terceiro milênio, a humanidade se encontra refém de ditadores insanos como Vladimir Putin na Rússia e seu colega Kim Jon Um na Coréia do Norte. Ditadores que ameaçam o mundo com um holocausto nuclear e demonstram total desprezo pela vida humana. Vidas interrompidas brutalmente como no caso de Anastasia e Alina.

Anastasia: Ela só queria salvar seus bichos

Aqueles que conseguiram fugir do massacre tiveram mais sorte. Uma jovem que desembarcou em Curitiba, no mês passado, contou que estudava matemática quando a guerra começou e  teve que abandonar sua casa e seus estudos. Agora enfrenta a vida num abrigo, num país distante e desconhecido, mas pelo menos escapou da fúria assassina das tropas de Putin.

Os pessimistas acham que os fatos recentes mostram que a humanidade não tem futuro. Ela não vai passar pelo gargalo que bloqueia as civilizações que surgem em nosso Universo. Cedo ou tarde nossa civilização será destruída pelas guerras ou pelas mudanças climáticas. Mas, como diz o dito popular, “a esperança é a última que morre”. E uma parte dos seres humanos continua a sonhar com um futuro melhor. Gente como os astronautas que voltaram recentemente do espaço falando de uma vida entre as estrelas.

Os ditadores ainda não mataram os sonhos.

Por Jorge Luiz Calife


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3 comentários

  1. Cidadão consciente.

    Admiro esse jornalista pelas boas matérias que tem publicado nesse jornal. Mas, nessa matéria, seria o caso de perguntar a ele onde obteve tais informações sobre os fatos que envolveram a moça da foto.? Será que ele também, como a maioria da população, foi influenciado pela mesma mídia hipócrita que procura mostrar os ucranianos como mocinhos e os russos como bandidos? A mesma mídia que sempre mostra os EUA e seus aliados como os heróis e bondosos e os iraquianos, afegãos, sírios, palestinos, chineses,etc… como vilões.
    Quanto ao comentário do leitor, penso que ele não entendeu muito bem o que quis dizer, pois me referi à época das guerras do Iraque e do Afeganistão, há anos atrás e não a reportagens lights sobre momentos atuais , pós-guerra. Quis dizer que à época das invasões aqueles países, como também na Síria, assim como no massacre realizado pelos sérvios na Bósnia, nas constantes opressões aos palestinos, etc…, a mídia não mostrou , simplesmente porque não aconteceu : idosos, grávidas, crianças e até animais tendo a chance de fugir, corredores humanitários para tratar dos feridos, concerto de orquestra e dança de bailarinos próximo aos locais de conflitos, visita de presidentes e artistas aos países atacados, etc…A mídia mostrava exatamente o que estava acontecendo : bombardeios, destruição e mortes. E a hipocrisia acontece porque os opressores e invasores em tais guerras eram considerados pela mídia como mocinhos e heróis bondosos. Admirados pelos povos colonizados, como o nosso.

  2. Cidadão consciente.

    Concordo que uma guerra, qualquer que seja, é ruim, trágica. Mas não tolero essa hipocrisia da mídia que , em nenhum momento, teve pena dos povos iraquianos, afegãos e sírios, massacrados pelos americanos.(somente no Iraque, foram 500 mil mortos). Essas guerras, ao contrário da “Guerra de Putin”, não foram chamadas pela mídia de Guerras do Bush ( George Bush), não tiveram crianças bonitas, bem agasalhadas e até cães tendo chances de fugir, nem bailarinos dançando nem concertos de orquestras nas praças das capitais desses países , a maioria invadidos por motivos forjados e mentirosos ( o Iraque não tinha armas químicas, ; dos 22 suspeitos de atacarem o World Trade Center , nenhum era afegão.);guerras que não tiveram visitas do presidentes da ONU e de outros países, nem da Angelina Jolie; não teve a reprovação do Papa; por toda parte, só se via desertos de destruição e morte. O triste disso tudo é verificar a hipocrisia nojenta dos países e mídias capitalistas , apoiadas por idiotas de outras partes do mundo, principalmente do 3º mundo.

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