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Após empate, Dunga cobra virilidade sem a bola

Matéria publicada em 30 de março de 2016, 19:12 horas

 


Treinador diz que seleção tem de aprender que não conseguirá vencer jogos nas Eliminatórias só na base da técnica

Tropeçando: Dunga está com trabalho contestado após inconstância nas Eliminatórias

Tropeçando: Dunga está com trabalho contestado após inconstância nas Eliminatórias


Assunção, Paraguai – 
O empate por 2 a 2 com o Paraguai, conquistado nos minutos finais da partida, deixou a Seleção Brasileira satisfeita com o poder de reação apresentado pelos jogadores.
A comissão técnica chefiada por Dunga ignorou que a equipe canarinho foi dominada durante a maior parte do confronto e valorizou o ponto somado no estádio Defensores del Chaco. Para o treinador, contudo, o Brasil terá de aprender que não conseguirá vencer os jogos nas Eliminatórias à Copa do Mundo de 2018 só na base da técnica.

– Deveríamos ter feito o resultado na partida contra o Uruguai, em casa. Nós sabíamos que aqui em Assunção seria complicado, mas no segundo tempo o time entendeu como se joga uma Eliminatória. Quando eu falei que o Brasil teria que ser mais viril sem a bola, muitos não entenderam, ou não quiseram entender. Com a bola temos que jogar, mas sem a bola precisamos fazer como os outros fazem – disse o técnico.

Quando um jornalista entendeu que Dunga estaria criticando a “falta de raça” do Brasil, o treinador tratou de corrigi-lo e declarou que não havia sido compreendido bem.

– Esse foi um jogo mais físico. Os nossos jogadores estão mais acostumados com o futebol europeu, em que o campo, o juiz, tudo é diferente. Eliminatórias são um campeonato à parte. Sem a bola você tem que lutar com tudo que puder – explicou ele.

Dunga recordou por diversas vezes o empate por 2 a 2 com o Uruguai, na última sexta-feira, quando o Brasil abriu dois gols de vantagem e cedeu o resultado à Celeste. Segundo o treinador, a reação diante do Paraguai deve ser vista com bons olhos pelo torcedor. Ele acredita que qualquer ponto somado fora de casa nas Eliminatórias ajudará a Seleção a conquistar a classificação para a próxima Copa do Mundo.

– A Seleção ficou 128 dias sem jogar. Creio que primeiro tempo com o Uruguai foi bom em termos técnicos. Hoje foi o contrário. Mas o resultado foi bom não só por ter buscado o empate, mas por ter colocado o Paraguai para trás e ter continuado com a pressão – afirmou o treinador, antes de avaliar a situação do Brasil na tabela de classificação.

Com nove pontos, a equipe ocupa a sexta colocação e está fora da zona que garante vaga no Mundial de 2018.

– A tabela incomoda todos nós. Mas sabíamos que essa competição seria a mais equilibrada. O bom é que teremos um dos líderes na próxima rodada, que é o Equador. Temos que depender de nós meses. As Eliminatórias sempre foram muito complicadas. Essa vai ser mais ainda, porque vamos ter que aproveitar as oportunidades e somar os pontos. A tabela será muito curta até o final – concluiu ele.

Ousadia

Quem passasse despercebido pelos vestiários da Seleção Brasileira no Estádio Defensores del Chaco não diria que o time pentacampeão mundial havia conquistado um empate sofrido contra o Paraguai. Assegurada em finalização de Daniel Alves nos minutos finais, a igualdade por 2 a 2 tirou a equipe canarinho da zona de classificação para a Copa do Mundo de 2018 – o Brasil é o sexto, com nove pontos. Os jogadores, no entanto, “bateram palmas” e se mostraram aliviados com o resultado.

A satisfação com o empate causou estranheza. O técnico Dunga estava sorridente antes e depois da entrevista coletiva que concedeu no estádio. Gilmar Rinaldi, o coordenador de Seleções também esbanjava bom humor ao tratar da partida. Eles creditaram a felicidade ao poder de reação que o Brasil mostrou após ficar com dois gols de desvantagem no placar.

– Jogar aqui (no Paraguai) é historicamente muito difícil. Não estou feliz só com o resultado, mas com as mudanças, com a coragem e a ousadia que o Dunga teve. E, principalmente, com o que falei para os jogadores nos vestiários. Sejam bem-vindos às Eliminatórias. Temos muita qualidade, mas em algum momento precisaremos do espírito que nós mostramos nesse jogo – afirmou Rinaldi.

A conversa nos vestiários resultou em aplausos e gritos de incentivo por parte dos jogadores. Muitos deixaram as dependências do estádio exaltando o empate.

– Temos que ressaltar a garra e a vontade. Saímos de uma situação adversa e conseguimos igualar o resultado”, afirmou o zagueiro Miranda. “Devido às circunstâncias, em que o time estava perdendo por 2 a 0, nós conseguimos jogar bem no final e criamos algumas oportunidades de gol. Ficamos contentes porque o Brasil mostrou poder de reação. Isso deve ser levado adiante, porque é importante para nós – concordou o volante Fernandinho.

Ricardo Oliveira, autor do primeiro gol do Brasil na partida, também se mostrou satisfeito com o resultado final.

– Nós saímos daqui com o gosto de que nos encontramos. A técnica sempre vai se sobressair no time, mas a intensidade não vai faltar nunca. Precisamos dela para os jogos mais complicados – disse ele.

Entre os atletas, uma das poucas vozes dissonantes era a do lateral Daniel Alves. O jogador manteve um semblante fechado em todas as entrevistas que concedeu, principalmente na que ocorreu ainda no gramado. Já na zona mista do estádio, ele defendeu que o Brasil se espelhe na determinação mostrada pelos paraguaios para obter atuações melhores nas Eliminatórias. “Não jogo para empatar, eu jogo para ganhar”, resumiu ele.


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Um comentário

  1. Virilidade sem a bola não existe…

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