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Crise deixa campeões olímpicos pela seleção brasileira de vôlei sem time

Matéria publicada em 22 de junho de 2020, 08:37 horas

 


Rio – A crise no esporte provocada pela pandemia do novo coronavírus tem afetado cada vez mais as modalidades, que já passavam por momentos de incerteza após a queda de investimento depois dos Jogos Olímpicos do Rio. O vôlei teve a Superliga interrompida antes do fim e muitos atletas ficaram sem contrato após o fim do vínculo com os clubes.

O problema atinge, inclusive, campeões olímpicos de 2016, que apesar de terem um ouro no currículo, vivem um momento de grande insegurança. Muitos times nem sequer sabem quando poderão retomar as atividades. Até por isso, esses profissionais estão de olho em clubes de fora do País e investem em outras áreas na expectativa de a situação econômica melhorar.

Evandro, campeão com a seleção brasileira nos Jogos do Rio, se despediu do Sada Cruzeiro em maio, após quatro temporadas. Aguardando novas propostas, ele lançou uma marca de roupas em conjunto com a namorada, Bruna Lecardeli, e aposta nos estudos durante a quarentena.

“O mercado do vôlei não está igual aos outros anos. Ele está bem complicado. Alguns jogadores já fecharam novos contratos, mas grande parte segue sem clube. É difícil estar sem time até agora Fico preocupado, sem saber o que fazer. Em compensação, estou tentando investir em outras áreas”, contou em entrevista ao Estadão.

“Precisamos esperar para ver como o mercado vai reagir lá na frente. Mas estou seguindo em frente. Até abri a marca de roupas Eight BE e consigo dar bastante atenção para esse novo investimento. Também procuro focar nos estudos, realizar palestras, estudar o Instagram…Está bem interessante essa parte. Já o lado profissional, apesar de ser um campeão olímpico e um bom jogador, está bem complicado”, lamentou Evandro.

No mesmo cenário está o técnico Rubinho, que comandava o Sesi-SP e foi auxiliar de Bernardinho na conquista olímpica de 2016. O clube não renovou os contratos do elenco profissional e ele acabou ficando sem um time para comandar. Portanto, também busca uma nova oportunidade no mercado. Até lá, o treinador está aproveitando o tempo livre para realizar encontros online com colegas de profissão, lives e também ministrar o curso nacional de treinadores junto à Federação Mineira de Voleibol.

“Estou afastado do Sesi desde maio. Antes, eles me avisaram que eu não ficaria na equipe em função dos problemas financeiros e reajustes que a instituição teria de fazer. Agora estou aguardando uma chance fora do Brasil. Não que eu queria sair daqui, mas acho que vou ter uma oportunidade melhor. Tenho um procurador que está analisando algumas negociações mais diretas. O importante é não desanimar”, diz Rubinho.

Para ele, “existe um pouco mais de perspectiva fora do País”. “Para quem está buscando uma nova oportunidade na carreira, o melhor cenário está fora do Brasil. Lá as coisas estão um pouco mais avançadas, já que eles tiveram a pandemia um pouco antes da gente.”

Assim como Rubinho, o campeão olímpico Éder também percebeu que as melhores oportunidades para os atletas brasileiros estão surgindo em times estrangeiros. O central também se despediu do Sesi, mas assinou contrato com uma equipe alemã.

“O vôlei foi amplamente afetado pela pandemia. Hoje as pessoas estão pensando no seu bem-estar e o esporte acaba sendo voltado mais para a área do lazer das pessoas. Então, acaba não sendo uma prioridade e é o correto. Só que por outro lado, o vôlei já vinha com bastante dificuldade aqui no Brasil em função da crise Tivemos bons campeonatos nos últimos anos, mas a Superliga não tinha mais o equilíbrio de bons times”, diz o jogador.

“Acredito que o vôlei vai ter bastante dificuldade no próximo ano. É um momento para rever os nossos conceitos no Brasil e aproveitar essa crise como uma oportunidade para recomeçar de uma forma melhor. Ter mais projeção e visibilidade”, continua. Apesar de ser campeão olímpico, Éder destaca que não foi fácil achar uma nova equipe. “Eu não arrumei um clube rápido e estava preocupado com a situação porque o tempo estava passando. Foi bem difícil. Todos estão passando por isso, por essa dificuldade, em razão dessa crise no Brasil. Estamos vendo muitos jogadores indo para o exterior justamente por esses fatores”.

Apesar de acreditar que o vôlei terá de enfrentar mudanças após a crise, o levantador William, companheiro de Éder no Sesi, espera continuar no Brasil com o objetivo de fortalecer a modalidade no País. “Essa é a minha intenção”, afirma o atleta, que está próximo de anunciar o seu novo clube.

“Ainda não fechei com nenhum time. Os clubes estão voltando aos poucos e os atletas dependem dessa reabertura para poder avançar numa negociação. Por esse motivo eu ainda não tenho nada concreto, apenas conversas prévias, até porque essas conversas já existiam, mas com todo esse cenário novo por causa da pandemia as coisas pararam e estão sendo retomadas aos poucos”, explica.

Questionado sobre a possibilidade de não conseguir uma equipe e precisar sair do Brasil, William revela não ter receio. “Isso não passou pela minha cabeça. Talvez o Brasil esteja sofrendo um pouco mais e opções fora do País existem e são concretas, mas a minha ideia ainda é permanecer aqui”, conta.

“Não é só o vôlei que está vivendo uma situação complicada, mas o esporte no geral e até outras áreas por causa da pandemia. Acredito que teremos de nos adaptar a uma nova realidade, entender o cenário e ver quais vão ser as medidas a serem tomadas de precaução para que o esporte possa voltar com segurança. Não sei se normalmente, mas da melhor maneira possível e atrativo como sempre foi”, completa William.


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