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Enfrentando os problemas do dia a dia

Matéria publicada em 19 de abril de 2019, 10:01 horas

 


Em Pinheiral povo reclama da qualidade dos serviços básicos

Sexta-feira, 20h. Geralmente nesta hora os pontos de ônibus estão mais vazios. A maioria dos trabalhadores, que larga às 18h, já foram para casa. Mas não naquela sexta-feira. Havia um grande grupo de pessoas reunidas no ponto em frente ao Shopping Center da Vila Santa Cecília, em Volta Redonda. Há 45 minutos eles esperavam o ônibus da única linha que faz a ligação entre Volta Redonda e Pinheiral. Uma mulher indignada desabafa: “Pinheiral é ruim em tudo: Transporte, médico, emprego”. Finalmente o ônibus chegou e saiu lotado, com metade dos passageiros pagando caro para viajar em pé. Uma rotina diária que não muda nunca.

Dois dias depois. Segunda-feira, 14h no ponto final da linha em Pinheiral. Um ônibus encosta quase vazio e os passageiros ficam felizes com a novidade. Entram, sentam e ficam esperando o ônibus sair. Passam dez minutos e o ônibus não sai. O despachante entra e avisa: “Furou o pneu do ônibus, vocês vão ter que passar para o carro que vem atrás”. As pessoas saltam desanimadas, reclamando. O “ônibus que vinha atrás” chega cheio e as pessoas se espremem dentro dele. A lotação de dois ônibus é colocada dentro de um só e lá vai o coletivo. Com gente espremida na porta a caminho de Volta Redonda.

O problema da superlotação nos ônibus de Pinheiral já foi tema até de campanha política. Ainda guardo comigo o folheto de um candidato a prefeito com uma caricatura do ônibus superlotado da linha Pinheiral-Volta Redonda. O candidato, do PT, prometia acabar com isso se fosse eleito. Ganhou a eleição e não fez nada. O ônibus continuou circulando lotado. O motivo é simples, os prefeitos e os políticos de Pinheiral não viajam naquele ônibus. Eles circulam em seus carrões, com ar refrigerado e estão se lixando para o povo.

Nem sempre foi assim. Como já cansei de lembrar aqui nesta coluna, Pinheiral já teve um transporte coletivo moderno, confortável e rápido. Foi o trem elétrico que circulou entre Barra do Piraí e Resende durante mais de duas décadas. Cada trem carregava o equivalente a mais de dez ônibus. De Pinheiral a Volta Redonda a viagem levava entre dez e quinze minutos (O ônibus leva 45 a 60 minutos, dependendo do transito e do motorista). O trem era elétrico, não poluía o ambiente, mas foi eliminado para atender aos interesses escusos de políticos e empresários. Dessa turma que vive pegando cadeia lá no Rio de Janeiro.

No Brasil a dependência de um único tipo de transporte cria problemas muito sérios. O presidente da República anda na corda bamba, ameaçado por outra greve de caminhoneiros. Como aquela que parou o país no ano passado. Se obrigar a Petrobrás a vender combustível abaixo do preço de mercado a empresa quebra. Só um anúncio de intervenção na empresa, semana passada, fez despencar o valor das ações da nossa estatal do petróleo. Se aumentar enfrenta a greve.

Falaram muito em recuperar a malha ferroviária, mas até agora foi só falação. Como aquelas conferências de saúde que acontecem de vez em quando em Pinheiral, muito blá blá blá e nenhum resultado prático, ou a poluição do rio Paraíba. Quantas marchas e passeios ciclísticos já não foram feitos pela despoluição do Rio? Perda de tempo e de esforço. O rio Paraíba, que já foi rico em peixes, hoje é uma verdadeira torrente de lama e esgoto. Esgoto que é jogado in natura pelas cidades que ficam ao longo das margens. Ninguém fala em construir estações de tratamento em cada cidade que polui o rio. Os estrangeiros vêm ao Brasil e ficam atônitos ao ver como despejamos urina e fezes no rio de onde tiramos a água para beber.

E nada vai mudar enquanto o povo não se conscientizar e não boicotar essa classe política que esta aí. Mas um dia a população acorda. Apesar das ameaças e das multas a última eleição já bateu recorde de votos brancos e nulos. Os políticos contam com a apatia do povo para manter esse estado de coisas. Mas um dia a casa vai cair.

Pinheiral: Povo sofre para ir e vir – Foto: Natacha Prado/Arquivo


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